terça-feira, julho 26, 2005

"Darling be home soon" por Joe Cocker

Embarque


A trilha sonora da feliz derrocada desta tarde.



Darling Be Home Soon - Joe Cocker


Come
And talk of all the things we did today
Here
And laugh about our funny little ways
While we have a few minutes to breathe
Then I know that it's time you must leave

But darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

And now
A quarter of my life is almost past
I think I've come to see myself at last
And I see that the time spent confused
Was the time that I spent without you
And I feel myself in bloom

So darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

[Instrumental break]

Darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

Go
And beat your crazy head against the sky
Try
And see beyond the houses and your eyes
It's ok to shoot the moon

So darling
My darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to


Desembarque

escorreu

Embarque

A espera do soar telefônico, algo tão distante quanto galáxias. O trinco trancado a espera pela chave correta a ser introduzido pela fresta da vida a destravar a loucura dos corações em fúria.
Horas se passaram naquela noite a qual estava deitado como morto semiconsciente a chorar por entranhas situações vivenciadas.
Inquieto, e há um comichão no pensamento me impede de pensar na rua, ou nas bolsas. Penso na chave que destravará a minha felicidade, e tão distante ela parece estar que me entrego a vastidão de uma indisposição ao respouso.
A saudade é algo que perdura mesmo quando não sabemos mais como o futuro talhará os caminhos dos próximos capítulos. Aqui ainda há esperança. E o engraçado e lembrar de trocentas situações que na qual todas são à mente chamadas pela lembrança que a própria lembrança da pessoa amada nos fez passar, ou melhor, fazer algo em tal situação. É assim com telefonemas ao sair de uma instuição qualquer que sufocasse um coração radiante, inflamado por amor. Contar os minutos, para ouvir por poucos minutos uma voz distante do outro lado, mas que semeava um jardim tão grande dentro de mim que engradecia este que vos fala. Os aparelhos telefônicos quando problemáticos passavam a serem parte reinante da ira particular de momentos nos quais eu não achasse um maldito telefone público a discar um determinado número que pós troca de vozes, perfilaria em meu ser e introduziria nele uma imensa carga de uma coisa tão boa e grande, que parecia ter comido dez pratos de arroz com feijão e pronto sairia para enfrentar o mundo de peito tão aberto, que de tão exposto aos medos alheios, tais sentimentos fugiriam da terra.
Engraçado sentir isso e lembrar como sorridente corria ao encontro de ônibus em ruas encharcadas por lágrimas e lama, afim de o mais rápido possível chegar no lugar da conversão do olhar. Do achar-se engastando-se no outro. Me sinto feliz por lembrar disso, por sentir que o amor inundou como nunca antes este individuo.
Fazendo-me sangrar de tanto amar. E correndo ao encontro de telefones públicos eu ficava como criança a correr atrás do balão que lá no céu voa, tão distante quanto o amor, mas tão lindo quanto seu voar desmedido e simples.
Eu sou aquele que amou, que se predispôs a derrubar as barreiras das situações e as próprias barreiras do ego. Aquele que chorou, resmungou, vomitou, sujou, jogou, violentou. Pelo seu próprio corpo e pela dor que sentia enquanto o vácuo me recheava.
Fui tostado num clarão de eletricidade quando coloquei-me na posição de franco atirador. E atirado a esta situação descobri braços não conhecidos, mas que eu não os sentia abraçando-me como dantes fora.
Amar e ser amado. A promessa que fazemos inconscientemente ao nascer, já que nascemos pelo fato de sído concebidos no ato do amor, da entrega total descomedida ao corpo estranho, mas esse estrangeiro nos conhece tão bem que passeia por nós a brincar num grande playground de prazer suspirando pelos nossos suspiros.
Miséria é não poder amar com todos os orgãos, necessitar o sopro do hálito que me envolve como num lençol branco, macio e quente. Envolto nesse odor adentro teu corpo quente e ele me chama, grita pelo meu nome e vou até o fim. A disposição volta, com raiva de vida de fazer tudo de uma nova forma. De procriar, jogar tudo aí, na mesa da vida num jogo de cartas cego, que escolhemos pelo tato, pela sensação mais aprazível.
Eu sou aquele mesmo, como Whitman, nú. Este sou eu. Não Herculano, Joe, Jimmy, Fernando, Gilberto, Márcio, e assim por diante.
Eu sou eu. Eu tento sempre e me rasgo de raiva por ter de acordar cedo, choro ao ouvir Joe Cocker e Elvis Costello. Eu acredito no nosso poder da diferença e para isso basta vontade. Eu sinto, luto, choro, morro, vomito. Eu vivo cada dia como uma amálgama de de dor e resignação, mas luto contra a confusão. Não quero morrer nunca e choro aqui e agora por querer me engastar a terra e virar o tudo de todos. Minhas lágrimas escorrem querendo pregarem no chão, no solo, mas não deixo. As chupo de volta a meu corpo. Se púdessem ver o que vejo agora, acreditariam que talvez a vida possa valer a pena., e faz 10 minutos que aqui sentei, sem saber o que dizer, como e porque.
Navegaria por esta canção por milênios a nunca mais me perder dela, nunca mais. A gritar como ele canta a viver como eu vivo, e a chorar como ninguém chorou neste terreno.
Que em situações meu estomago não diminuísse, que eu passasse por estas provações de vida sofrida, que nos faz amar e odiar a vida. Mas sempre na positividade, na proposição.
Proponham!
Lutem!
Eu choro pela pobreza que vejo nos olhos das pessoas e choro pela alegria dos olhos das crianças, engulo minhas próprias lágrimas sabendo que ainda não é tempo de me repousar ao solo e ruínas de carne transformar. Gritaria por oras se púdesse. E quem disse que não posso? Gozaria por oras, gozaria alegria e plantaria sementes nos lugares onde meu semém depositasse.
Eu quero mesmo! Diferença todos podem fazer e ainda bem que respiram como eu respiro, deposito em mim a minha única possibilidade de saber o que farei do meu futuro. Se soubessem o que eu sinto ao ouvir esta canção. Perdoaria todos os pecados, e que todos os fracos de espírito púdessem sentir isso que sinto exatamente neste momento que fica parado em minha memórias e mais lágrimas escorrem pela minha barba.
Eu sou um rochedo feliz! Estou feliz e quero mais e mais ficar feliz. Dêem-se as mãos e orem por nós, pelo agora. Tudo podemos naquele que acreditamos, naquele que construímos. Em nós. Oremos, lutemos pelo homens e mulheres de nossas vidas. Perdoemos à todos.
Pela vida quero gozar e me engastar nas tuas entranhas quentes a fazer do nosso untado o óleo da felicidade. Eu quero amar. Posso estar velho e piegas para isso. Daqui a semanas posso discordar destas linhas, mas pouco importa. Daqui a semanas posso estar, preso, morto embalsamado. E o que pensado, sentido tenha de ser dito e sem esferas de poluição dos diálogos vindouros. Água azul e salgada escorre de nossas entranhas minha doce querida. É o mar. A vida.
A grande canção de nossos corpos é o "big ben" (sic) que nos conduzirá ao paraíso. Me entrego, esôfago, intestinos, penis, falanges, lágrimas. Eu sempre me entrego e sofro por isso, e sou feliz por isso. Por conseguir ser o que sou, não sei o que rola agora, mas não consigo segurar nada, numa torrente a descer do morro tudo escorre me carregando e violentado meu corpo rumo ao mar, ou a um fundo de vale qualquer.
O que eu tenho? Apenas um pulmão e um coração que teimosamente bate, bate, infla se enche de ar, sangue. Que ambos se encham de força é isso mesmo, eu quero viver para sempre, não morrer nunca...

Desembarque

segunda-feira, julho 25, 2005

Insônia

sexta-feira, julho 22, 2005

Um velho

Embarque


Esvaziado

Arquiteto do fim dos dias e da comiseração. O acaso arranca meus pés do chão e num tufão carrega este corpo para longe, o mais longe dos lugares. Estou mudando, talvez retornando a algo do passado. De um passado muito distante para vocês. Onde toda a dor era sentida através da própria escolha por ela. Arquiteto, ou melhor, andarilho. Andar somente andar. Caminhos não precisam mais com força e dor serem esculpidos. Sentar e chorar pra quê? Digam-me para quê! Melhor estar a serviço da corrente dos dias vindouros. Agarrar-se a própria sorte, deixar que o mar consuma o que resta de digno e formoso de uma impressão. Que os ácidos, desencavem destas sujas carnes algo que não seja as impressões passadas e sedimentadas a meses pelo medo da minha entrega a meu destino.
Delega-se ao contexto a foice da morte dos nossos deuses. Diante deste diagnóstico idiota, vos entrego a palidez, indiferença. Não mais lágrimas.
Tive visões, que resgatava um chicote e vergastava minhas costas em sinal de entrega a meu destino. Vi também um velho cego que mostrou-me uma foto. Disse-me ele que a água da chuva tinha corroído o rosto da pessoa da foto, e que essa pessoa era eu. Que eu tinha sído corroído pelas torrentes gotas que caiam do céu.
Não chorei. Sábia o que tinha feito. Um enorme bolo juntou-se em meu estomago e de lá saí correndo. Tentando insistentemente vomitar, mas apenas saliva em forma de espuma de minha boca saía, e um fétido hálito. Ele disse que eu morreria após a saída destes liquídos, mas que renasceria se cuspisse tudo ao alto. Corri por cidades a chegar a desertos, a vastidões de terras áridas e me via na paisagem pobre. Mais magro e pobre. Sabia que morrer duraria dias e não conseguiria matar-me, pois nada havia alí a não ser terra seca. Morreria de inanição.
Quando o velho reapareceu um raio vindo do céu rasgou-me o corpo, e no sequente segundo, um calor. A descer de minha cabeça a queimar pés e mãos. Não chorei, este era meu destino. Estava feliz por entregar-me de vez, por deixar meu corpo suavemente ser carregado pelo movimento da maré.
Não havia mais estomago para lutar, pois nada mais teria de ser consumido e transformado em energia para a luta. Nais mais cansaço havia, nem fome, esperança, dor, felicidade. Transformei-me num monolíto no deserto.
Apenas algo a mostrar o que tinha sído muito gritado e pouco feito. O quão grande tinha-se transformado e vazio.
Meses se passaram. Abro os olhos e ao lado escuto o ranger dos ossos, e o descer das lágrimas. Estou num vale de lama deitado e ciente. Não há mais necessidade da ajuda e da força. Num mosaico em forma de filme vejo as pessoas passarem pela minha vida, sem pedir nada em troca, nem companhia.
Quando o antigo velho dos confins próximo ao deserto tinha mostrado a foto a mim, tinha me alertado para a própria morte. Uma morte diferente, que possivelmente se processasse por dias e por situações. Também disse do tal mangue de lágrimas. Que renasceria disso e que mudaria por nutrir-me dos alimentos deste lamaçal.
Zerado. Zero à esquerda. Gosto de lama na boca, lama salgada. Volta a chover e não mais lágrimas cairão do céu. Por mim mesmo alcunho o rochedo feliz. A rocha fria que estagnou-se em minhas lembranças a apenas compor o enterro.
Um enterrado vivo. A remoer-se dum passado distante, e que hoje arrepende-se do próprio monolíto.

