quarta-feira, novembro 30, 2005

Vezes porém eu espero, vezes porém eu fujo...

Embarque

Entre entreveros e empurrões os olhos se foram para o ralo, agora só resta um borrão negro na face solitária deste imundo e intransigente homem.
Hoje pessoas, amanhã o silêncio. O completo silêncio. Mãos dadas no meio do turbilhão e uma inexpressiva esperança. A mesma? Outras? Esperanças. Esperanças e mais esperas.
Por muito tempo fugi de mim mesmo na pobre possibilidade de encontrar um outro eu. Mas o que quero mesmo é poder amar, me entregar de carne e espírito a alguém. Pecar por isto?
Sabe, talvez sim. Hoje não mais amor preenche os caminhos de todos e sim outras situações. Eu me zerei, fui ao fundo onde antes não tinha chegado nunca, e esse ano vai se encerrando e chego no limiar. No fim, no limite. E um despenhadeiro afim de jogar-me mais uma vez só. Novamente com outros me encontro no descompasso da vida, e por que queria que fosse diferente?
Quais são as minhas vontade de vida? Sexo? Apenas isso?
Hoje mais do que nunca a imensidão das possibilidades se apresentam a mim. A urbe e a possibilidade de ir além, mesmo sabendo que chegaremos num novo limiar.
Fim de mais um ano. Lembro dos outros fins, confins, afins, serafins. E retorno minha atenção para as responsabilidades do dia-a-dia, alguns diriam que fujo assim, mas a realidade apresenta-se assim. Que fazer?
Mas algo novo brota, um novo lugar e pessoas que ajudaram-me neste ano de bosta. Permeado por lágrimas e envolto em braços cai num sono profundo, sonhei, tive pesadelos escuros e úmidos, meus pés doíam com o número do sapato que calçava. Eram uns três números a menos do que estou acostumado a usar e com a umidade ia rasgando a pele de meus cansados pés. O couro quando secava diminuía de tamanho e ia apertando até eu gritar. Esmurrar o vento imaginando um adversário mais forte que eu e quando ele me esmurrava eu gozava, mas não deixava por menos. O esmurava de volta a engastar meus punhos naquela imunda face.
Uma embassidão na vista, manchas. Pareço mais que nunca um trapo, mas vou construindo meu conceito de sorte, amor, liberdade, vida. Cerveja, cigarros, café, arroz e feijão, sal, alho, cebola, bife acebolado com fritas, pinga, suor. Pessoas que reaparecem depois de anos sumidas e num espaço de tempo retornam com um "alo".
Nada além de impressões e sugestões. Caminhar ainda. Hoje e sempre.
Correr é preciso.
Por hoje basta. Texto, anti-inflamatório, discussões, frases encarceradas na garganta e uma imensa vontade de gritá-las ao ar.
Mais uma vez deixado ao léu de toda as situações. Mais uma vez esperando no banco da estação de trem. Mais uma vez meu fígado espera para ser transplantado,. Mais uma vez, mais uma vez.
Vezes porém eu espero, vezes porém eu fujo. Todos os dias eu cuspo na própria face, e usualmente eu tento cumprir minhas tarefas, diariamente eu tento e tento e até arrisco a dizer que consigo fugir, e vou ao encontro dos meus próprios testículos.
A quilômetros de distancia das exasperativas situações, a metros do que poderíamos dizer...Um novo homem.
Tarefas

Desembarque

terça-feira, novembro 29, 2005

sem mais para o momento

Intransigência. 1. Falta de transigência; intolerância. 2. Austeridade de caráter; severidade

