quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Embarque

Dias e mais dias se passam, rostos e mais rostos a minha retina captura e dispensa sem ao menos uma investigação mais apurada.
Dias difíceis! Que nos quais rompi com uma série de acontecimentos e situações que atingindo a este cansado corpo, derrubava minha vontade de respirar.
Muitos espasmos ainda consomem meu corpo, mas sei o que quero, e apenas eu sei o que sinto, como e quando. Dificilmente sairei ileso de uma condição de desespero que se prosta diante de mim, mas a vida é isso e nada mais. Talhos, marcas, cicatrizes, ferimentos, pus, dor, lágrimas, insônia, espasmos, vontades. É tudo isto e mais um pouco! É buceta, rola, braços, mãos e pernas. É um pancreas, figados, coração, pulmões, estomago, intestinno, bexiga, próstata, espinha, bílis, ânus, dedos, lingua, lábios, saliva e tudo mais que compoem esta carcaça viva que circula por ruas afim de fugir de seu próprio algoz. Seu próprio coração. Amar!
Reuna todos estes instrumentos acima citados, cole-os um a um e terá um corpo. Perfeito, pronto para ser introduzido na maquina louca dos dias atuais, a cumprir todas as convenções que todos cumprem todos os dias. Está pronto para ser mais um, igual a todos. A fazer parte do grande exército de formigas escravizadas pelo medo. E de suas próprias angústias reina seu oxigênio. Pobres, ou melhor, miseráveis de espírito. Perfeito como o grande senhor o planejou.
E com uma vontade imensa de ser mais um. De não fazer diferença, de seguir o fluxo maquinal que todos seguem.
Está pronto, agora vá adiante. Alinhe-se na fileira, seu número já foi separado e suas vestes de estopa estão indiscutivelmente em cima de suas formas.
A perfeição da vida é ser a morte transvestida de movimento.
Raiva? Não! Necessidade de oxigênio.

Desembarque

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

06h27

Embarque

Tudo decodificado e entendido esperando pela digestão. Entendi.
Ânsia de vômito.
06h27m. Bombardeio ao sistema nervoso.
Fim. Fim da linha, das lágrimas, do oxigênio e da força. Espero a tempestade que se forma no horizonte.
Eu sei.

Adeus

Desembarque

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Céu azul

Embarque

Banhos e mais banhos, lavando minha pele cansada e não consigo limpar minhas lembranças. Por que tudo não é como um banho, que quando tomamos lavamos nossa pele e assim estamos pronto por mais vida, deixando no ralo as lembranças ruins? Costurando as boas na mesma pele para que nunca mais saia.
Lavar-se de lágrimas não limpa o espírito, mas aprofunda a marca deixada e a esperança ainda reina intacta nos objetos. Cartas, fotos, desenhos. Lembranças.
O cheiro, as formas tudo traz o cárcere das lembranças, as nuvens tomam formas, o céu azul parece querer entrar me mim e eu nele. Me suga!
Me suga, me faça seu céu!
De oceanos espero o mais puro sal, para temperar minha vida e tentar me afogar nas revoltas águas e eu a tentar apaziguá-las tranquilamente no meio do desespero coletivo.
Queria abrir o toráx e extrair essa bola que se costura de lembranças num movimento infinito. Suguem-me todos, rasgem minha carne, não deixem pedaço algum a ser reconhecido.
Céu! Azul lindo assim...me chame...alguém me chame, me dê um pouco de sua preciosa atenção mundo.
Quero deitar em ti e brincar com nossas mãos como se o amanha nunca fosse chegar, e sumir pelas suas madeixas a me fazer criança novamente.
Céu... mostre-me a sua grandiosidade, estenda seu braço de nuvens a mim, a fazer eu deitar em seu colo a dormir, e a sonhar com o infinito toque de nossos corpos.
Grite com seus braços uivantes a fazer cócegas em minha barriga, a mimar, beijar.
Não chore quando eu deixá-lo dormindo sózinho para preparar seu café, estarei sempre morando dentro de ti...e por que sinto que mora tão caseiramente dentro de mim?
Por que céu eu sinto sua vastidão dentro do meu corpo cansado, e sei que nunca estenderá seu braços de nuvens e ventos e mesmo assim não consigo deixar de olhar sempre a ti.
Quando você toca minha face com seu carinhoso cair de águas, sinto dentro de mim a mais profunda paz e tranquilidade.
Pena! Homem algum desta terra não poder ter sentido isso como eu senti, quando um tufão, você levou-me a seu ventre e mostrou o real sentido da vida.
Eu sei céu. Sei que sempre ficará aí. Acima olhando meus passos, mas eu o quero dentro de mim ajudando a bombear o fluxos nossos corações, e construindo apenas um coração uno e indivizível.
Meu céu, minha história, minha dor. Minha vida segue como uma estrela cadente que passa por ti céu, e choro a não poder tocá-lo, senti-lo. Desespero-me por ter sonhado, arquitetado a felicidade e a nossa união na vastidão do universo se daria pelo momentâneo colapso de nossos corpos, num tufão que só você saberia produzir...meu céu, eu te amo.
Como conseguir caminhar por aí, sempre olhando para cima e vendo, ou mesmo sem olhar sabendo que você existe? Infinito e tão grande mar azul suspenso! A ver sua força em todos os lugares, a rumar ao desconhecido e vendo sempre seus braços de nuvens e a textura tão bem particular.
A chorar pelos quatro cantos do mundo a ver. Céu! A morrer e não apaziguar meu espírito esfomeado por ti céu.
A lutar dentro deste corpo, travando uma batalha entre eu e eu, a fazer (re)significar meus sentidos e que teus ventos mudem meu horizonte...Não...Não pode assim tristemente ser. Fim.
Desordem de idéias e amor