Desembarque

Herculano Netto

terça-feira, junho 28, 2005

Nada

Embarque

Nada o que colocar para fora, nem vômito. Cansaço não é colocado para fora. São movimentos peristálticos da preguiça afim de morrer por alguns parcos minutos numa tarde chuvosa. O vidro escorre o semén de Jesus que escorre após ele ter espirrado sua grande mangueira verlmelha sobre todos nós.
E dá-lhe a gritaria na companhia cosmodemoníaca de transporte coletivo (Salve, Miller) e eu tento em pé cochilar por alguns minutos e mais formigas entram no vagão, pareço suar frio.
Pareço feliz?
Pareço satisfeito?
Apenas pareço e desapareço!
Precisamos todos vagar. Mas um vagar desprendido de tudo o que se busca. Tudo é inalcansável, quanto mais de tenta, mais de machuca.
Lei do minímo esforço.
Quem nos dera capacidade para que assim fôssemos. Não adianta corremos atrás de tudo. Nem mesmo vejo mais o dia passar. Dentre celas a celas vejo o alvorecer a falo como um papagaio bebâdo sem beber.
Indiferença. Talvez seja essa a chave para a passagem dos minutos.
Indiferença.
Cansaço.
Ânsia de vômito.
Tardes perdidas.
SOnhadas e sentidas.
Pútridas e feridas.
Suco gástrico
Herculano Netto

terça-feira, junho 14, 2005

tarde de filme e sol

Embarque

Uma tarde saborosamente degustada à espera da ocupação e assim meio que pego de bobeira a assistir uma romântica película o cair do dia. A reinserção dos olhares, a motivação e oxigenação dos brônquios, desobstrução da vida.
Vontades buscadas no fim daqueles gavetas poeirentas, envoltas em envelopes pardos escondendo os corações rasgados.
E tentaram ser soterrados pelas possíveis escolhas. O mosaico maluco tentam pintar, o modos se sobrepõem uns aos outros as impossibilidades de antigamente colocam-se de outra forma.Afundamos todos e deixamos o suave movimento das águas nos carregar para a infinitude da esperança e uma noite de sono mal dormida, mas sonhada, pensada, gozada, experimentada de saudade e muita saudade.
Peito cheio de ar, inflando para gritar. Um urro de raiva e alegria. A possibilidade de provar do gosto da vida.
A real vida, a substância amarga do dia-a-dia, mas saudável a quem por mais vida precisa ser vista.
Vida, vida, vida. Um amontoado de sensações à espera de conceituações e um passeio numa tarde.
despretensiosa,
instigante,
dedos entrelaçados,
bocejos,
envoltos em braços morremos e nos ouvimos. Sim! A nossa máquina encarnecida bate. E sempre espera, mesmo que caminhando a outras pradarias, o ouvido ser colado no peito para ser festejado a batimentos.
Dispostos na vastidão de lençóis usados e entalhados momentos esperam ser concluídos e talhados novos e felizes sorrisos aguardam serem acordados lindos como sempre foram numa manhã de sol primavera que nos inflam os pulmões por vontade de vida.
Saber que algo vale a pena é alimento a ser dividido entre os entes vivídos que querem lastrar suas vidas pelos verdejantes campos do senhor homem.
De volta a antiga casa?

Desembarque

Herculano Netto

terça-feira, junho 07, 2005

Teimosia

Embarque

Suando. Perdendo horário. Dormindo pouco.
Sendo expectador de um assalto. Reluzindo o canhão de aço ao meu lado brilhava insistentemente e assim ainda olhava a aquele tipo de luz.
Montes de lembranças amontoam-se na minha cama quando deito e vejo o firmamento iluminar a minha vida, mesmo numa noite escura que o que brilha é o julgamento dos gatos noturnos, lutando pelos doloridos prazeres.
O ponteiro vermelho enganador olha-me sabendo que logo cedo o estarei observando espumando de raiva, pedindo que logo a morte se abata sobre este que vos fala. Não como saída, mas paz, silêncio. Solidão.
Multivisões num diapasão noturno. Estado no qual expomos nossas vãs experiências.
Um desenho animado de criança. Olhos sendo insistentemente arranhados por pó. Um cachorro carrega um carrinho pelas pálpebras.
A mesma coisa de sempre. O mesmo cansaço. A mesma indiferença.
Subindo as escadas vejo os olhos reluzindo de esperança. Cuspo nas faces da ignorância e ânsia de vômito permeia os sentimentos e os vapores.
Álcool?
Não senhores!
Silêncio, caixa verde, livros, lápis, discos, fitas, gavetas.
Gavetas! Engavetaram nossas felicidades, dentro dela reluz, além do revólver do indivíduo desta manha, cartas, fotos, cheiros, texturas, significados.
Uma geladeira num necrotério frio e convidativo a solidificarmos um outro reino.
Cá estamos nós, sozinhos, cansados mas vivos. Latejando em vida sempre. Perceba a grandiosidade da persistência pela vida.
Teimosia.

Desembarque

Herculano Netto

domingo, junho 05, 2005

Tarefas, obrigações, responsabilidade.

quarta-feira, junho 01, 2005

Transbordar e retornar. Incondicional.

Embarque


Adquiram a forma de produzir o maldito espaço!
Não é um dado apriori.
A espera continua, mas espaço precisa ser produzido. E tentação se faz no dia a dia.
Produza o tal do espaco, ele é ausência ou presença de sujeito.
O dado apriori é irreal. Retomo é apenas ausência ou PRESENÇA de um dado sujeito.
O amor forja espaço por mais espaço.
O sangue que escorreu de mim forjou uma couraça de papel higiênico.
Por que?
Por que é amor.
Precisa a mesma couraça ser destruída por quem de direito se apresente.
A espera sufoca e conter essa espera é um castigo para quem precisa do transbordo.
Transbordar. Retornar



Eu transbordo...
E vou recebendo a chuva...

Eu transbordo
sim, eu sei...

Sem dar vazão...
Eu transbordo...

Vou correndo sangrando a sua procura para estancar minha represa,
ou a ela destruir de vez.

Eu transbordo...
não meço as consequências
e uma enxurrada me compraz a ser assim.

Incondicional.

Eu transbordo...
e como um pequenino peixe que busca desovar no alto do rio,
luto contra a correnteza.

Eu transbordo...Sim...
Como aquele caminho d'agua que revolto,
destrói tudo que a seu caminho se prosta.

Mas a vida, torna-se vida, quanto mais sofrida se for vivida.




Não contenham o amor!
Ele perfaz nossa vida de dor.
Viva a via láctea do amor.
A sofrer por mais amor, cuspo meu labor.



Desembarque

Herculano Netto

terça-feira, maio 31, 2005

Arthur Rimbaud

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então...

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem?
A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

domingo, maio 29, 2005

impossível, fumaça, pigarro.

Embarque

A temperatura exterior caindo e a interior subindo num rompante indescritível por toques.Mas mesmo assim ainda certa solidão perdura, mesmo podendo por mil abraços estarmos envolvidos o silêncio ainda permeia o horizonte gélido da vida.Num final de semana buscamos experiências, ok? Sim. Isto posto, transparente como água. Lutamos afim de encontrar algo que valha a pena. De bar em bar, rua a rua, em suma destilando olhares na arte da própria projeção do ego.Afinal do que é que estou a falar?Sobre impossibilidades apenas isso. Assim nos apresenta a vida. O mundo das impossibilidades e quando tentamos insistentemente quebrá-las, nos machucamos profundamente.Tente para ver no que dá! Mas coloque-se. Expresse a tentativa na sua vida. Não em rompantes regados ao vapores do álcool somente. Também. Mas faça de suas tentativas as possibilidades da felicidade instantânea.A não ser que o medo ainda nos permeie, sendo assim, retorne ao infinito campo da comiseração e da própria sorte.Tenhamos pena de nós mesmos! Por medo ou insatisfação não conseguimos rasgar as amarras da vida.Construir sempre. Bloco a bloco. Assentando o terreno, dia após dia. Velando a vida juntamente com a terra adubada.Nada perdurará sem o jardineiro. Um jardim sem jardineiro não existe. Idealismo. Metafísica.Despregar-se das categorias da vida. Da sujeição as situação elevando ao absoluto o que é sempre construido.Tá frio e sou um forno esperando a lenha. Sempre serei. Sou quente por natureza, por substancia. Por ser o que sou, tudo sou neste que vive. Nada mais, nada menos.Obrigações não as consegui vencer, dias e mais dias se passaram e não consegui dar cabo de certos labores que a mim são depositados. E ligo quanto a isto? Não.A vida se extende muito mais que momentos de insistentes tentativas laborais afim terminar com tais obrigações.O preço é sempre alto. Que elevamos o nosso preço então.Que tudo ao alto seja jogado, e presentemente visto quando ao chão ser beijado.
Desconexo.

Desembarque, destravem-se, desandem, destoem, despir-se.

domingo, maio 22, 2005

Horas e dias são apenas alguns minutos. Nada mais que isso.

Embarque


5h15
8 vezes 40 é igual a quanto mesmo? Hmmmm. 320? Sim isso.
Trezentas e vinte pessoas numa rápida passada de olho em todos os olhos que nos olham esperançosamente por alguma coisa. Falar, falar e falar.
Encher um quadro de informações e falar, falar e falar. Vendo o quadro de bocejos e dentes amarelados e acariados pelo tempo de vida.
Engraçadinhos transvestidos de força e rigidez comportamental.
Não tentemos entender!
O giz tingi minha roupa a cada entrada em salões da desesperança.
Um par de seios tingidos por sardas a serem imaginativamente desgustados pela minha lingua. Apesar da amargura da tal proprietária e de sua rigidez falsamente trabalhada atrás de uma mesa de mogno escuro.
Um senhor com olhos pequenos, que de tão pequenos os faz ser um dos mais idiotas que já vi em minha vida. Por esse fato não deve enchergar direito.
Silêncio ainda? Sim! E por sempre para sempre.
Uma fileira de perdigotos lançados em segundos e um olhar penetrante. Recados, risadas.
O gestual é colérico. Alguém nos entende?
Entender pra que? Nós fazemos as mesmas perguntas sempre e sempre as mesmas meia respostas e digam-me para que tudo isso?
Eu sei ninguém responderá. Sei que sou teimoso, insistente e disso retiro as melhores faculdades deste ser que aqui escreve. A categoria de sempre ir além.
Segurança, propriedade e responsabilidade. Não confunda com um materialismo vulgar.
Será que eles entenderiam?
Nem mesmo a própria condição entendem.
Alienados.
Intervalo = Inferno. Trinta minutos a ter de compartilhar com todos eles. O par de sacolas de carne tingidas de sardas às vezes aparece e some em seguida com seu andar malediciente.
Retorno à cela. Os presos pulam, algazarram e gritam a plenos pulmões como se cada um deles estivessem tomado uma grande carga de cocaína pura a fazer dos mesmos macaquinhos loucos na jaula.
Vagarosamente observo os movimentos de tão superficial riu com eles. Todos tão pequeninos e tão tristes. Ainda devagar abro o espectro das nossas histórias alienantes afim de mais perdigotos pularem.
Ufa
12h20.
Reúno os documentos, cansado e suando a picas pelos cotovelos retorno a caverna escura e lá todos estão a ruminarem suas vãs experiencias.
Um dia, uma hora, alguns minutos sozinho.
Horas e dias são apenas alguns minutos. Nada mais que isso.

Herculano Netto
Desembarque

sexta-feira, maio 13, 2005

Cedam!

Embarque


A diferença de choque que alguns minutos de vento na face faz é imensa. E a observação da paisagem seja ela qualquer. Desde uma pequenina sala até um par de ancas sacudindo-se num bailar erótico temperando as lúgubres ruas.
A voz é mesma. A pessoa. O protagonista faz e refaz seu caminho buscando sentidos. Outrora o desespero e o caos. Hoje o silêncio do não dito.
Apenas a lembrança de horas de sensações lascivas. A canção dos corpos se debatendo quais enguias fora d'água felicitando seus orgãos genitais pela presença do outro. A alteridade é construída na junção dos fluídos que antes temperavam as ruas e noutro momento a temperar nossas entranhas e a sede que sentimos é infinita.
Sempre mais e mais. Não fujam jamais de seus destinos. O mundo gira, como um amigo disse-me, pelo movimento das estocadas de nossos mastros na morada quente e molhada do canal da felicidade instantãnea.
A cada feroz estocada o movimento de rotação se perfaz num ritmo novo e o mundo procura se estocar e ser estocado, numa aritmia que de movimentos incertos mas certeiros no fundo das bocas úterinas.
Cedam todos! Aos nossos orgamos procuramos em todos os caminhos de nossas medíocres vidas. E o que sobra é apenas alguns momentos de lembranças na solidão de uma cama vazia e uma mente abarrotada de imagens de uma foda instantânea e feliz.
Fodemos todos! Fodemos com nossos devaneios solitários de experiências loucas em situações não antes experencializadas. Fodemos todos! Pela vida terrena e pelo fim da procura pela salvação que nunca virá. Já ouvi isso antes. Não haverá barcos salva-vidas para todos. Entreguem-se aos desejos mais sujos que passeiam por nossas mentes quando aquele par de ancas se misturam a nossa visão.
A coisa pulsa no meio de todas as pernas. Enerva-se se não consegue uma morada e cospe em todos num sonho vazio. Numa cama vazia provamos do que não somos capazes.
O mosaico da vida se junta num grande suporte branco. Tintas, pincéis e todo material necessário ao aquarelamento de certas figuras. Uma grande folha branca esperando a tinta cair e assim a tonalizá-la de várias formas. Situações vividas ou não? De que importa, se pobres somos na entrega a outros corpos.
Dedos, Unhas, pinto, buceta, mãos, lava, corrimentos, muco, cu, gosto, lábios, vasos, veias, lingua, dentes, quentura, amor, sexo, saco, ovos, olhos, sombrancelha, orgasmo, esperma, boca. Fuga.
Me entrego a fuga de meu corpo por mais corpos e por mais texturas, gostos, gestos enfim...por mais e mais e sempre mais pessoas.
Novas, velhas, conhecidas, desconhecidas, juntas ou separadas. Afim estão? Da entrega total por horas numa cama qualquer mesmo com pulgas, pregas, pintos, pegadas, pulsação e paulatinamente a introduzir em nossas mentes novas formas de amar fodendo com o que se espera.
A mesma voz em movimento não parece ser reconhecível, pois o movimento modifica e a vida não pára.
Um salve! A estocadas. Rotação e Translação.
Caos! Esperando pela ordenação.