quinta-feira, novembro 24, 2005

Ritual

Embarque


O ritual é o mesmo. Sentar e fingir pairar sobre minhas visões de mundo e da vida miserável que todos levamos com exceção ao sexo. Em se tratando de sexo, sei que não finjo.
Pode ser numa taberna escura, num ônibus num dia cinza, como as cinzas que um dia irão nos compor, ou num dia de calor estafante, num bar, banheiro, cozinha, cinema, parque, enfim, em todos e muitos outros lugares sento e finjo repousar meu corpo nas minhas lembranças. Estas últimas compreendo às vezes muito mais quando minto, ou seja, quando manipulo tais experiências na forma de um pobre texto como este.
Dias desse me parei pensando se não deveria escrever sobre isto ou aquilo, tentando criar um mosaico de alguma coisa que valha a pena e me contemple como um principiante na arte de escrever.
Como dito anteriormente, navego pelo mar dos estilos a não achar o meu estilo. E será que o acharei? Pouco importa!
A este altura do campeonato o tiro de largada já foi dado e espero impacientemente os vencedores chegarem ao final do percurso felizes por suas vitorias.
E todo momento de total introspecção mergulho nas lembranças e me deparo com o mesmo problema – a extensão da coisa. Tal como prolongar o coito na felação. E falando em coito...nossa que vontade.
E já vou cercando o assunto, dando voltas, girando em torno dele e me encontro novamente extenuado e insatisfeito. Mas já que o cerco vamos destrinchar o mesmo, tática de jack – o estripador. Parte por partes., compondo o todo.
Falava anteriormente em estender o tal do texto de forma que não soasse chato, nem pedante, mas um pouco cativante.
Isso?
Sim era isso...não a vocês mas a mim que pensava sobre as diversas maneiras de preparo do espírito ao ato da exposição textual.
E quando vou-me afundando nas tais formas e nos conteúdos que foram programados, penso no ato sexual...já que assim é vamos a ele e não mais a nada.
O que nos resta nesta a não ser um par de lindas tetas e pernas, uma voluptuosa e simpática bunda? O que resta nessa vida?
Para mim aquele momento que me deposito dentro de uma vulva quente, seja lá com mãos, pés, falo, língua, dedos, enfim quando entro e me enterro no espectro mais incompreensível e incomensurável do homem. O ato sexual.
Sou um amante disto, recorro ao sexo para viver como um sujeito pulsante em todas as formas do próprio ser. Do meu ser, do meu viver.
Carregado ou não de significados, pouco importa. E é nisso que a coisa esquenta, pois por dia vasculho em todos os lugares os diversos animais que compõem a flora humana e assim os penso relinchando quando estão nús. Mulheres!
As mulheres são como as formigas que trabalham insistentemente. As vejo carregando pastas, malas, bolsas, cadernos, folhas. Uma infinidade de papéis, relógios, tralhas, badulaques...tralhas mesmo por assim dizer. A todas que consigo ver, caminho por elas. Persigo seu andar por suas formas, de forma a brincar com minhas imaginações na possibilidade de passear minha língua por tais lugares. Não as vejo como pedaços de carne num frigorífico, se fores me acusar de machista o façam. Não me importo. Me importo sim com elas, todas elas dispostas como estátuas lindas e vivas, lógico que vivo como animais que são e felizes por respirarem e por cagarem como todos cagamos e felizes que somos, pulamos e uivamos de alegria à porta de mais um orgasmo.
Relinchar como cavalos que com seus grandes falos introduzem em grandes vulvas, criando a vida e o prazer a todos que pedem por vida.
Mulheres!
As amo de forma tão incondicional que percebo em seu bailar se estas podem levar jeito para a coisa, ou não. Se é que me entendem.
Uma vez a muito tempo, um amigo assaltante disse que roubavam no centro da cidade, mas que percebiam a quem iriam abordar a partir do ato de andar. O princípio é o mesmo. Observar.
Observo cada gesto, cada toque, cada passada de perna e traço minhas idealizações, achando se esta ou aquela garota é afeita à entrega total.
É lógico que tudo isso é por demais superficial para traçar um paralelo entre o ato de andar e o ato sexual em si. Mas quem se importa com isso?
Tudo não deixa de ser idealização e devaneios. Mas que faço, sim isso eu faço.
Colho cada centímetro de quem me chama a atenção e fico a brincar com meus miolos na vã possibilidade de saber o que se passa naquele corpo nu. Dias desses passava pela praça da República e vi. Caralho! Que jeito de andar. Parecia esmagar todos os homens da face desta pobre terra com aquele suave, mas delicioso andar. Estava sentado comendo um acarajé e a linda mulher passou pelas minhas costas. Séria como estava e bem vestida poderia ser alguma sei lá o que de algum escritório das redondezas...E como era redonda aquela bunda, e as pernas roliças tolhiam a todos. Uma beleza ímpar. Fiquei observando extasiado a figura daquela mulher. Ao passar pelas minhas costas observei seus olhos penetrantes. Não preciso nem dizer que não se penetravam em mim, mas penso que deveriam penetrar nalgum problema cotidiano que ela deveria ou resolver.
Pensei em Ter um dia um particular com a tal. Destes particulares, mas bem particulares mesmo. Ela parecia um grande tanque deste de guerra que saem de algum pântano lamacento como se tivessem passado por um mar de rosas. Como era estrategicamente bélico seu andar, parecia atiçar a guerra com aquele certo molejo. O mais impressionante talvez fosse que a mesma não se percebia de tal poder, tão inserida num qualquer problema que daria cabo. E foi-se...sumiu no mar de gente que se aglutinava para ver um senhor de grande barba que esmurrava a bíblia e dizia frases satânicas a socar seu enorme punho na capa do livro sagrado.
O que escreveria mesmo?
Esqueçamos isso. Amanhã é um novo dia.