Desembarque

quarta-feira, fevereiro 09, 2005

RESILIÊNCIA

Embarque

03h37:45
RESILIÊNCIA s.f. Propriedade dos corpos sólidos que determinasua resistência ao impacto de choques mecânicos.

Uma dor me persegue, bem aqui dentro do meu tórax e vejo a multidão, todos a correrem demais a procura do que nunca encontrarão. Correm para estacionarem. Seguindo o caminho da dor...uma coisa me incomoda nestes dias, uma dorzinha fina no peito. Penso estar atrelado a minha capacidade de ser resiliente com a vida. E principalmente com o atual estado.
09/02/2005 e algumas horas de sono após a euforia de minha cabeça em não querer descançar e meu corpo almejar morrer por algumas horas deitado no meu mundo fantasmagórico e vazio vendo os sonhos tentando escolher por algum que mais me contempla-se a seguir caminhando. Mas nada. Não sonhei, apenas um sono pesado, dolorido e não relaxante. Pareço acordar todos os dias 10 anos mais velho e mais cético. Um ceticismo que até então venho agora a ver desfilar na minha paisagem seja noturna ou diurna. Aquele que impede-nos de entregar aos próximos por descrença na possibilidade da felicidade. Não vejo pessoas. No metrô o que vi eram monumentos a descrença levados a enésima potência. Correria do fim de um feriado que poderia muito bem não ter existido. Toques de horror e raiva, encarcerados num foço qualquer de minha mente. A mentira dos toques.
Arrancar esse vento uivante que passeia pelo meio de meu peito e que faz da minha respiração um trabalho árduo de um operário numa siderurgica, a fundir o aço, extrair do minério o produto possível a milhares de sonhos céticos e pobres de vida.
Se entregar dói, desfazer certos caminhos que por muito tempo foram usados, deixá-los de lado, abrir uma picada nova no reino das folhagens. Ser só, não depender de ninguém para construir a própria felicidade, talvez esse seja o maior esforço a se fazer na hora do soterramento a um amor louco e puro, numa forma nunca dante's provada na vida. Esse amor foi uma picada nova aberta no seio de minha floresta corpórea, talhada com dor, sexo, vida.
Desfazer este caminho que por tanto tempo foi almejado, lutado, gritado com raiva as vezes por quem parecia merecer o nirvana de sua existência por tanto se fazer aperceber de que aquilo era o certo a se fazer.
Deixar a vegetação tomar tais caminhos e abrir outros, um facão e força de vontade para fazer novas trilhas...os mesmos caminhos ainda estão abertos, mas neles não consigo ver alguma luz que me diga se ainda serão trilhados um dia...abrir novas frentes e ainda sonhar com o uso de tais caminhos.

Desembarque

terça-feira, fevereiro 08, 2005

sujeição a rendição de meu coração.