Herculano Netto

Desembarque

terça-feira, maio 03, 2005

Sobre jardins e jardineiros

Embarque

"O que é que se encontra no ínicio? O jardim ou o jardineiro? É o jardineiro. Havendo um jardineiro, mais cedo ou mais tarde um jardim aparecerá. Mas, havendo um jardim sem jardineiro, mais cedo ou mais tarde ele desaparecerá. O que é um jardineiro? Uma pessoa cujo o pensamento está cheio de jardins. O que faz um jardim são os pensamentos do jardineiro"
Rubem Alves

Desembarque

terça-feira, abril 26, 2005

texto antigo

Embarque

A fala

…de repente ao descer as escadas, fui violentamente empurrado.
E forjei-me de metais para não me arranhar ao cair.
Será assim que devo começar? A insônia não me explica e nem ao menos dá uma indicação para responder tais dúvidas.
07/10/04 são 00h59m.
Daqui 4 horas estarei de pé. Na verdade 4 horas e alguns minutos. Ver todos aqueles rostinhos, a sangrar pelos seus olhos impossibilidades, esperas, dores e porque não dizer esperança.
Daqui a 4 anos estarei de pé. E sem muito porque, ou mesmo (sabe-se lá) sem saber a respirar ainda completarei os ciclos biológicos que costuram meu corpo.
Mas pode ser que daqui a 4 dias, algum jornal qualquer relate mais uma nova guerra, por mais poder.
Poder...o que é Poder, ou poder?
Eu posso? Mesmo? Devo?
Gostaria de poder dormir e ter Poder. Assim direcionaria meu sono para algum lugar que não conhecesse e por lá ficasse até os fins dos dias.
Silêncio é poder, ou Poder?
Silêncio é o poder da ausência, do não dito. Ausência do sentimento, do fluxo sanguíneo.
O Poder do silêncio é poder relatar a morte.
A morte é a ausencia de Poder, sendo um Poder em si mesmo-mudança.
A mudança é o fim da morte e o começo da vida.
O homem é a morte.
Eu sou a morte. Eu sinto a morte.
A cortar-me, como um feixe de água gelada, imerso a ela estou.
Como numa imensa queda d’água-falta de ar-
O não dito dos vencidos. O dito dos derrotados...assim caminhamos a passos largos a lugar algum, nenhum.
A opressão da fome, as migalhas que a mim são jogadas.
Somos como pombos. Presos na cidade imagética da liberdade. Nem como os antigos pombos correios somos. Não mais voar conseguimos, e comemos restos de pastéis e lanches das ruas centrais do enclausuramento da urbanidade. Sem asas, e sem Poder.
Sem vontade e sem amor.
Sem sono, mas com vida
Com amor, mas pela morte
Pela morte, mas pela mudança
Com ardor, nossos bustos inflam
Mesmo pela morte, sem furor
Tudo pela vida, com a morte
Com suor, sangue e lágrimas.

Vi os pés daqueles senhores descalços a andar insinuamente pelos cacos de vidros, a rachar o solado do céu, e a cada momento a rasgar em seus corpos a herança de vidas passadas.
Também andei. Fui até a escada, descalço também, e nú. Pelo que me lembro carregava uma caixa que quando era aberta brilhava a todos, mas não me recordo de que material carregava, e de onde vinha. Lembro que ia a todo vapor, correndo. Assim vi os senhores descalços e seus solados sangrados.
O labirinto de espelhos.
O fogo que corta o céu e me cega as vistas.
O afogamento dos incontinentes.
O vislumbrar do cortejo fúnebre.
A dança sinuosa da serpente.
O vômitos dos insaciaveis.

E a minha incapacidade de me controlar e aos outros não machucar.
Digo adeus. Assim, possamos um dia construir um norte comum a todos.


O não dito

Desembarque

pés e movimento

Embarque


O alvorecer de uma voz única requer noites e mais noites de insistência e persuasão do próprio ego em constante diálogo consigo próprio. Ao invés dessa fornicação forçada a foda propriamente dita tem de ser transformada ritualmente num tratado com a alma pura. Pura depois de se ter passado por todos os estágios. Da nascença a putrefação. Talvez assim possa a voz única ser conhecida. Do contrário, penso eu, será um amontoado de idéias pré-concebidas nos gabinetes de compartimentação das nossas vidas.
Árduo trabalho este. Aferir a voz silenciosa do reino da imaginação afim de investigá-la e tentar extrai-lá do invólucro das influências. Longo percurso a ser caminhado nú e descalço. A supremacia e genialidade para alguns é como o alvorecer e o por do sol. Explico melhor.
Das horas que se passam no movimento, o indivíduo forçado a querer se torna o algo busca inconfudivelmente aquele posto. Por isso dias após dia, treina, exercita, recapitula, anota. Faz e perfaz um movimento que em sua caixola sabe-se lá quando automático se tornará. Cada lembrança a este indivíduo se torna uma bíblia do conhecimento a ser milimetricamente desfiado e desfiando esta memória chegamos ao ápice do escavamento que nos déspi e nú estamos diante das maquinas. A esperarem pacientemente nossos comandos. Um fóssil sobre a mesa. Milhões de anos e uma incompreensível escala de tempo. Uma história esperando um pintor a aquarelar o infímo. Poder mesmo deve ser esse pintar o incompreensível, o não notado por ninguém e expressar em palavras o que as mesmas não são. Um fluxo infinito. Pequeno ou grande? Sabe-se lá quando irá parar e se parar que todos farão?
Devaneios e mais pensamentos, memórias, momentos. Partículas do fato. Gotas num oceano de lágrimas.
A exposição do corpo nú no necrotério ou numa casa noturna. A miséria, desde a morte do corpo em si até a morte da paixão do corpo em nós. Tudo é sempre mais além. Bem mais adiante e cabe a mim andar e ver o raiar do sol até o fim do dia e exercitar o ato de aquarelar a vida. A minha vida.
O balançar dos pés num movimento nada uniforme mas que uniformiza a mente no transcurso de um pensamento obsessivo de sensações afim de serem movimentadas pelos mesmos pés. Numa sala refrigerada mais parecendo um lugar depositário de mortos a vida se faz em movimentos e olhares.
O vai e vém, vai e vém, vai e vém e assim por diante a dias infinitos dias que tomam cores de noite nos devaneios em ruas esburacadas barrentas. Dedos e unhas os vi balançando a poucos metros de distancia.
Deveria tocá-los e brincar com eles, massageá-los até que os mesmos desmaiassem em meu ventre e repousassem por milhões de anos.
Andar a exercitar o aquarelar de minha vida. Desperto e nú. Excitado e vivo. A respirar e sentir o pulsar de meu coração em vossas vulvas quentes.
O suor a escorrer pingando nas rochas transformando-os em solo fértil. Um salve a vida.
Ao acolhimento de todos os corpos e que a quentura destas misturas seja o fermento de novos dias.

Herculano Netto

Desembarque

sexta-feira, abril 22, 2005

quem mesmo?

Embarque


quem sou eu? Grande pergunta.
Que rei sou eu?
Que plebeu tenho sído?
Quantos anos temos?
Quais suas vontades?
O disco riscou?
Cor de cabelo e qual a nossa fome mesmo?
Complicado? Destemporalizado? Desterritorializado?
Que ser tenho sído?
Quão sujo temos sído? Quão fraco?
Alguém aí? Alí? Acolá?
Detrás dos montes?
Quem sou eu?

Herculano Netto

Desembarque

sexta-feira, abril 15, 2005

Oito ou oitenta?

Embarque

Oito ou oitenta?
Rasgo as vestes afim de nú rufar os tambores do inferno.

oitocentos ou oito mil?
Enfio garganta abaixo minhas esperanças.

Oito mil ou oitenta mil?
Ao ácido gástrico não mais existirão.

Oitenta mil ou oito milhões?
Enraizado em mim a lembrança do absoluto.

Oito milhões ou oitenta milhões?
O Absoluto enraizou-me o desespero, a desespero alheio.

Oitenta milhões ou oitocentos milhões?
Um punhão cravado em meu estômago.

Oitocentos milhões ou oito bilhões?
Corro à uma parede de concreto chocando-me à ela o punhão a atravessa-me.

Número, datas, fins, meios, sorte, lingúa, fala, interpretação, matemática, algebra de nossos corpos aflitos por sorte e paz. Um turbilhão de sentimentos enche-se o saco de nossas mentes, ficamos a costurar as situações sozinhos cada qual com seu tecido corpóreo e cada qual com suas linhas de tecer e suplicando pelos dados matemáticos de fundições epidérmicas a somar no grande mar de mal gosto da vida.
Que diferença isso fará daqui a dez anos, quando a maioria de todos nós estivermos satisfeitos com nossas grandes barrigas preenchidas de fezes e felizes por termos tido medo e não enfrentado a grande espada da vida que corta os meandros costurando novas vidas.
Somos inquilinos da pobreza e da miséria, números são números e soam metafisicamente como tal. Números, horas, dias, meses, anos, segundos. Despertar!
Deus! Unte nossas mentes desesperadamente pela felicidade, só assim seremos capazes de ultrapassar o mar da vida. Não à miséria. Nunca a frieza dos números sem rostos, dos dizeres sem face, das situações sem frase.
Prosto-me a frente de todos, afim de desvelar minha ferida. Não mais questão de convenções sociais faço. Como Whitman -meu bom amigo- rufo os tambores pelos deseperados e loucos que se perdem na imensidão do revolto mar de sofrida vida que se transforma em mais vida vivida. Perante a todos a existência deste que vos fala foi mostrada. Cada gesto, frase, situação, sorriso, lágrima. Tudo decomposto evidenciado afim de provar por a + b +c = zhjsksajsks, que o amor tem a função de encarnecer quem afim estiver de ser loucamente rasgado pela vida.
Escrevo e vou assim redigindo um diálogo sozinho, poema, prosa, conto, romance. Que diferença isso faz? Concretismo, dadaísmo, surrealismo, existencialismo, realismo. A conceitos classificatórios não mais perfilarei estas palavras. O movimento da vida é contínuo. O eterno morrer vivendo, ou melhor, o nascer para morrer todos os dias. Sabendo que algo nos tolhi e talha no fim de tudo. Lá no fim da linha estaremos de frente com nossos eu's. E afim de aferir nossa mente choraremos as situações. E que se fodam as convenções. Mostre-me que sua vida valha a pena ao menos passando por cima de mim. Dance sobre meu cadáver, faça dele o piso. Talvez assim possa penetrar-lhe as unhas e mais perto de ti ficar.
Os devaneios fluem como nascentes de rios em furia que se transformam na descida de uma grande monte, esculpido por milhões de anos. Novamente os números. Não tente fugir, encare-os de frente. Sinto-me como uma nascente ainda limpa e vou-me poluindo a toda e qualquer experiência. Prestem atenção! Não digo nunca que puro quero estar, mas sim sujo. Devanear a sujeira das nossas pequenas experiências de vida. Lascar mais tinta nestas anêmicas aquarelas. Isso sim. A cada filamento de meu ser o retiro rasgando de mim um pedaço de carne transformando-o num pincel e aquarelando a sangue as vidas.
À fraqueza. Aos pobres.
Debruçar-se sobre esta mesa com o mesmo arranjo poerento que a anos parece se prostar diante de mim esperando um simples pano molhado a ser passado e assim reecrevendo a história do mundo incluo o meu sofrimento como nunca antes incluído o tenha sído e transformando nossos montes de esterco em alimento para nós mesmo e para os aflitos por vida que cacarejam e gargarejam o catarro verde de suas experiências pobres como os seres intra-ultra terrenos como nós mesmos que nos escondemos por meses como numa hibernação infernal no inverno equinocial solsticial.
O que mais queremos de tudo?
Que mais desejamos destas terras afim de escravizar-nos por infímos objetos cortantes que quando dispusermos contra nós mesmos afiados já estarão e nos rasgarão fazendo-nos chorar e com soluços esconderemos nossas lágrimas e trairemos novamente nossos princípios éticos de boa conduta e verdade afim de mais a ninguém machucar devido ao fato de sermos adultos o suficiente para arcarmos com o peso não explicado do mundo que só cobra cobra cobra cobra e nada dá em volta de troco mesmo e assim ficaremos cacarejando como idiotas palavras frases amores prontos dados referendados pelos mestres da boa convinvência e a este último suspiro do idiota aqui que nem mesmo ascentuação usa.
Bom Adeus!
Presto uma homenagem a Ray Charles que conduziu-me nesta manhã.