Desembarque

quarta-feira, novembro 23, 2005

Sabedoria

"Buscamos preencher o vazio de nossa individualidade e por um breve instante desfrutamos da ilusão de estarmos completos. Porém, é só uma ilusão: o amor une e depois divide."(Lawrence Durrel)

psiu

Embarque


Hey!

Psiu! Nós conseguimos fugir!
Pra onde mesmo? Ninguém consegue dizer.

Digo nós?
Como assim nós?
Nós para quem cara pálida?

Bom foda-se...
Volta tudo!

Hey psiu!
Você mesmo, viu o carro que passou aí ao lado de ti?
E viu a placa dele?
Queria ter pego aquela carona e caído fora. Mas o fim tá chegando e não vou precisar mais de carona pra fugir de meus próprios medos.
As mudanças se processaram. Novas perspectivas de situações.
Saindo de uma sala cheia e com monte de olhares percustrativos a enlaçar numa nova situação novos....novos o que mesmo, qual seria o início disso tudo mesmo?

Raizes

raiz

Fundo

Fundição

Religação noutro contexto!

Desconexo, copletude, inserção, confusão, solução...

Desembarque

sábado, novembro 19, 2005

período e extensão

Como dito antes. Que a vida seja mais vivida e por mais sofrida que seja, se torna mais vida.

sexta-feira, novembro 18, 2005

asfalto quente

Embarque

A vários anos vinha notando o caminhar que venho percorrendo na procura por um lugar mais aprazível. Pensei ter achado minha casa, pensei estar desamparado muitas vezes e só caminhei por inúmeros vales a procura de alguma coisa.
E por tempos pensei ter me perdido nos braços do mundo que me afagava com pétalas de rosas manchadas de sangue a qual eu deveria sugar estes corrimentos, ou melhor, os próprios ferimentos que eu mesmo tinha produzido.
Pensei ter alcançado a paz de espírito, mas o mesmo se mostrou apenas um momentâneo caminho. E corria desesperadamente, desenfreadamente aos braços de quem pudesse acudir-me em dias de tempestades. Não queria mais levantar da cama e viver – fugia da minha própria respiração, acalentando vapores escuros que inundavam minha lucidez e as lágrimas escorriam pela face cansada deste homem.
Cai e levantei trocentas vezes, pegava um pires com seiva das folhas mais amargas e bezuntava meu corpo na esperança do desprezo total e irrestrito para o mundo. Notícias iam e vinham e não parava de entupir-me de raiva e desesperança. Um pequeno homúnculo me tornei e fugindo da minha essência fui caminhando na esperança de encontrar algum tipo de veio d’água que lavasse um corpo tão cansado como este se tornará. E afim de esperar o maldito bem absoluto me reconheci novamente, me achei.
Encontrei-me onde nunca esperava que fosse encontrar. E não falo de sexo, mas sim de um conflito interno alimentado mais pelo meu medo do que por situações. Tudo podia naquele que a mim tinha ensinado a viver, a própria história de dor tinha talhado a ferro e fogo a lembrança e não mais iria choramingar pelos cantos da vida esperando o tão proclamado dia da salvação desta alma.
Ao grudar meu tempo presente na história vivida achava minha possibilidade de vida, de vitória, de saída. E do últimos dos rebentos da corja humana achei o pão que alimentará meu correr pelos campos verdejantes de nossas vidas. Caí e de uma vezes por todas esfolei meu corpo ao asfalto quente que corroía primeiramente minhas vestes e depois minha pobre carne.
Levantei nu e desperto para mais segundos e minutos. Para mais vida e conflito. Para mais dor. E como sempre digo, "que a vida seja vivida, e quanto sofrida se torna vida."
O ministério da saúde advertiu. Somos, fomos e seremos todos abortados espontaneamente! E ainda seremos todos queimados e ingeridos de volta à terra.
Assim queriam os deuses, e assim retornaremos ao útero quente e aprazível de nossas mães.
Como dito antes. Que a vida seja sofrida e por mais vivida que seja, ela sempre será sofrida.