Embarque


Cai de corpo e alma e tudo o que resta deste indíviduo no reino das convenções sociais, parti-las era meu emprego, ser sugado por um vortex de dor e de autoflagelação. Reecrevendo a própria história e reescrevendo a própria humanidade que me diferencia dos outros. Segui caminhando e acreditando na pureza de minhas palavras e no sentimento que se esvai, rasgando e talhando novamente a renascida humanidade e continuo a reescrever a história. A ser o único capaz de romper com o círculos das convenções da cotidianeidade. Errar é acerto.
Água! Queria sê-la para de pias chegar a algum esgoto e depois a uma galeria e de lá algum corrego, rio, até desaguar no mar. E sentir que no meio de todos estou sozinho, a preparar mais um tsunami de amor, e novamente a elevar a animanidade a escala da humanidade reconstruída.
MInha fuga é desesperada por oxigênio e por vida, aos outros esperam isto ou aquilo e vou por alí novamente a romper comigo mesmo o círculo, ou melhor, tal invólucro da perdição, do medo, do sinismo, da sujeição às nossas porcarias convenções...medo de ter medo, medo do sofrimento, medo da escolha, medo do amor, medo de provarmos a felicidade que permeará a vivacidade de todas as cores e diferencialidade de cada textura que estamos acostumados a não ver.
Enfrentar um exército sabendo da impossibilidade da vitória, rumar ao desconhecido já alertado para a vastidão de ferimentos que produzirão. O reino das palavras exprimirá minha dor, angústia e felicidade.
Entrego meu cansado corpo à construção de meu próprio destino. Não faço mais questão, vivo cada dia provando do fim da existência da luz, e saldando o começo da escuridão, felicitando que a ela eu possa aceitá-la e num duelo passar incólume a mais uma noite fria e fluída.
Felicito-lhes, dias e noites, por fazer da minha vida uma dicotomia de momentos, a sujeição ao conflito e a dor a possibilidade da mudança só assim é possível e passível. Abaixo de um edifício dolorido corporalmente construído pelas calejadas mãos de um pedreiro da vida.
Destruo e construo, luto e me entrego...ao intemperismo da vida, a humanidade, o fim é começo.
Faço destas minhas palavras de alívio e de sujeição a estas condições, sem abaixar meu horizonte. É meu zênite que guiará meus passos e nada além da vida, da mais vivida e dolorosa vida me tira a possibilidade de tentar, suar, chorar, romper, cair e levantar, assim a prosseguir no cosmos de cada pessoa.
A eterna busca pela felicidade é permeada, pela eterna busca a infelicidade. Lados de uma mesma moeda e me acostumo com a impossibilidade de ter apenas um dos lados, até melhor. A infelicidade pode dar o rumo a este homem que vos escreve.
De súbito senti o punhal cravado em mim, no meu peito. Retirei-o e vi meu vulcão a pulsar, por amor, vida, sujeição a rendição de meu coração.

Desembarque

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

A morte criativa

Embarque


Duas serpentes, uma vontade apenas. Um touro e se eu algoz. Um fio de cabelo e possibilidade do mesmo ser o fio retalhador e o divisor de águas.
As serpentes estão depositadas em meu corpo, ambas necessitam assassinar a outra para reinarem sózinhas na vastidão de meu corpo. Lutam pela paz própria e por vezes peso minha vontade a uma ou a outra.
Um forte touro se atraca com a parede de madeira, seu inimigo um homem, apenas um homem. Também estão ambos com sede de sangue. A morte criativa para ambos, a luta.
Um fio de cabelo e com ele separo o dia da noite, fazendo assim uma escolha e contemplando a divisão...a diferença.

Lavando minha pele muito forte, minhas mãos tremem e sinto a indisposição que as mesmas demonstram. Procuro palavras, mas elas escapam, pelas mesmas mãos cansadas e que já viram tantos verões nascerem e morrerem.
A serpente que vecerá eu não sei, apenas sei que uma delas sairá se banhando no sangue da outra.
A luta na arena madrilenha apenas busca a certeza de ser daquilo, a morte, sangue, fim.
A noite se divide com o dia, nunca se encontram totalmente. Pares, irmãs de sua mesma sorte - o não encontro.
Abrirei as comportas de meu corpo, e as lágrimas que há tanto tempo vem precipitando no alto da colina escorrerão pela vastidão das planícies e inundarão os veios de meu mundo.

Idéias, medos, caos

Desembarque

sábado, fevereiro 05, 2005

odediência ao impulso cego

Embarque


"Tive que me atirar à correnteza, sabendo que provavelmente iria afundar. A grande maioria dos artistas está se atirando com salva-vidas ao pescoço, e quase sempre é o salva-vidas que os faz afundar. Ninguém que se entregue voluntariamente à experiencia pode se afogar no oceano da realidade. O pouco progresso que exista na vida não é fruto da adaptação mas da ousadia, da odediência ao impulso cego. "Nenhuma ousadia é fatal", disse René Crevel, uma frase que nunca hei de esquecer. Toda lógica do universo está contida na ousadia, isto é, na criação a partir do ponto de apoio mais inconsistente e reduzido. No início, essa ousadia é confundida com a vontade, mas com o tempo a vontade esmorece e o processo automático assume o seu lugar, e este, por sua vez, tem que ser interrompido ou abandonado para que se instaure uma nova certeza alheia ao conhecimento, à habilidade, à tecnica ou à fé. Pela ousadia chega-se a essa misteriosa posição X do artista, e é esse porto seguro que ninguém consegue exprimir com palavras, que no entato perdura e destila cada linha que se escreve."