Herculano Netto

Desembarque

Whitman

canto a mim mesmo

(fragmentos)

1

Com música forte eu venho,
com minhas cornetas e meus tambores:
não toco hinos
só para os vencedores consagrados,
toco hinos também
para as pessoas batidas e assassinadas.

Vocês já ouviram dizer
que ganhar o dia é bom?

Pois eu digo que é bom também perder:
batalhas são perdidas
com o mesmo espírito
com que são ganhas.

Eu rufo e bato o tambor pelos mortos
e sopro nas minhas embocaduras
o que de mais alto e mais jubiloso
posso por eles.

Vivas àqueles que levaram a pior!
E àqueles cujos navios de guerra
afundaram no mar!
E a todos os generais
das estratégias perdidas,
que foram todos heróis!
E ao sem número dos heróis maiores
que se conhecem!

2

Quem é que vai por aí
aflito, místico, nu?
Como é que eu tiro energia
da carne de boi que como?

O que é um homem, enfim?
O que é que eu sou?
O que é que vocês são?

Tudo o que eu digo que é meu,
vocês podem dizer que é de vocês:
de outro modo, escutar-me
seria perder tempo.

Não ando pelo mundo a lastimar
o que o mundo lastima em demasia:
que os meses sejam de vácuo
e o chão seja de lama
e podridão.

A gemer e acovardar-se,
cheio de pós para inválidos,
o conformismo pode ficar bem
para os de quarta categoria;
eu ponho o meu chapéu como bem quero,
dentro ou fora de portas.

Por que iria eu rezar?
Por que haveria eu de me curvar
e fazer rapapés?

Tendo até os estratos perquirido,
analisado até um fio de cabelo,
consultado doutores
e feito os cálculos apropriados,
eu não encontro gordura mais doce
do que a inserida em meus próprios ossos.

Em toda pessoa eu vejo a mim mesmo,
nem mais nem menos um grão de mostarda,
e o bem ou mal que falo de mim mesmo
falo dela também.

Sei que sou sólido e são,
para mim num permanente fluir
convergem os objetos do universo;
todos estão escritos para mim
e eu tenho de saber o que significa
o que está escrito.

Sei que sou imortal,
sei que esta minha órbita não pode
ser traçada
pelo compasso de um carpinteiro qualquer.
Sei que não passarei
assim que nem verruga de criança
que à noite se remove
com um alfinete flambado.

Eu sei que sou majestoso,
não vou tirar a paz do meu espírito
para mostrar quanto valho
ou para ser compreendido:
tenho visto que as leis elementares
jamais pedem desculpas.
(Eu reconheço que afinal de contas,
não levo meu orgulho
além do nível a que levo a minha casa.)

Existo como sou,
isso é o que basta:
se ninguém mais no mundo
toma conhecimento,
eu me sento contente;
e se cada um e todos
tomam conhecimento,
eu contente me sento.

Existe um mundo
que toma conhecimento,
e este é o maior para mim:
o mundo de mim mesmo.
Se a mim mesmo eu chegar hoje,
daqui a dez mil ou dez milhões de anos,
posso alcançá-lo agora bem-disposto
ou posso bem-disposto espetar mais.

O lugar de meus pés
está lavrado e ajustado em granito:
rio-me do que dizem ser dissolução
– conheço bem a amplitude do tempo.

3

Eu sou o poeta do Corpo
e sou o poeta da alma,
as delícias do céu
estão em mim
e os horrores do inferno
estão em mim
– o primeiro eu enxerto
e amplio ao meu redor,
o segundo eu traduzo
em nova língua.

Eu sou o poeta da mulher
tanto quanto o do homem
e digo que tanta grandeza existe
no ser mulher
quanta no ser homem,
e digo que não há nada maior
do que uma mãe de homens.

Canto o cântico da expansão e orgulho:
já temos tido o bastante
em esquivanças e súplicas,
eu mostro que tamanho
nada mais é do que desenvolvimento.

você já passou os outros,
já chegou a Presidente?
É pouco: até aí hão de chegar
e irão ainda mais longe.

Eu sou aquele que vai com a noite
tenra e crescente,
e invoco a terra e o mar
que a noite leva pela metade.
Aperte mais, noite de peito nu!
Aperte mais, noite nutriz magnética!
Noite dos ventos do sul,
noite das poucas estrelas grandes!
Noite silenciosa que me acena
– alucinada noite nua de verão!

Sorria, ó terra cheia de volúpia,
de hálito frio!
Terra das árvores líquidas e dormentes!
Terra em que o sol se põe longe,
terra dos montes cobertos de névoa!
Terra do vítreo gotejar da lua cheia
apenas tinta de azul!
Terra do brilho e sombrio encontro
nas enchentes do rio!
Terra do cinza límpido das nuvens,
por meu gosto mais claras e brilhantes!
Terra que faz a curva bem distante,
rica terra de macieiras em flor!
Sorria: o seu amante vem chegando!

Pródiga, amor você tem dado a mim:
o que eu dou a você, por tanto, é amor
– indizível e apaixonado amor!

extraído de "Folhas das Folhas de Relva"

quinta-feira, abril 14, 2005

Sentimental

Embarque

Sentimental
Amarante - Los Hermanos

O quanto eu te falei que isso vai mudar. Motivo eu nunca dei.
Você me avisar, me ensinar, falar do que foi pra você,
não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?!!...
Eu disse e nem assim se pôde evitar.
De tanto eu te falar você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão... Pra se perder no abismo que é pensar e sentir.
Ela é mais sentimental que eu !!
Então fica bem ... Se eu sofro um pouco mais.

- Eu só aceito a condição de ter você só pra mim.
- Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir... e rir.


Desembarque

quarta-feira, abril 13, 2005

Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias

Embarque


Compreender o que é dado é um fardo, sem mais para o momento andando a esmo como um cavalo. Olhando ao chão com medo de tudo, prendendo a atenção no chão. Neurose.
Apatia minha. Desta forma parto do ponto zero, o início do fim. O fim é tudo. Já apreendido.
As dúvidas de vida que anteriormente foram cúspidas são hoje a prova. Sim, a prova. A capacidade da inoperancia. A prova. Eu ví. Não ví? Sim, eu ví
A dúvida, eu a construo como certeza. O sumisso das certezas sem dúvidas se construirão, ou melhor, com um tanto assim ó -grande- de certezas. Doloridas.
Eu vejo, fujo, me prendo a paredes na esperança de fundir-me ao concreto e dalí a fundação e dalí a rocha e dalí a quilômetros de distância de lugares pelos quais cavalgo cegamente a passar invisivelmente por todos.
Compreender o fim, e a ele dizer a sí próprio todos os dias. Do alvorecer ao fim do dia e do amortizamento do dia ao amanhecer. Construindo a cada frase o fim.
Fazendo, sendo, construindo a condição da felicidade e da colocação das peças na situações fínitas. Precisam de sempre algo a se agarrar para se colocarem. O dito pelo não-dito. O feito pelo não-feito. A mim chegam aquarelas que as pintarei como um último suspiro de ar que fazem destes seres pessoas.
Sentar e escrever. Olhando o nú, despindo a vestes deste ser. Colocando-se írrefreavelmente na linha de tiro. Sendo alvejado a todo momento por mim mesmo.
Sentido?
Que sentido tem a vida? As pessoas? O amor? A morte?
Procuro traçar um plano diariamente para saber de onde parti, como estou indo e para onde. Sempre perguntas sem respostas, sempre o silêncio a temperar meus dias. Sempre o que me acostumei a ter em vida. Lembranças.
Assim talvez, possa eu saber para o onde vou. Dias difíceis. Sim. Dizendo a si próprio que é capaz, que tudo passa. Numa infinitude de um diálogo entre eu e eu. Como a luta que dilacéra e rasga as vísceras. Eu e eu. -Como a isso resolver? Tempo! Tempo! Tempo! Tempo! Tempo!
Sentido? Sentido? Sentido? Sentido?
Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias. Incluir o fim e a morte no cardápio dos atuais dias.

Acho que é isso. Multiplicarei tais impressões. À todos...adeus.

Desembarque

terça-feira, abril 12, 2005

Vala comum

Embarque


Deitando esperando o pesado sono arrebatar este imundo ser, e corromper minha lucidez por estas difíceis, soturnas e solitárias noites. Vejo o arranjo das situações e nada me compraz a aceitar. -Mas não era exatamente isso que você queria? O fim, diriam a mim. Responderia eu. -Sim, perfilei as provas de todas as situações e as coloquei todas dentro de minha caixola cinzenta a extrair disso tudo a prova mór da impossibilidade, diria eu com outras palavras.
Mesmo assim o filete de vida jaz, e por mais que eu tente cavar e jogando terra emcima deste filete ele sobrevive por infímos meandros.
- Mas afinal o que você quer? A mim foi perguntado. Respondi de supetão como sempre o faço e às vezes até mesmo sem pensar. -O que eu quero? Quero paz, tranquilidade e um pouco de calor.
Isso irei adquirir com o tempo. Já me diziam a muito tempo que o mesmo tempo corrói as coisas. É assim mesmo, se não for, a lógica é a mesma. Eu vejo o arranjo não dito das situações e como um espectador, ou melhor, um telespectador assistindo tudo. Quadro a quadro, passo a passo, segundo a segundo.
A cova foi cavada, esperando apenas o vôo da coisa em si para depois de pesadas pás de terra ser soterrada, e por fim, uma rosa plantada ao monte da cova, a ser a última lembrança de tal vida.
Quão escorregadia é a vida e são as pessoas. Quão viscosa são as situações e filetes em vida se transformam em lembranças a rasgarem cada centímetro do ser que em vão ainda sentado no banco da estação sem nome a esperar o trem sem nome a algum lugar sem nome.
A experiência da vida é única mesmo, quem acreditaria que o homem a lua chegaria sem mesmo conhecer sua vida, os porquês que o fazem navegar, ou mesmo que chama é essa que arde nos peitos afeitos por dor e experiência e que reagem como uma simbiose química de substâncias misturadas num laboratório n'algum canto da terra. Vasta Terra. Imensa. Bilhões!
Ví num filme do Kurosawa uma frase. "Contemple este lugar, que antes foi um reino e que hoje apenas é destruição." Será essa a frase mesmo? Não me lembro.
Acho que tudo já foi feito e as provas à mesa estão. A cova já escavada apenas espera a descida do ser, da coisa. Os montes amontoam-se ao lado. Terra enegrecida a pintar minhas unhas, pois as escavei nas mãos e depositam-se nos caminhos de minha mão a me mostrar, lembrar, talhar em mim as capacidades do amor. De tão funda a vala, -uma vala comum- uma placa ao lado vai fixar a lembrança e um cravo, encravado como este site desencravará da pele de todos os seres cosmocócicos e assim cairá no esquecimento. Será corroído pelos vermes do tempo. Aqui jaz a esperança e o amor. O silêncio é o não. Decodificado a situações são. Imaginadas as dores, dias após dias. Atos, toques, cheiros, textura. Tudo mapeado exemplificado numa idéia do acontecer, acontecendo.
- O que fica? Pergunto.
- A dor. Sim ela. Desta feita mais fácil de ser soterrada. Como num ferimento. Para ser cicatrizada. A soterramos com gaze, merthiolate e esparadrapo. Dias seguirão às dores da alma e a sangrar a ferida ainda está, mas soterrada será. Por gaze ou por toneladas de terra que ainda enegrecerão minhas roupas, olhos, mãos, unhas, lábios, cútis e todo o resto do que resta das sobras da tempestade que amortizará nossas vãs imagens e esperanças de vida em vida na morte.