"No seu espantoso estado atual, o homem parece ter uma atitude, a fuga `a temores, mas, o que é pior, teme os seus temores. Tudo parece infinitamente pior do que é, diz Howe, "só porque estamos tentando fugir". Esse é o verdadeiro paraíso da neurose, uma cola feita de medo e ansiedade, à qual, a não ser que queiramos nos salvar, poderemos ficar presos para sempre. Imaginar que seremos salvos por intervenção externa, quer sob a forma de um analista, um ditador, um salvador, ou mesmo Deus, é pura insensatez. Não existem barcos salva-vidas suficientes para todos, e, de qualquer forma, conforme aponta o autor, precisamos de muito mais de faróis do que de salva-vidas. De uma ampla visão e mais clara - e não de aparelhos de segurança!"

"O Homúnculo tem muito medo de ser soterrado, mas o Grande Homem espera sê-lo; o Homúnculo recusa-se a engolir um tantinho de sua experiência, encarando-a como má, mas o Grande Homem a ingere todo dia, mantendo a casa aberta para o inimigo entrar; o Homúnculo fica aterrorizado de que possa passar da luz para a escuridão, do visível para o invisível, mas o Grande Homem percebe que é apenas o sono ou a morte e qualquer dos dois é a própria prática de sua recreação; o Homúnculo depende dos "artifícios" ou do golfe para o seu bem-estar, procurando médicos ou outros salvadores, mas o Grande Homem sabe pelo processo profundo de suas convicções íntimas que a verdade é paradoxal e que ele está mais seguro quando menos defendido...A guerra da vida é uma coisa; a guerra do homem é outra, sendo a guerra pela guerra, a guerra contra a guerra, numa regressão infinita de argumentos ofensivos e defensivos."

Todos trechos extraídos de "a sabedoria do coração" de Henry Miller

...

Caminhar por estes dia tem sido uma prova alteração da minha percepção e um certo movimento de volta à meu próprio ser. Cada passo que dou recheia-se de dor, sangra e escorre rasgando mais e mais minha doce carne, mas tirar proveito disso faz a vida ser talhada e fazer algum sentido.
Buscar o sentido da vida, e buscar a dor. Sentir a necessidade de batalhar é se entregar a uma vida mais dolorosa e tanto mais gratificante e contempladora.
Estes dias tem sido de dor, lágrimas, auto-reconhecimento, abraços e luz.
Continuarei a destilar meu doce gosto pela vida, e assim a temperar a paisagem citadina com minha presença, mesmo que sufoque certas expectativas e caia de joelhos pedindo clemência. Sofrer e caminhar, obedecer ao meu instinto...a aquela voz que pulsa no fundo de meu ser, ela que direciona algumas de minhas atitudes e que todos os dias constroe os princípios do que sou, e do que hei de ser.
Vencer é perder...
ah...o senhor Miller tem me ajudado muito, a ti agradeco grande Senhor.

Desembarque

sexta-feira, fevereiro 04, 2005

vida X morte

Embarque


"...Deve salvar o homem do medo da morte, para que seja capaz de morrer!
Avançar para a morte! Não recuar para o útero. Sair das areias movediças do fluxo estagnado! Este é o inverno da vida, e o nosso drama é nos firmar para que a vida possa novamente prosseguir. Mas essa firmeza só pode ser conquistada pisando sobre os cadáveres daqueles que estão dispostos a morrer."
"A arte de viver baseia-se no ritmo, no dar e receber, no fluxo e no refluxo, na luz e treva, na vida e morte. Pela aceitação de todos os aspectos da vida, bons e maus, certos e errados, seus e meus, a vida estática e defensiva, a que a maioria das pessoas pessoas está condenada, converte-se numa dança, "a dança da vida"... A funça real da dança é a metamorfose. Pode-se dançar de tristeza e de alegria, pode-se mesmo dançar abstratamente... Mas a questão é que pelo simples ato de dançar se transformam; a dança em si mesma, exatamente como a vida. A aceitação situação, qualquer situação, desencadeia um fluxo, um impluso ritmico para a auto-expressão. Descontrair-se, naturalmente, é a primeira coisa que um dançarino tem que aprender. É também a primeira coisas que um paciente ten que aprender quandose defronta com o analista. É a primeira coisa que qualquer um tem que aprender para viver. É extremamente difícil, porque significa rendição, incondicional. Todo argumento de Howe baseia-se nessa idéia simples, porém revolucionária, da incondicional e inequívoca rendição. É a perspectiva religiosa da vida: a aceitação positiva da dor, do sofrimento, da derrota, do infortúnio e assim por diante. É o caminho curvo, que afinal sempre provou ser o caminho mais curto. Significa a assimilação da experiençia, a realização através da obediência e da disciplina: a curvatura do tempo através do crescimento natural ao invés do atalho rápido e desastroso. Esse é o caminho da sabedoria, e o que deve ser eventualmente trilhado, porque todos os outros só levam a ele."