Desembarque

quarta-feira, abril 06, 2005

Durrel e Mars Volta

Embarque

"Buscamos preencher o vazio de nossa individualidade e por um breve instante desfrutamos da ilusão de estarmos completos. Porém, é só uma ilusão: o amor une e depois divide."
(Lawrence Durrel)

A minutos atrás escrito eu tinha uma outra história. Resolvi apagá-la afim de resguardar certas memórias. Estavam soterradas a bons nove ou dez anos. Pelo atual momento o que eu vos traria não seria nada de bom grado imagino. Até porque tenho a impressão de um fardo ser para a vida de alguns. Muito mais do que me dizem, sou um peso a ser carregado. Ou não. Pode ser que tudo tenha mudado e eu com uma certa presunção penso ainda ser este peso.
Caminharei por cheios corredores a tentar passar invisivelmente por todos os olhares. Veja bem por todos. Reduzir-se ao nada, requer uma certa dose de força no sentido da invisibilidade dos olhares. Testemunharei as imagens quadro a quadro e como um pintor da modernidade, tentarei em vão captar a idéia do movimento inserindo-me mais do que nunca no esquecimento.
Dói. Eu sei. Mas afim de melhorar preciso com mais água e sabão me lavar da negra graxa que não consigo tirar de minha pele e há quase noventa dias venho meditando sobre essa sujeira que eu me tornei. Este ser que ainda implora e chora mediante a situações já por assim definidas. Sim! Não nos diga que não. Não há amor em terra seca ou molhada que resisti a intempéries das situações.
Como dito anteriormente. Portas se abrem e outras são demolidas, pois não mais serão usadas.
Numa conversa de bar dias atrás a motivação era a possibilidade de certos caminhos serem hoje usados na tentativa de dissipação de dúvidas. Sim, disso tenho total consciência e também que a profusão destas situações conduziram-me ao fim.
Um sábio diria que se fosse preciso eu teria de ir ao fundo do poço, para de lá sozinho apenas ouvir a minha voz. Sozinho e distante de tudo e de todos. Talvez começe por estes dias a arrumar as malas a este infindável trajeto.
A imperfeição me joga a igualdade a todos. Não sou e nem tenho a pretensão de ser o inimigo da felicidade alheia. Nada disso. Apenas quero o esquecimento. Compartimentarei eu mesmo das lembranças alheias afim de dor nunca mais proporcionar aos outros e a mim mesmo. Talvez seja essa a fórmula do meu reduzimento.
Eu odeio o ocidente, queria ir a Katmandu no Tibet. Passear pelas planícies ao pé do Everest. Comungar com os calmos monges tibetanos. Sumir um pouco. Seria isso um presente dos deuses a mim.
Mas assim fugiria da minha crucificação. Disseram-me ontem que faço tempestade em copo d`água.
Será?
Mars Volta!
"Buscamos preencher o vazio de nossa individualidade e por um breve instante desfrutamos da ilusão de estarmos completos. Porém, é só uma ilusão: o amor une e depois divide."
(Lawrence Durrel)

Desembarque

terça-feira, abril 05, 2005

r.e.m everybody hurts

Embarque

A ouvi ontem. Hoje penso diferente dela, não em todos seus aspectos Mas a mim tocou é ela é linda.



Everybody Hurts - R.E.M.

When your day is long and the night
The night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Well hang on
Don't let yourself go, 'cause everybody cries
and everybody hurts, sometimes ...

Sometimes everything is wrong,
Now it's time to sing along
When your day is night alone (hold on, hold on)
If you feel like letting go (hold on)
If you think you've had too much of this life
Well hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hands, oh no
Don't throw your hands
If you feel like you're alone
no, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much
of this life, to hang on

Well everybody hurts,
sometimes, everybody cries,
And everybody hurts ...
sometimes
But everybody hurts sometimes
So hold on, hold on, hold on, hold on, hold on,
hold on, hold on, hold on, hold on, hold on

Everybody hurts
You're not alone

Tradução

Quando o dia é longo
E a noite, a noite é somente sua,
Quando você tem certeza [que] já teve o bastante desta vida,
Bem, persista...

Não desista de si mesmo,
Pois todo mundo chora
E todo mundo sofre
Às vezes...

Às vezes tudo está errado,
Nesse momento é hora de cantar junto.
Quando seu dia é noite, sozinho,
(Agüente, agüente)
Se você tiver vontade de desistir
(Agüente....)
Se você achar que teve demais desta vida,
Bem, persista...

Pois todo mundo sofre,
Consiga conforto em seus amigos.
Todo mundo sofre...

Não se resigne,
Oh, não! Não se resigne
Quando você sentir como se estivesse sozinho.
Não, não, não, você não está sozinho...

Se você está por sua própria conta nesta vida,
Os dias e noites são longos,
Quando você sentir [que] teve demais desta vida
Para persistir...

Bem, todo mundo sofre
Às vezes, todo mundo chora.
E todo mundo sofre
Às vezes...

E todo mundo sofre
Às vezes...

Então agüente, agüente...
Agüente, agüente,
Agüente, agüente,
Agüente, agüente...

Todo mundo sofre...

Você não está sozinho...



Desembarque

oportunidades

Embarque

Andando a esmo ainda pelos campos de nossos sonhos disformes a simples procura da razão para a dor, incompreensão.
Palavras, julgamentos, ódio, mágoa, medo. Um turbilhão de sentimentos misturados num rosto cinza, remelento e mal dormido. Mal hálito, indisposição, insegurança.
Apertem os sintos o piloto sumiu e ninguém que possa guiar-me nesta viagem ao fundo do universo vazio e sem sentido do amor. Um constructo de imperfeições. Isso sim. Vejam lá vai ele, sozinho porque assim quis. Um amontoado de defeitos. Sim! Sou eu! Veja! AMONTOADO DE DEFEITOS!
Melhor assim? Mais fácil, diga a verdade. O ódio que brota das entranhas de todos facilita o entendimento razo das situações e abre novas portas para quem não as sabia destrancar. Eu sou sábio mesmo. E até nisso cedo aos caprichos de meu mal humor e dou de presente a possibilidade da saída. A porta esta destrancada. Vá em frente agora. Só depende de ti. Dei-lhe os caminhos. O ódio, raiva, mágoa, enfim o prato está servido à mesa.
Arroz, feijão, ovos fritos, salada, uma grande fatia de bacon assado, frango, patas de siri, camarão fresco, uma infinidade de sobremesas. Tudo a mesa esperando a degustação
Também engulo o que é saboroso, juntamente com as flores que de tão bonitas são venenosas. Engulo tudinho até os galhos espinhosos. Pois é. Servi dos caminhos para que tão aprazível sejam suas próximas experiências. Baixo não?
Sim! Fraco, mesquinho, vulgar, odioso, malévolo. Lembrou-se deste? Eu! Tudo servido agora jantem todos.
A disposição ficarei. E se de algo precisarem ainda para a digestão? Aqui estarei afim de servir-lhes mais.
Jantem todos! Comam a vontade, satisfaçam suas sedes de uma vez por todas. A faca e o queijo na mão já estão dispostos. Basta fatiar e dividir o produto do trabalho baixo e mesquinho que lhes proporcionei.
Andando um dia numa praia tive algo acerca do que poderíamos chamar de visão. Vi uma mulher caminhar até mim e abrir sua boca. Nela havia quilos de areia e montes de siris negros a passearem por sua lingua envolta em areia. Faz tanto tempo isso que acharia que sonho fosse. Ué por que não? Sonhamos sempre. Sempre a idealizar, como ontem dito. É foi um sonho, mas nesta noite lembrei-me de supetão daquela imagem, como há semanas atrás recordei experiências de juventude.
Andei, andei, andei. Rastejei quando preciso e vomitei os siris e a areia que em mim estavam. Com sangue coagulado sairam, substância estranha com gosto de sal e ferro. Rochas moídas pela ação do choque das ondas com experiências de banhos a balde. Formalismos, rachaduras, recortes, impressões, interpretações. Fins de tarde chuvosos, tempestuosos. Finais de semana de solidão e angústia. Informação, desencadeamento, saídas.
Os fins justificam os meios, ou os meios justificam os fins. Tostines é um sucesso por que pisa na cabeça de cem mil trabalhadores ou o sucesso vem da predisposição inata de servidão?
Servidão! Incondicionalidade!
Informações não batem. Uma tela cheia de palavras tem pra si a necessidade da contemplação dos outros? E quando as telas não batem com as situações, como fica?
Mais uma vez envolto nas contradições.
E jurei a mim, não mais lá voltar. Pedi, implorei a mim mesmo por um minuto de silêncio de minha parte, um minuto de luto, mas de tão imperfeito e vil. Lá estava eu. Novamente a choramingar como um bezerro desmamado. A juntar peças e a nada entender. Lendo, lendo, lendo e não conseguindo conjugar as ferramentas.
Olha isso. Um muro das lamentações. Sou melhor que isso! Será que sou mesmo?
Começo a duvidar resolutamente deste edifício.
Sim! Fraco, mesquinho, vulgar, odioso, malévolo. Lembrou-se deste? Eu!
Facilmente assim as portas se abrirão e outras por fim serão destruídas e serão varridas da vastidão dos prados sulinos. Sim este sou eu.
Haverá um dia -distante dia este- que das cinzas algo possa brotar. Não portas, porque até lá não mais caminhos existirão, mas algo que não sei explicar e que não sei do que nascerá, ou melhor, como nascerá.
Desta forma, à todos um grande passar bem. Ao fim da linha cheguei. Não mais meus lampejos ouvirão, e que de quão torturantes são interpretados .
Assim o espero. Assim peço a mim mesmo.
Lembre-se disto pérfido autor.

Desembarque

segunda-feira, abril 04, 2005

morte e silêncio

Embarque

O relógio teria parado naquele momento se não fosse a minha força de erguer a cabeça e esquecer o quão diferenciado são as situações. Únicas em vida!
Mas o que é que tento em vão expressar e a quem tento enganar?
Alguém vivo a me escutar? Não!
Um sufocante calor que faz brotar de meus póros o suco da dor, meu suor escorre e mistura-se a lágrimas mais salgadas que nunca. A possibilidade da mudança vem da chance de utilizar as situações como pontuação a ser conferida aos participantes. Mas que merda é essa de vida que se conjuga dessa forma idiota de princípios? Pega-se o bonde apenas na impossibilidade de a outro lugar rumar. Sempre no não, na negatividade. Não na propositividade. Na semelhança das almas, mas na pobreza argumental de que os ponteiros vão andando a esmo e o vácuo é um sintoma deste mal.
Tudo a cargo de milhares interpretações. Todas a espera do que mesmo? Sim! Uma porta a ser aberta apenas no crítico e por assim hipócrita momento da saída utilizando as mesmas armas que se predispôs a usar de antemão...O que mesmo? Não preciso aqui conferenciar que armas são essas.
A desintonia é clara, já diagnosticada há muitos milênios. Saberia eu aferir novamente isso num outro lugar? Carregaria eu, a possibilidade de apreender por quais terrenos devo caminhar e a que modos faria isso?
Um não cuspido por anos, faz diferença.
Idealizar. A palavra da vez é esta. Vamos ao grande livro.
Idealizar. 1, Dar caráter, perfeição, ideal. 2. Planejar, projetar, conceber. 3. Criar na imaginação, imaginar, fantasiar.
Taí esta última. Criar na imaginação, imaginar, fantasiar. O que disso não confere a mim? Minto a mim mesmo sobre mim e sobre minhas fantasias, idealizações enfim...Sobre este que vos escreve. Tão pequeno e sórdido hermitão da esperança e da idealização. Da minha mentira.
Ora bolas é isso. Um espelho de mil faces, que sempre pego as mesmas imagens. As paraliso e começo a pintá-las. Pequeno ser tão nojento e vil.
Nojo e angústia por mim mesmo, isso sou eu. Em constante processo de vivificação. De luta. Humano demasiado humano entregando-se aos defeitos mais baixos.
Baixeza. Este é sim um dos adjetivos deste que vos fala.
Tenho asco e não nos socorram afim de ajudar-nos. Como há milênios já foi exemplificado, não há barcos salva-vidas para todos. Alguns sim salvarão suas sujas carnes.
E não quero ser salvo. Apenas mudar. Esquecer. Viver.
Tinha terminado aqui. Na linha acima, mas tive de reiniciar.
-Deligue-se de voçe mesmo, eu sempre digo a mim.
Merda é ter de ser classificado como num sorrateiro fim de semana. Ou numa situação louca acontecida. Como mostrar que meses corromperam com o que dê mais puro e lindo eu tive. Falar, falar, falar e falar já não cabe mas nisso aqui. E o jogo foi aberto. Afinal de contas as impressões tiradas mesmo as minhas podem ser equívocos, sim sei. Mas o vácuo é o maior sintoma que os equívocos possam ter se multiplicado na forma de silêncio. Esperar pelo que é dado como certo pra mim já é coisa do passado. Costumeiramente isso a mim já apreendi ao meus ossos e vísceras. Isso sim foi e é o grande saldo de toda essa amálgama. O diagnóstico de que preciso de ações mais do que palavras. Palavras sem a expressão nas ações cotidianas apenas são omissões da mesma vida cotidiana vivida.
Engraçado mesmo são as saídas e como são usadas. Utilizadas a esmo como portas de fulga num incêndio emocional e capturadas a partir do mesmo vácuo. Engraçado não? Sabem como as utilizar as manipulam tão familiarmente que dão impressão de fazerem parte dela mesmo. Se fundem juntando as peças num grande mosaico de quebra-cabeça. Instrutivo toda e qualquer experiência e o fim vai ser dado por mim. Explicarei pontualmente às crianças como delimitar o terreno. Afinal de contas não sou um geográfo em formação? Então assim delimitaremos a territorialidade de nossas vidas afim de fugir do imenso monstro abissal construidos meses a fio afim de gozá-los ao final da vida.
Se o fim a todos não sabem construir. Eu o construirei afim de ensinar. Quão pobre e baixo sou.
Infinitamente situações se colocam aos presentes, afim de instruir. Percebam todos a loucura que produzi, como um cão a ladrar, ladrar, ladrar e uma criança a chorar, chorar, chorar, chorar.
Ponto de partida é o silêncio -raciocínio lógico foi desligado- e partindo disso tudo á parte para a argumentação. Chore se puder até mesmo finja se culhões possuir. Mas a lógica é esta.
Definir a partir da morte. Definições a partir do nada. Imprevisibilidade?
Não claro que não. Apenas um pouco de morte oral para temperar nossas vidas. Nada disso fará mal.
Morte! Eu vi nos olhos, não deveria assim me balançar é morte. Milhares morrem todos os dias. O papa morreu e tá calado. Veja é claro está calado. Ponto de partida novamente a morte.
Está tudo claro, mais claro que mil litros d'água jorrando das mais limpídas nascentes dos andes.
A morte! Não! Ou melhor o silêncio. Sim, esse sim deve ser captado por mim. Devo a partir dele construir o que de resto sobrou do tsunami.
Engraçado que a outros o silêncio nada parece e as atitudes sim parecem o dado inicial. Mas o que fazer. Se de morte falamos, esperar o que senão morte e silêncio como ponto de partida de um método nobre. Parabéns à todos!
Dá próxima vez estarei apto a manipular todo este ferramental silencioso e mortal. Se assim conseguir compreender os seus meios e fins. Acho difícil a mim. Teimoso que sou, ainda fico aguardando no caís a próxima partida de minha embarcação. Sei que para o "lá" não vou mais. Agora espero outro barco, e de repente, pode o mesmo naufragar e no fundo do mar possa eu encontrar meu lugar.