Todos os trechos por Henry Miller em " A sabedoria do coração"

Desembarque

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

último suspiro

Embarque


"Eu amo o jeito que você me ama, mas odeio o jeito que eu te amo"


"É a solução de quem não quer perder aquilo que já tem e fecha a mão pro que há de vir"


"Eu sou uma ilha"


Desembarque

terça-feira, fevereiro 01, 2005

retorno

Embarque


Voltarei ao começo de tudo, ao que era. A raiz de meu ser. O gozo
Sou eu que transporta das distantes planícies o rude músculo que transporta a todos ao paraíso e ao inferno
Sou que fantasio a desgraça afim de dar prazer neste vida imunda
Sou que te levo ao infinito de meu falo, a fazer gozar como uma cadela no cio.
A procura de mais espaço eu vou. Derrubando edifícios de falacidade e mentiras.
Pois é sou, aquele que ali nú se vestiu e antes mostrou-lhe o cajado da vida.
Aqui sou eu, ereto, rijo, suado a pulsar por mais.
Tenho uma rocha, que de tão lapidada faz pulsar meu coração
Tenho um graveto que de tão rústico, nos faz caminhar por eras e mais eras a procura de gozo por mais gozo.
Vi criaturas assexuadas regorjizarem tristeza e oxigênio, sem olharem para vastidão de seus corpos
E sou eu, realmente nú, que mostrarei a todos a ineficiencia desta vida ingrata.
E vou caminhar afim de chupar e beber do néctar dos deuses que pulsa do forno úterino.
Pulsarei, estocarei, cantarei a canção da vida. Do vencidos em campos de batalhas aos mortos em esquinas molhadas de ruas mal asfaltas de cidades quaisquer, a respirar a sujeira saída de motores em brasa e cus.
Fugirei da inadimplencia vivída, lutarei pelo prazer, acima de tudo o prazer, estocando no fim meu pinto, afim de fazer nascer homens e mulheres e que os mesmos sejam como eu. Vencedores, perdedores, lutadores...que vivam a vida mais suja e dispendiosa, que lutem, sofram, chorem os amores não vivídos. Que respirem da sujeira da fraqueza e traçam planos a não proporcionarem fraquezas a si e aos entes.
Sou eu!
Eu que te faço amar e odiar, e a querer me matar.
Eu que sumo e apareço num piscar de olhos
Eu!
Eu que sou o máximo da criação humana, e que de deuses a diabos, de enfermos a saudáveis, caminharei sobre o pó de nossos corpos.
Eu grito, faço questão, choro e gozo
Gozo e trago a infelicidade de minha companhia aos Estados.
Ao caralho e e pelos caralhos...Vivamos como a última vez.


Desembarque... apague a luz ao sair e acenda uma vela.

texto antigo

sexta-feira, 11 de junho de 2004
Embarque


Suplência


Essas são apenas poucas linhas esboçadas numa tarde em uma praça de alimentação de um shopping qualquer, cansaço da vida e de estar naquele lugar.
Terça –feira à tarde enquanto o suor frio escorria pelas minhas costas, como no imundo córrego que desce e deságua num outro que vai a outro e assim por diante, sentia o sol frio chegar a meus olhos, mas não tinha equivalência com o que ele representava. De pastéis a sucos corria meus olhos pelo longo caminho que teria de ser trilhado.
Ardência nos olhos e minhas pernas destruídas pela batalha da distancia. Naqueles dias não estava necessariamente triste, mas sentia um tal aperto. Daquele que vai da garganta ao estômago. Devia ser a eterna espera, ou o horizonte de situações do passado que se esboçaram no hoje. Mas tocamos o barco, a fé é inabalável, mesmo com as propostas sem face e nem arranjo certo, dá impressão de palavras soltas no ar? Não. Eu vejo o andamento.
Nem mais ao lápis conseguia segurar naquela praça de alimentação.
E aquele homem me olhava e mastigava sem mesmo perceber o que comia, e não só ele fazia isso. Por dia irão se mastigar, rasgando cada pedaço de seus corpos. Não se observam, mesmo comendo parecem maquinas, introjetam isso e vão embora, todos. Sem excessão alguma, todos.
E eu ali, que tanto sinto as minhas dores, fico a descrever numa folha de papel os tipos que pasmam nessa cidade. Com o banco desconfortável, luto contra ele e o sono some, e o corpo dói, meu cansaço é muito maior.
A vida pra todos resume-se a sentirem que tudo é preliminar a morte, sendo todos sugados pro vortex negro, esboçam sorrisos amarelos como pêssegos recém colhidos.
São quadrículas e se movem como tais. Se amoldam dificilmente e não são curvilíneos. Retos e todos sem graça.
Se colocam no mosaico cartesiano de mensurabilidade, Isso é a vida de todos.
Morram, são como o teto. Quadrículas suspensas sem cores, nem atrativos.
Quero o amor, não como uma quadrícula dessas, mas algo como um monte que é esculpido dolorosamente pela ação da erosão. Que desce violentamente arranhando e mordendo a terra, movendo-a a outro lugar.