Desembarque

Drummond

Liberdade

O pássaro é livre
na prisão do ar.
O espírito é livre
na prisão do corpo.
Mas livre, bem livre,
é mesmo estar morto.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, abril 02, 2005

O Rochedo Feliz

Embarque


Dançando, o estrobo paralisa a minha esperiência daquele momento com o lugar que estou naturalizando. Passo a passo de corpos dançando vagarosamente todos a procura de seus passos mais pessoais. Mas danço sozinho! O ventilador que nada ventila parece parado ou girando. Estrobo! Estrobo! Paralisando e deixando-me tonto no meio da pista de dança cheia.
De repente no meio daquele caos de imagens tenho um acesso de tosse devido a fumaça de cigarros e fico a pigarrear mesmo dançando e cambaleando tentando expelir o catarro que ainda se esconde em minha garganta.
Projeções, corpos, luzes, olhares, pessoas.
Abre-se um portão cosmológico e eis que aparece a criatura que conheci a anos. Fico a olhar para este indivíduo a esperar alguma reação. Ele apenas a olhar-me a perguntar -penso eu- a si mesmo as razões de meus olhares. Mas conheço aqueles olhos e aqueles contornos tristes que enrelevam seu rosto e me trazem lembranças à mente de palavras vociferadas com tanta dor e propriedade por tal pessoa.
Este sim se entregou. Percebo nele toda a dor do mundo e a insatisfação de sofrer traz consigo a satisfação de escolhas e a propriedade de rasgar várias vezes seu corpo.
Sempre lembrava dessa pessoa, mas hoje parece que mais do que nunca com ele eu diálogo todas as noites, tardes, manhãs, madrugadas e por fim de fios de cabelos percebo sua importância na minha vida. Eu o encontro quando quero e sempre tive a impressão de ser o que ele mesmo nos disse a muitos milhões de anos atrás. Ser o Rochedo Feliz. Sempre o via desta maneira e engraçado como eu me pareço com ele. Nos defeitos é claro. Nas virtudes seria de muita presunção dizer que este indivíduo comigo se parece.
Henry Miller! Meu amigo como me ajudas a ultrapassar meus próprios limites. Não tens nem idéia de como és para mim um porto seguro. Importante porto onde desembarco todos os dias a pacificar meu espírito tão espezinhado pelas minhas próprias mãos.
Sempre que a ti encontro, não faz nem a idéia da felicidade que sinto de encontrá-lo n'alguma banca de livros ou sebo a um preço que posso dispor com muito suor. Abrir este exemplar e passear por suas dolorosas experiências.
Ai ai ai ai! Amigo. Não tens nem a idéia de como talhou em mim algo que tento ser a todo momento como a ti é. O rochedo feliz!
Inclusive amigo devo a ti royaltes literários, pois o copio indiscriminadamente, mas a um jovem como eu ler a linhas que colocarei mais a frente abona qualquer atitude pela vida que você mesmo provou. Muito obrigado por existir amigo. No meio da multidão nunca me senti tão bem acompanhado nestes últimos tempos. Não quero o elevar status de um gênio, nada disso. Apenas acho que você querido amigo, é uma pessoa sensível como eu. Nisto penso poder dizer que somos iguais. E olha só, quantas vezes em teu lugar me coloquei rapaz. Nem imaginas como fortaleceu este indivíduo que aqui esboça algumas linhas de muito obrigado. Apaxonei-me por ti a muito é bem verdade. Passeei por ti noutros momentos mas nunca como nos dias de hoje a mim tem sido tão importante. Sempre o foi. Pela entrega que sentia fazer parte da Sua vida, e como método adotei a mim, pouco importando os fiapos de madeira que em nossas mãos entram ao pegarmos um pedaço de madeira mal cortado.
Sinceramente aqui está um sujeito que não tem medo das emoções. Sim velho Bukowski! John Fante também, mas não esqueça do velho Henry. Ao menos assim eu o reivindico.
Amigo, suas enormes descrições. Ah! Como são apaixonantes. As mulheres, a fome, dor, iniquidade, pobreza, comida enfim...O sexo, como pude me esquecer de tais situações. O seu sexo descrevido pormenorizadamente como uma paixão pelo prazer que indisfarçavelmente tomo para mim. Sou assim também e pode ser um defeito. Penso que me igualo às vezes a ti pelos defeitos. Seus cíumes, raivas, dores. Humano demasiado humano. Gostaria de ter a possibilidade de passar um dia contigo, para vagaorosamente avançar num deliciso desjejum da manhã, depois uma de suas caminhadas e ficaríamos a conversar. Eu exporia a ti minhas experiências e ouviria com todos ouvidos as suas. Depois um longo almoço com algum vinho francês que você tão adora e depois uma sonolenta tarde de algumas bebidas diremos assim um pouco mais pesada para ajudar na fluição de nossas engrenagens perceptórias.
É amigo! Talhou em mim o amor por ti. O Rochedo feliz.
De sua boca as linhas que se seguirão, eu as ouvi serem pronunciadas de sua boca.
Abraços Homem!

Extraído de Plexus
"Em cada período crítico da minha vida pareço haver tropeçado num grande autor capaz de amparar-me. Nietzsche, Dostoiévski, Faure, Spengler: que quarteto! Houve outros, naturalmente, também importantes em certos momentos, mas nunca possuíram a amplitude, a grandeza dos quatro. Os quatro cavaleiros de meu Apocalipse partícular! Cada um expressando inteiramente sua qualidade específica: Nietzsche, o iconoclasta; Dostoiévski, o grande inquisidor; Faure, o mágico; Spengler, o modelador. Que fundação!
Nos dias do porvir, quando eu parecer sepultado, quando o firmamento ameaçar a cair sobre minha cabeça, serei forçado a abandonar tudo, exceto o que esses espíritos em mim implantaram. Serei esmagado, aviltado, humilhado. Serei frustrado em todas as fibras do meu ser. Posso até ser levado a uivar como um cão. Mas não estarei completamente perdido! Raiará o dia em que, repassando a vida como se ela fosse uma história ou a história, poderei nela detectar uma forma, um modelo, um significado. Daí em diante a palavra derrota se tornará inexpressiva. Será impossível uma reincidência.
Desse dia em diante, eu me torno e permaneço fiel à minha criação.
Um outro dia, numa terra estrangeira, aparecerá diante de mim um jovem que, consciente da mundança que em mim se processou, me alcunhará de "O Rochedo Feliz". Este o apelido que darei quando grande Cosmocriador perguntar "Quem és?"
Sim, sem sombra de dúvida, eu responderei: "O Rochedo Feliz!"
E se me for perguntado: "Apreciaste tua estada na terra?" eu responderei: "Minha vida foi uma longa crucificação encarnada".
Quanto à significação disso, se ainda não está claro, será elucidada. Quero ser um cão na manjedoura, se falhar.
Uma ocasião, pensei ter sofrido o que nenhum outro homem sofreu. Por me sentir assim, fiz o voto de escrever este livro. Mas, muito antes de iniciar o livro, a ferida cicatrizara. Tendo jurado cumprir a promessa, reabri a horrível ferida.
Permitam-me outra expressão...Talvez, ao abrir a ferida, minha própria ferida, eu fechasse outras feridas, as chagas de outra pessoa. Algo morre e refloresce. Sofrer na ignorância é horrível. Sofrer deliberadamente a fim de compreender a natureza do sofrimento e aboli-lo para sempre, é outra questão inteiramente diversa. Buda teve um pensamento fixo a vida inteira, como sabemos. era eliminar o sofrimento humano.
Sofrer é desnecessário. Mas temos de sofrer antes de sermos capazes perceber que isso é assim mesmo. Somente então o verdadeiro significado do sofrimento humano fica claro. No último momento desesperado - quando já não podemos sofrer mais! -, algo acontece, da natureza de um milagre. A grande ferida aberta, que vertia o sangue da vida, se fecha, o organismo floresce como uma roseira. Estamos "livres" por fim, e não "com saudades da Rússia", mas com a ânsia de mais liberdade, de mais felicidade. A árvore da vida é mantida viva não por meio de lágrimas, mas pelo conhecimento de que a liberdade é real e perpétua."

Henry Miller


Desembarque

sexta-feira, abril 01, 2005

investigações

Embarque


Novamente aqui - a sentar na mesma cadeira- com a mesma paisagem a ser vista uma desordenação territorial de dar inveja a qualquer desordenador. 10h25.
Hoje não apenas o pó se espraia pelas mesas como todas as minhas coisas ficam a disposição de críticas, perguntas especulações, e o que é pior uma certa investigação de caráter comprometedor sobre posturas e situações. Era só o que me faltava a essa altura do campeonato. Mas já se tem um histórico de uso de tais coisas. Espaço também é dado. Ao inquirir de forma ascintosa devia ter pensando e utilizado uma saída mais elegante e inteligente. Mas em tais horas não penso e vocifero o que a minha caixola vazia aparece e fico a rugir de raiva mediante a pobreza argumental que colocam-me a dúvida.
Let it be!
Algumas posições já cansei de marcar e pedir voz, mas ninguém ouve e ficam sempre com as mesmas impressões produzidas por quem quer pensar por eles. Aí é só esperar as mesmas perguntas, colocações, mitos e todo arsenal pré-fabricado de sentenças toda uma lógica construída como construído foi este lugar. Dá no saco isso. Ah!
Hmmmm. Ao ganhar um presente de um amigo abre-se o mais que medíocre precedente a comiseração familiar sobre o futuro de algumas pessoas e porque não dizer da humanidade. Descendo morro abaixo as mesmas questões. Não! Para mim não mais tudo isso.
Eu sou mais, não menos. Ou melhor não sou mais nem menos. Sou aquele que incendeia a pequena centelha de vida que jaz nos corpos humanos que necessitam juntar-se ao universo numa irrefreada busca pelo indigesto mas glorificante sabor de vida aos ventos uivantes de mar de morros verdejantes e que possuem todos formas de bundas e seios a serem imaginamente chupados como os foram a meses atrás numa praia do litoral tendo uma visão surreal e imaginando tudo e nada ao mesmo tempo.
Uma fuga janela porta escadaria correndo à dispensa afim de resgatar o último saco de feijão para alimentar-nos afim de fugir de alguns algozes que me perseguem em sonho porque sonho fraco e feijão é ferro fazendo de tais devaneios caminhos por onde não precise mais circular por não haver mais frutos neste momento a ser pego no pé ou numa mangueira jaqueira goiabeira e assim por diante n'algum pé desses frutos tropicais. As vergastadas das matas a sangrarem minhas costas talhando uma picada no meio de um arvoredo a responder com fortes caídas de cipós em costas de todos nós rasgando seus fios e deixando lascas a serem retiradas por nossos pequenos filhos de olhos grandes e bocas nervosas a perguntarem irrefreadamente por que a vida é deste jeito e não daquela maneira exposta num desenho de Gorki, Dalí ou Picasso.
Estou inchando de conhecimento para correr e desaguar chorando minhas impressões sobre os acontecimentos e vergastando os próprios cipós imaginários em meu corpo assim podendo já acostumar-me com a falta da proteína ferro em sonhos sonhados chorados de uma infância perdida entre algumas drogas mulheres e brigas mentiras ganhos e viagens em quartos minúsculos com potes de esmalte a vergastar minha mente aos treze ou quatorze anos e num final de semana subsequente cair devido ao enchame dos vapores do alcóol. Afinal de contas tinha apenas algumas primaveras nas costas.