Titularidade

Desembarque



sexta-feira, janeiro 28, 2005

rabiscos vividos

Embarque


Estou nú...
Nestes tempos este tem sido o veículo de minha nudez.
Estes escritos refletem, vontades, dores, encantos, desencantos e tudo mais que permeia minha vida.
Dentre tentavitas (que se fossem em folhas de papel e canetas seriam muitos rabiscos), a noites que se cravaram em meu corpo pela insônia e pelo passeio de meus dedos por este sujo teclado, aqui provo um pouco desta nudez.
Poemas, citações, textos, alguns meus. Outros de meus influenciadores.
Decidi dar-me uma chance.
Chance para provar da felicidade, da exposição e nudez.
E também da dor e da tristeza.
Caminho a passos firmes para meu norte, sei disso, mesmo com atravancos, sabotagens, digo próprias de minha pessoa, nada mais natural para quem conhece-me.
Sobrevivo e vivo cada dia de uma vez, sabendo para onde vou e melhor, sou reconhecido por ser isso que sou. Por errar, acertar...mas o melhor reconhecimento não são palavras, mas a mim vem de meu intímo do mais encravado em mim mesmo...de dar um chance a vida, a luta. A minha luta.
Chove
Gotas e mais tantas outras se misturam e descem escorregando pela força da gravidade. Diante de mim vejo o mundo nascer, e morrer. Vivo e morro junto com tais gotas, sou como elas, desço e subo horas adiante.
Não tenho medo, nem arrependimento. Tenho vontade e muita sede d'agua, mas muita mesmo.
A incapacidade é especulação,
o tédio, morte,
o enrijecer, vida,
a vontade, a chave.

Destranquem-se

Desembarque

segunda-feira, janeiro 24, 2005

A dor anunciasse na forma de amor

Embarque


Sono tão bem esperado e pouco sonhado.
Venho nestes últimos por intermédio desta página explicitando alegrias e angústias de um jovem de classe baixa paulistana, por meio de textos, poemas e tudo mais que tenho ao alcance de minhas mãos e que necessariamente tenha uma familiariadade com tais ferramentas.
Mas do que é que estou a falar, ou melhor, a escrever.
Esqueça
Mais fácil rasgar a flor de tanto cuidá-la, de tanto adubá-la, ela apodreceu.
Sono e cansaço, indiposição e a solidão.
Terra, água, fogo e ar.
Desarranjo, entendimento e supresa.
Eu quero entender. Linhas sem ordem alguma.
Crônicas de um amor louco e morto.
O sinos tocam, minha dor anunciasse na forma de amor.

amor...
amor sublime amor, que a todos sangra
numa hora ou n'outra
amor apodrecido amor, foge e se lança no mar de dor
amor desesperado amor, a respirar e a tanto sufocar de amar
suma amor! Deus da não-razão, da disposição e da vontade de vida.
Parta diante de mim e deixe apenas a lembrança da dor!
Amor sublime amor, que a mim sangra e escapa a mão alheia
Quimera da vida vivida, escolhida, amada, sujeita a intempéries do meu humor.
Afago-lhe, e de minhas cansadas mãos brota o adubo de seus sonhos
e de meus olhos, a morte que concretizará nossas vidas.
Rumo ao firmamento, amor.
Rumo a desgraça, miséria
Solidão, amor.
Amor sublime e exasperado amor
a rasgar nossos corpos dispostos por amor
e de amar e ser amado
tocar e ser tocado
fugir e ser rasgado
chorar e ser beijado
norteado, desnorteado... ilusão, interpretação. Significados.
fim.

Desembarque

canção, de Ginsberg

ALLEN GINSBERG

(1926-1997)


CANÇÃO



O peso do mundo

é o amor.

Sob o fardo

da solidão,

sob o fardo

da insatisfação



o peso

o peso que carregamos

é o amor.



Quem poderia negá-lo?