Desembarque

quinta-feira, março 31, 2005

isso mesmo

Eu quero sempre mais!

segunda-feira, março 28, 2005

Exemplo

Embarque


Novamente aqui. Não quero ser exemplo para ninguém. Estou de saco cheio dessa cobrança e ter que imputar monte de merda da cabeças daquelas pessoas. Coisas das quais nenhuma eu acredito. Mas que merda!
Alguém jogue a boia. Não! Deixem-me afundar, mas não me sigam, deixem-me sozinho descer a infinitude das águas salgadas podendo assim petrificar meus olhos com a quantidade de sal que circulará por mim. Não quero ser exemplo pra ninguém. Estou farto desta mentira. Não quero plano de aulas, preparar aulas, exercícios, testes e um monte de mentiras. Farsa
Fim! Deveria parar com tudo. E o momento se aproxima e tento fugir das maneiras mais doidas, fazendo coisas que nunca faria, buscando nestes lugares coisas. Pensando em tarefas.
Não quero ser exemplo para ninguém. Na verdade quero sumir um pouco. Como no outro texto escrito a horas atrás, redução ao nada. Não quero ser exemplo...Sou incostante, irresponsável, chato, preguiçoso, vagabundo. Vejam bem eu sou, não estou...
Nem mesmo sei o que sou. Ah! Que sufoco. Parece haver trinta morsas apertando minha garganta e não consigo parar. Todas com forças de trinta búfalos a rasgar as carnes de suas prezas.
Quero parar com tudo. Não sou um exemplo a ser seguido e não quero ser. Deixem-me só. Afundando na paz das profundas e turvas águas.
Não me tome como exemplos. Não quero professar mais merda alguma, quero ficar só, caminhar sozinho e continuo afim de reduzir-me! Ao nada e adiante!

Desembarque...o mais engraçado, depois disso tudo farei exatamente a mesmas coisas de sempre. O material está separado já

redução

Embarque


Quadrado a espera do preenchimento que contemple este autor na tentativa de chegar no limiar máximo da expressão...Para!

O que um final de semana não é capaz de fazer e até que ponto isto não é uma idealização ou uma mentira por mim inventada? Desde quando ou quem disse que a tempestade passou?
Reduzir-se a nada, a um amontoado de sensações que borbulhando faz agitar meu espírito. Reduzir-se a nada mesmo. Sumir na vastidão deste mundo. Caminhar sozinho apenas a ouvir minhas comiserações de sempre. O diálogo entre eu e eu. Solidão verborrágica rumo ao sul às terras nunca antes visitadas por mim. Ir a Patagonia. De lá observar todo o continente do ponto mais ao sul do mundo continental ecúmenico.
Fugir um pouco disso tudo. Encerrar uma fase. Sinto-me indisposto a continuar carregando tudo, a continuar sustentar esta cadeia infantil de miséria e pobreza humana. Quero mais de tudo e de mim mesmo e ao mundo um grande foda-se. Além de apenas cobrar nunca deu nada em troca a não ser dor, solidão e um enorme bolo fecal que todos temos de cortar um pedaço mastigá-lo e digerí-lo solitáriamente.
Fim! Poderia de tudo com tudo dar um fim antes que o tudo dê um fim neste idiota que vos digita, fala, vomita, cospi, caga, goza, chora e sustenta seu próprio algoz. A imunda e idiota necessidade. Devia dar uma banana à necessidade e me jogar no fundo do posso. Reduzir-se ao nada e de lá voltar mais forte e mais resoluto. Me jogar com os dois pés no reino da construção do futuro que contemple a este eu que a regozijar fica a importunar com um comichão que não sei explicar e nem de onde vem.
Nada do hoje me felicitará ao menos com os dois pés no reino das situações já estou. Ao menos sei que nada mudará e que continuarei a resmungar maldizendo a toda idiotice fantasmgórica que as pobres criaturas criam de si mesmo.
Espirro, escorre, tosse, pigarro. Garganta arranhada, nariz vazando. Foto 3x4 a R$ 6,00 chinelo de dedo olhares pela vitrine e bolsas de tira colo sendo sustentadas por fios de nylon gelo. O sonho com um filho da puta qualquer que noutro dia testemunharei a todos. Gosto de pasta de dente na boca conjuntamente com a lingua roçando o céu da boca e os próprios toques nos rosto recém barbeado. Mãos lisas e unhas roídas arranhando espinhas crescidas no couro cabeludo a sangrar ao serem espizinhadas e dá-lhe espirros e corrimentos nasais e ainda incertezas vontades fome falta de ascentuação ou acentuação tarefas a serem encaminhadas resoluções cheiro caminhos e mais predisposição ao estático...Chatice! Queria mais um monte de dias para traçar uma viagem ao meu eu. Levaria quilos e mais quilos de livros e a todos eu os comeria engordando mais e mais afim de morrer e nascer novamente com quilos e quilos de conhecimento pronto a jorrar de meus poros.
Reduzir-se a nada! A centímetros. Ao fim, cá estou eu na tentativa de reduzir-se a nada afim de de ser o tudo!

Caio fora

Desembarque

quinta-feira, março 24, 2005

Sonhei!

Embarque


Sonhei! Mas de um jeito diferente, realmente um sonho diferente. Recordar anos num espaço de minutos, ou sabe-se lá se foram horas...mas o engraçado é que foi um sonho de quinze dezesseis anos atrás. Coisa que nunca (ao menos que me lembre) ter acontecido. Sonhava com a imensidão de situações que se constroem no hoje, com o contexto de atuais situações, mas nada de tão distante tinha me encarcerado a mente.
Retorno aos meus onze ou doze anos. Estudante relapso mas quieto, ficava sempre do lado da parede da sala de aula. Não gostava de ficar sentado junto a janela nem ao meio da sala, tinha de ser na fileira junto a porta. Na janela o sol de março e abril me torravam os miolos. No centro da sala o que me torrava era a sensação de ser por todos observado, do primeiro fio de cabelo aos calcanhares, seria um cárcere ali ficar.
Meses sempre andavam e eu alí junto a parede. Às vezes desenhava um homenzinho e ficava a conversar com ele, imaginando querer estar noutros lugares mas não naquela sala de aula com aqueles paspalhos fracos, vís, feios e miseráveis digo de coração até porque eu era muito do miserável, sem trocados para o lanche, e que sempre trocava de camiseta com minha irmã que chegava mais cedo da escola, para retornar à mesma com uma vestimenta que tinha saído dali a pouco. Necessariamente era bom, minha irmã cheirava bem e eu ficava com seu cheiro talvez para ela não fosse tão bom assim. Mas eu tinha apenas meus onze anos...não fedia só quando no pátio corria de um lado a outro...mas isso já é uma outra história.
Sempre a conversar com meu boneco imaginário. Sempre só, a revelia da matéria, dos professores (tirando uma em especial), enfim de todos que se prostravam naqueles dias naquelas salas suarentas com seus rostinhos prontos a receberem a enchurrada de merda que todos aqueles velhos e velhas (tirando uma em especial) vomitavam em nós.
O mais legal eram os intervalos. Correria geral. COMBATE!
Eu, Rogério, Israel, Rogerinho, Eduardo, Hugo blosta, Sydnei Magal, Ninho, Fernando, Angelo Neguinho, Rodrigo blue, Alex laranja ou goiaba e mais uma monte de vagabundos a correr no pátio de cima a abaixo colocando o inspetor de alunos à loucura...como era o nome dele mesmo...chamavam-no de Cirilo anos depois por causa de uma novela que não lembro o nome...foda-se.
Era o único momento que realmente me sentia junto daqueles paspalhos. Todos idiotas...mas voltando ao sonho, tinha um tachinha filho da puta folgado que sempre pendurava em mim para me achincalhar. Eu deixava afinal de contas seu irmão mais alto, forte e já fumava cigarros na porta da escola. Sempre ao entrar o pirralho vinha em mim na tentativa de arrancar alguns trocados ou meu lanche ou algo de valor que aquela barata ambulante desejasse. Seu irmão sempre a rir com seus cupinxas e eu a pedir encarecidamente por paz e bla bla bla.
- Sou pobre também, tá vendo esta camiseta? Perguntava eu.
- Sim, respondia o pirralho aos olhos do irmão.
- É de minha irmã, não tenho nem roupa para vir à escola. Retrucava eu com firmeza na tentativa de que eles simpatizassem comigo afim até mesmo de chamarem-me a sua gangue.
Quando esta frase pronuncie cairam no riso e recomeçaram agora todos a vomitarem frases que de tanta raiva eu nem mais ouvia. Chamaram-me de mulherzinha, puta, viado.
Não me lembrava de muita coisa até mesmo porque meu sonho recortou tudo e remoldou a história.
Falavam eles. - Que viado vem com a roupa da irmazinha! Bixa, bixa, bixa! Em coro mal orquestrado a cantar à todos na entrada do EEPSG Indiana Zuicher Simões de Jesus.
Meu sangue subia como fumaça de uma chaminé que queima carvão afim de derreter alguma matéria prima e tinha a impressão de meus olhos fulgurarem sangue. Aproximei do cupinxa pirralho e desferi um canhão em seu estômago. De repente todos pararam de rir. Já não era mais uma tarde e sim uma noite chuvosa e eu estava só na mesma entrada da escola mas com todos os cupinxas olhando a mim.
Corri, parecia que corria de uma vastidão de insanos que queriam arrancar minhas vísceras. Corri como se nunca tívesse corrido. Corri tanto que ao acordar cansado estava. Entrava em vielas, ruas, campos de futebol, terrenos baldios e nunca conseguia me desvencilhar do pirralho seu irmão e dos demais cupinxas de sua gangue.
De repente estava numa linha férrea suplantada por apenas dois fios a uns vários quilômetros de altura e me cagava de medo pois apenas os via lá embaixo a minha espera. Pensei comigo mesmo do tanto medo que tenho de grandes altitudes e caísse iria morrer de um ataque fulminante do coração. Assim os via caminhando seguindo-me lá debaixo e eu andava sobre os dois fios chorando por estar ali e por ter desobedecido minha mãe. Ela sempre a mim falava. - Não fique na porta da escola meu filho.
E lá estava eu me dependurando sobre dois fios finos que ainda eram os trilhos de vagões da morte. Senti ódio de mim mesmo e ao rastejar o medo comia meu estômago corroendo com o sulco gástrico meus pulmões, coração e fígado. Que fazer numa situação dessas?
Não saberia dizer, apenas rastejava e pedia a Deus que não enviasse composição alguma a lugar nenhum. Dito e feito lá vem o grande trem vermelho destinado a estação Luz. Vejo o pátio do Bráz, sendo assim estou nas alturas do Bráz.
Os cupinxas a me observar parecem cachorros famintos loucos por carne podre e a composição se aproxima não sei o que fazer. Segundos se passam mas vejo o tempo passar vagarosamente e num movimento tento alçar-me a um edifício a minha frente. Me jogo naquela direção bato com a face no prédio e vou escorrendo rasgando meu maxilar e o deixando igual a uma pintura vermelha no prédio.
Caio lá de cima e ao chão chego exausto e com os cupinxas a meu encalço. Me entrego ao fim das pernas. Por fim sou golpeado pelas costas e socado até o fim das gotas de sangue, tento desferir alguns golpes mas como um bêbado vejo meu braço se movimentar vagarosamente e recebo no estômago um mexilhão de dor que me faz ao chão cair.
Sou socado. Esmurrado como um saco de estopa que brincava quando era criança. O cupinxa menor fica a me importunar os ouvidos enquanto seus capatazes fazem o serviço sujo.
De repente não mais alí estamos no chão empedregulhado da linha férrea. O jogo virou...lembro de mim e de meu amigo negro Rogério a socar um louro folgado que não nos deixava brincar no pátio. Vejo os cupinxas na entrada do prédio a observar-me novamente, mas é outra ocasião.
Rogério passa uma rasteira no louro, e ele despenca no barro vermelho seu amigo tenta fugir mas eu o agarro e de costas ele fica a mim. Tento desferir alguns golpes em seu rosto, mas apenas atinjo sua cabeça. Ele começa a chorar copiosamente chamando por sua mãe. Neste momento eu congelo e lembro da minha mãe. Solto o pequeno rapaz e o deixo correr descendo a enlameada rua. Chove torrencialmente e Rogério esmurra o outro louro rapaz. Olho ao lado e os cupinxas da gangue choram também como se suas mães estivesses mortas e o pirralho menor num rato se transforma e a mim mostra os dentes. Tenho medo, mas grito a ele com toda a força de meus pulmões e caio sobre ele arrancando sua cabeça e rasgando seu corpo. Não mais grande sua gangue parece e minha mãe vem a meu socorro a num passe de mágicas volto a lembranças de minha vida num outro lugar cortinas que hoje são colchas de cama.
Sou o mesmo. E tudo parece tão estranho. Caminho pelo antigo apartamento medindo os locais onde vivi quando pequeno e tentando lembrar de como foram aqueles momentos, deito num sofa na sala e sinto meu corpo desfalecer e a pedir outro sonho no mesmo sonho. Lembro quando jogava bola na quadra junta Câmara dos vereadores e um grande cachorro correu atrás de mim e pulei no colo de meu pai que destrinchou o dono do cachorro verborragicamente.
Retrocedi anos em minutos. Talvez a me esconder dos sonhos que me inundam sempre.
Continuo a ser eu mesmo...desconexão de experiencias passadas, reconexão de dores vivídas.

Desembarque

terça-feira, março 22, 2005

Novamente a nos envolver e talvez para sempre descompasso

hello, goodbye

Verse 1:
You say Yes, I say No
You say Stop but I Say Go, Go, Go

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, hello hello
I don't know why you say goodbye
I say hello

Verse 2:
I Say High, You Say Low
You Say Why and I Say I Don't Know

Chorus:
Oh No
You say Goodbye and I say Hello
(Hello, Goodbye, Hello, Goodbye)
Hello, Hello
(Hello, Goodbye)
I Don't Know Why You Say Goodbye I say Hello
(Hello, Goodbye, Hello, Goodbye)
Hello, Hello
(Hello, Goodbye)
I Don't Know Why You Say Goodbye I say Hello
(Hello, Goodbye)

(Why, Why, Why, Why, Why, Why Do you Say
Goodbye, Goodbye, Bye , Bye , Bye ,Bye, Bye)

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I say Hello

Verse 3:
You Say Yes (I Say Yes)
I Say No (But I May Mean No, I can Stay Till It's Time To Go)
You Say Stop
And I Say Go Go Go

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I Say Hello OOOO OOOO OOOO OOOO HellOOOO

Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
O refúgio é a solidão.

segunda-feira, março 21, 2005

Perguntas e respostas, perguntas e respostas

Embarque


Num momento no escuro nunca tinha visto tanta luz a escurecer-me a vista de tanto iluminar e de tanto cegar a fazer meu coração pulsar mais forte do que mil bate estacas que se fincam ao solo para a fundação se estabelecer e assim segurar edificios mal construídos.
A garganta rasgando a cada descida de saliva lembra-me de que eu também por várias vezes gostaria de despir de mim mesmo, e por várias vezes eu sonho com a derrocada do ocidente que infla os pulmões a pedir por férias e um pouco de oxigênio vendo a ruína se transferir dos sonhos para as nossas vidas.
Também cansei de ser eu mesmo no sentido de semear ainda neste corpo a lembrança e a esperança de que dias melhores virão a garganta arranhada me lembra que não e joga este corpo de volta ao chão na esperança de acordar deste espécie de transe.
O ponteiro vermelho não cessa de estacar em a lembrança de que o tempo está passando e talvez assim eu consiga ultrapassar estes obstáculos e não mais adubar, semear, esperar a bonanza.
Me acostumei com o silêncio como prova a ser usada contra mim mesmo e quanto a isto estou vacinado e ciente da fraqueza do mundo e da impossibilidade dos vôos. Vácuo e silêncio são morte duas categorias provadas por mim sempre. A bem dizer muitas vezes pressenti a morte sendo provado com a argumentação do vácuo, silêncio. Eu sei.
Perguntas e respostas, perguntas e respostas mas nada certo a não ser o medo, fraqueza e ainda esperançar.
Nada disso! Caminhar. Voltar a trilhar, ou melhor, a ser o caminho da luta transformando-se no que eu mesmo sou. O caminho.
Sou o senhor da minha felicidade, talho em mim todos os dias a lembrança das minhas possibilidades e da força que jaz neste corpo.


Desembarque

domingo, março 20, 2005

Abdicação

Abdicação

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.


F. Pessoa

segunda-feira, março 14, 2005

sal e pús

Embarque

A quantidade de porcaria ouvida n'algumas horas de uma simples entrevista de emprego enoja pulsa e faz ranger meu dentes na impossibilidade de virar minha mão na cara de um ser que de tão infeliz conserva em sua mesa uma foto com um estadista que como outros busca saídas no uso da retórica vazia e verborragia populista.
Impulsos sanguinários de um jovem descalço pisando sobre cacos de vidros que ao fincarem em sua pele transformam-se em pregos chapinhados de pús que escorre pelas bocas e gargantas sujas tornando imagens de sereias nuas capturando piratas em alto mar à beira da loucura aos pés de uma ilha de sal.
Capturar imagens do passado ressignificá-las e partir a frente de peito aberto recosturando as feridas e esperando que novas sejam rasgadas.

Dias e mais dias se passam, horas minutos feridas. Tudo escorre como pús vertendo de uma nascente de carne ou lava que desce de um vulcão prestes a explodir.

Desembarque

sábado, março 05, 2005

whitman

Quando em teu colo deitei a cabeça, meu camarada,
a confissão que fiz eu reafirmo,
o que eu disse e a céu aberto
eu reafirmo: sei bem que sou inquieto
e deixo os outros também assim,
eu sei que minhas palavras são armas
carregadas de perigo e de morte,
pois eu enfrento a paz e a segurança
e as leis mais enraizadas
para as desenraizar,
e por me haverem todos rejeitado
mais resoluto sou
do que jamais poderia chegar a ser
se todos me aceitassem,
eu não respeito e nunca respeitei
experiência, conveniência,
nem maiorias, nem o ridículo,
e a ameaça do que chamam de inferno
para mim nada é, ou muito pouco,
meu camarada querido: eu confesso
que o incitei a ir em frente comigo
e que ainda o incito sem a mínima idéia
de qual venha a ser o nosso destino
ou se vamos sair vitoriosos
ou totalmente sufocados e vencidos.

Walt Whitman

quinta-feira, março 03, 2005

espinhos

Embarque


Perfurado e sangrando caminhando dentre as densas matas a procura de um tesouro. Escavo com minhas mãos o úmido terreno e as camadas de terra depositam-se em minhas unhas enegrecendo-as. Tentando sugar a última gota de água que verte de uma folha espinhosa.
Rasgo minha lingua e o sangue escorre dentro de minha boca, sinto o gosto do ferro que tempera tal substancia e desce pela garganta queimando o cano corpóreo que compõe estas cinzas como um pouco de sémen bebido por uma virgem louca extasiada numa cama de motel qualquer pedindo por mais rigidez fálica.
Suplicando a morte talho em meu corpo a ferida e cicatrizo-a após segundos. Eu tenho o poder de esculpir meu destino. Sou senhor. Deus. Rei. Escravo!
Traduzo minha dor numa nova lingua, um novo testamento. Uma coisa nunca d'antes sentida por ser algum, cumpro meu dever nestas terras. Achei meu tesouro!
Deposito-me sobre as cinzas de indios e indias suplicando pela forças de suas vidas. Já me abasteci e de suas fezes, retiro todos os dias os alimentos necessários a composição de forças.
Uma nave pousando loucamente sobre seu ventre, enquanto o universo se espande dentro de si. Reduzo a vida a espamos sexuais e jorro dentro de ti uma mangueira do amor, temperando suas carnes com minha lingua e meu sabor.
Cuspo a alegria dentro de seu corpo, e meus olhos refletem o poder de meu falo em riste, posicionado estrategicamente a ser estocado em nossos vãs devaneios por noites regadas a vinho drogas e tudo mais que queira compor tal exploração.
Sugo teus liquídos afim de sacear-me e bebendo suas entranhas fazendo das suas as minhas e vice-versa construindo o amor de nossas vidas e estabelecendo a linguagem do amor mais puro e sujo que pudemos provar a liguagem sexual carnal.
Trepar, foder, amar, gozar. Despejar dentro da boca dos úteros em fúria uma carga elétrica de vida e força e arquitetar por entre anos os próximos e morrer por entre dias a morte vivida provada a segundo de minhas lembranças
Morreu?
Sumiu!
Dialogar com o vazio dentre todos à nossa volta, percrustando cada olhar sem observar extrair do silêncio a verdade que regrará os próximos tempos e caminhar a algum lugar de lá esplanar para as rochas todos os itens de minha história. Cair numa fogueira e deixar queimar até as cinzas se reajuntarem e novamente ser alguém.
Morrer! Rasgar estas carnes arrancando a universo cósmico que se funde a outros. Basta!
Basta!
Lágrimas escorrem e caem na pia e na talharia amontoada esperando uma simples lavagem as caixas de som gritam e não escuto o silencio grita mais que todas as bombas nucleares a disposição das coisas nada diz a respeito o vácuo está vivo mais que nunca. Cumprir a tarefa e gozar como um cavalo extasiado por sua égua e depois correr ao abismo e de lá encontrar seu próprio eu nas afiadas rochas que prostadas lá embaixo o esperam.

Desembarque

terça-feira, março 01, 2005

64 a 60

Embarque


Queria poder deitar sobre teu colo quente e afundar meu corpo sobre o teu até que numa simbiose fossêmos um. Una e indizível sensação de estar em casa, onde tudo é conhecido e caminhado por entre caminhos que sempre tomam novas formas.
Queria poder penetrar em teu cheiro e persegui-la sempre que possível afim de nunca mais desgrudar de suas entranhas tão bem perfumadas e doces, fluir a vertente de sua vida e por lá viver para todo o sempre esculpindo em rochas nossos útensilios para uma vida de prazer.
Ontem eu sangrei, reabrindo as cicatrizes e ferindo-me ainda mais, esperando pelo dito, palavras que nunca virão. É assim mesmo. Feridas cicatrizarão.
Mares de flores mortas esperando o tão aclamado fim coletivo.
O inverno se aproxima e congelará tudo, nossos suprimentos e nosso amor.
Tentar fugir? Pra que? Encare-o, e faça desta situação a provisão de suas forças.
Caminhar todos os dias pisando sobre cacos de vidro que se prostam no meu caminho e ainda uma espera louca por algo que nunca virá.
Resignar-se, a palavra de ordem. Renúncia a um direito.
Prover a certeza dói. Viver a certeza rasga. Dilacerá meu corpo e nascerei das cinzas.

Corra! até que nossos pulmões explodam no infinito destas terras emersas e assim possamos morrer cansados destes teatros de fraquezas.
O tempo passa, a situações mudam e os toques precisam ser mudados. Não adiantará a reprodução de sensações. Passou! Passou! Passou! Foi.
Sumiu no deserto do medo, impossibilidade, miséria, fraqueza.
Deixei-o curtir no mais puro elixir da vida. Unte nossos corpos com o liquido que escorre de nossas entranhas felizes quando nos tocamos.
Sexo! Vida! Amor!

Desembarque