Em sonhos

nos toca

o corpo,

em pensamentos

constrói

um milagre,

na imaginação

aflige-se

até tornar-se

humano -

sai para fora do coração

ardendo de pureza -



pois o fardo da vida

é o amor,



mas nós carregamos o peso

cansados

e assim temos que descansar

nos braços do amor

finalmente

temos que descansar nos braços

do amor.



Nenhum descanso

sem amor,

nenhum sono

sem sonhos

de amor -

quer esteja eu louco ou frio,

obcecado por anjos

ou por máquinas

o último desejo

é o amor

- não pode ser amargo

não pode ser negado

não pode ser contido

quando negado:

o peso é demasiado

deve dar-se
sem nada de volta

assim como o pensamento

é dado

na solidão

em toda a excelência

do seu excesso.



Os corpos quentes

brilham juntos

na escuridão,

a mão se move

para o centro

da carne,

a pele treme

na felicidade

e a alma sobe

feliz até o olho -



sim, sim,

é isso que

eu queria,

eu sempre quis,

eu sempre quis

voltar

ao corpo

em que nasci.

sábado, janeiro 22, 2005

mestre cuca da vida

Embarque

Cebola, Alho, molho de tomate, soja, arroz.
Euforia, decepção, cansaço, impossibilidade.
Forno, fogão, relógio, al dente, temperatura.
Gastura, dor, sujeição, resignação, calor.
Barba, óculos, olhos, mãos, hálito, saliva.
Queimadura, textura, limão, rádio, tempo.

Pegue duas cebolas e as descasque junto com alguns dentes de alho.
Mergulhe ambos num pouco de água para desprender as cascas e não fazer chorar tanto. Já basta de lágrimas.
O saco de soja espera ser aberto, o faça e jogue uma boa quantidade numa vasilha com água quente e sal. Para dar um gosto salgado já antes do tempero, encorpar.
Algumas cervejas no ato, vão muito bem.
Depeche Mode também.
Jogar as cebola, alho picado na panela com óleo quente e deixar fritar um pouco, seguidamente jogar o molho de tomate e um pouco de leite para livrar da acidez que poderia eventualmente vir a luz. Deixe ferver e jogue a soja, misture prove e sirva.
Com arroz vai muito bem.

Aqui um retrato do dia de hoje. Ontem brigas, discussões e insubordinações.
Hoje paz, sossego, sono, travesseiro quente. Banho tomado, perfume e lençóis.

Mestre cuca da vida....ah esqueci das azeitonas

Desembarque

quinta-feira, janeiro 20, 2005

doce e salgado

Embarque


Intercalar sensações é difícil e controlar o peso de certas situações requer uma capacidade imensa, e força de vontade para anular certos pensamentos que circulam por todos nós.
Sou falho, n'algumas destas não obtenho o êxito tão esperado por mim mesmo, e quando a tempestade vem, sou um dos primeiros a cair.
Ao contrário do que poderiam dizer, me levanto rápido.

Quem me disse que o tempo passou?
A ultima taça de vinho barato foi tomado,
e degustado por horas como uma rosa,
gorfado após o sonho de nossos corpos em brasa.

Como saber se o tempo passou?
Senti o caminhar das últimas gotas,
e daquela taça vi meu desenho
traçado a lágrimas no vidro que quebrei

E se ele passou mesmo?
Aceito e passo a frente a taça
Sinto nela um gosto amargo
É de mim mesmo, da minha saliva.

Queira corporificar o tempo
Vai, caminha, vença
A taça já se quebrou e me sangrou
dela não sobra mais nada.

A euforia me segue e precedida de caídas num abismo,
cravo meus dedos nas rochas sem conseguir segurar
dentre a unha e a carne, a carne da terra se deposita
e entre minha vida,
o feito e o imaginado,
a possibilidade e impossibilidade,
alegria e tristeza,
incompletude e completude,
rosas e merda,
inverno e verão,
doce e salgado,


Desembarque

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Segurar o grito que explode minhas entranhas.

Embarque


Eu esqueci de ter de esquecê-la,
e lembrei de ter tido a condição de ser a dor,
e de ter sido o fardo espinhoso que a fiz carregar.
Eu vi o mundo nos seus olhos. A dor

A indisposição me faz deitado sempre,
e engole o ânimo de abrir os olhos,
onde voçê estava quando eu me afoguei,
e por todo tempo que lá estive eu chorei.

O medo é a minha cruz,
que me rasga a todo momento,
e fico a voar pelos paisagens passadas.
Eu quebrei os vidros e os espelhos da minha vida.

Quando me lembrei de ter de esquecê-la,
era já muito tarde e minha garganta doía
subi a montanha mais alta
a tentar de lá voar.

O grito que dou a ninguém toca
O vomito que escorre de minha boca tem gosto de sangue
e a ninguém sufoca, só a mim mesmo.
Meu sangue chapisca o caminho da vida

A poeira se espraia por todos os lugares
e vemos o tempo passar e as coisas a se acomodarem.
Mas eu queria fugir, e nem isso posso.
Desembanho o sabre que é a minha vitória.

O fim

Suplantar, lutar, viver, sofrer, chorar, vencer, sucesso, regressão, impostor, fracasso, fuga, sangue, vomito, cuspe, saliva, cheiro, textura, amor, respostas, perguntas, caminhos, dor.

Segurar o grito que explode minhas entranhas.


Desembarque

domingo, janeiro 16, 2005

Cegueira

Embarque


A quanto tempo o tempo passa e as coisas mais e mais se complicam, e quando penso estar resolvendo, ou tentando estrair a certeza, na cara com a porta me dou.
Sinceramente tentar fugir do cárcere das próprias situações mal-resolvidas requer um certo tipo de tato que não tive.
Vivo sob o jugo da concreticidade, e a busca por todos os lugares mesmo levando a mim mesmo a mais incerteza e solidão.
Não fujo, não me submeto mais a minha própria sabotagem, eu só quero o certo. O visto, nós vesmos, mas me segure por alguns minutos e mostre-me que a segurança não apenas provém de mim mesmo. Mas sim de uma situação.
Só queria um pouco de colo, e que me falassem docemente à meus ouvidos que estava errado, e que tudo caminharia.
Mas esperar pelo que? Se mesmo assim estaria a outros inserindo um ritmo que não seria o dito "natural" a ser imprimido.
Eu sou rápido demais e quero rápido demais. O movimento não sendo reconhecido por mim é cegueira
Eu sou cego!

Desembarque

domingo, janeiro 02, 2005

Ah ! A Angústia, A Raiva Vil, o Desespero

Ah ! A Angústia, A Raiva Vil, o Desespero

AH! A ANGÚSTIA, a raiva vil, o desespero
De não poder confessar
Num tom de grito, num último grito austero
Meu coração a sangrar!
Falo, e as palavras que digo são um som Sofro, e sou eu.
Ah! Arrancar à música o segredo do tom
Do grito seu!

Ah! Fúria de a dor nem ter sorte em gritar,
De o grito não ter
Alcance maior que o silêncio, que volta, do ar
Na noite sem ser!


Fernando Pessoa

sábado, janeiro 01, 2005

Abro a geladeira, milhões de anos num condensado contraste de temperatura.

Embarque

Os momentos mais engraçados de nossas vidas, sinto eu, que são os que mais nos colocam(os) como os bobos da corte. Numa disposição que os olhares as falas, ou seja, todo o movimento da vida caçoe de nossas faces e vidas.
Posturas, interpretações.
Provavelmente, se ceifamos a muito custo a cabeça dos deuses, da utopia, do sonho, penso que elevamos a suprema arrogancia ao mesmo suporte alto com que d'antes esses mesmos deuses estavam dispostos. Compreender e captar esse movimento dói, até porque nada está incólume a dor. Absolutamente nada vivo está ausente dessa prerrogativa.
A dor.
Não há mais nada a ser feito, sinta a brisa que passa e a contemple de forma que nada mais está sob seu controle, brincamos com a vida e voltas ela dá, passeia pelos perímetros não navegáveis e assim delimita novas possibilidades. Aí sim ceifando a vida a todo momento e por assim dizer pessoas, atos, posturas.
Abro a geladeira, milhões de anos num condensado contraste de temperatura. Vidas foram dizimadas, mas eu tenho a possibilidade de ser Deus e tão arrogante quanto o mesmo, eu dissimulo, volteio sobre sua face a iluminar as idiotices de sua vida medíocre...E assim todos riem com seus estomagos gordos, e suas mentes como sempre a planejar armadilhas, fugazes e efemêras. Quando menos perceber BUM!
Caiu e não reclame e nem ao menos tente argumentar...lembra-se Deus foi morto e no seu lugar está as palavras, só que manipuladas de jeito tal a rasgar o corpo e as mentes, a sangrar e jorrando como lava quente que verte de uma fêmea, são estocadas em seu estomago.
Eu vivo e sofro por isso, sofro por amar, sofro por ter amado.
Os diálogos soltos de boca a boca, reivindicará o fim deste que vos fala e direcionará segundo a tantos outros parâmetros o Deus palavra organizada de tal forma a fazer chorar e a sangrar...pois é seja bem vindo, é este o mundo a ser vivído e a degladiarmos com todos os nossos corações de "a a z"

Desembarque