Desembarque

domingo, novembro 13, 2005

corre-corre

Embarque
Um corre corre incompreendido na rua, e ninguém observa a candura de um olhar perdido na imensidão da cotidianeidade. É sempre assim. Todo mundo se perde no corre-corre de suas comiserações e ficamos observando apenas o próprio corre-corre dos piolhos aos nossos sujos umbigos.
O sexo. Ah!
O maldito sexo que irrompe meu sono e faz-me acordar e pedir por erupções que se enfilam na memória e as vou catalogando para quando só estiver n'algum lugar possa brincar com tais devaneios.
De memórias a lugares ainda não visitados caminho pelo pátio negro com uma garoa fina a depositar-se nas camadas mais sujas de minha pele.
Parem! Um grito surrado corre, e pede que todos parem!
por favor parem com tudo. Eu preciso de um minuto de atenção, afim de mostrar o quão cansado estou apesar de ainda respirar, gostaria de não ouvir mais o alento de meu coração que insistentemente pulsa por vida.
Eu grito agora! Morte! A mesma passeia pelos caminhos já conhecidos da espécie humana e todos nós tememos como os cachorros temem a água. E como os democratas temem a turba insadecida por nada, apenas prazer.
Um gole de pinga, branca, alva e pura pinga. Ruim! É o que resta a beber ou sentir o gosto do nada da água.
Que seja amargo ou que desça por nossas entranhas a nos rasgar de tanta feldade e assim comprimi os elementos mais básicos da unidade humana. Dor, morte, miséria,. vida.
Meu deus como é ruim. As gotas descem como se fosse lava quente queimando o esôfago e depois o colo do estomago, ou seria outra ordem? Foda-se a isto. Neste momento nada importa a não ser uma pálida possibilidade de tirar a cabeça das esperanças.
Pobre de nós que esperamos a mal grado a chegada do carteiro com novas correspondências e um novo cartão de natal.
Apesar que um final de ano se aproxima e nosa comprimimos entre tarefas e problemas para dar cabo da falsa felicidade dos dias de hoje!
Como terminar...não sei apenas inflo mais uma vez o pulmão velho de guerra, encho o copo e espero o amanhã.
Lavar roupa, cozinhar, beber, fumar, trepar, cagar, amar, fugir, dormir.
Algo disso,com um pouco daquilo, num outro lugar, n'outro momento. Por outras impressões por outras situações.
Vida sempre. Por mais vida a mesma vida se torna ainda mais sofrida! E por mais sofrer queremos e desejamos um dia não mais sofrer e sim viver um mar de rosas. Não ele não chegará e raiará o dia que ainda na mesma rotina estaremos e ainda por sexo brigaremos.
O que vale na vida? Não sei. Ereções e espamos.
Por hoje basta!
Desembarque

quarta-feira, novembro 02, 2005

Same Diference

Embarque


Mudanças

A maldita espera! A tal das frases soam sempre iguais.
O segundo plano entra em fase de gestação numa forma pra lá de um pouco mais já testada e sou a cobaia.
Sempre quando criança me sentia como um apêndice de pessoas e em certas situações estas minhas impressões tornavam-se vivas .
E não é que acostumei-me com isso. E vos digo, não é de hoje que observo isso em pessoas que tentam explorar-me. Digo sem maniqueísmo qualquer. Mas percebo.
Sim!
Indiferença pelo amor, pela tentativa de algum dia construir algo. O que queremos ouvir? Sujeiras ou pieguiçes? O amor morreu há tempos. Sepultado espera ser diluído no solo e talvez um dia renascer.
É sexo que querem? É sexo que terão e sem prendimento algum. A bucela pela buceta em sí. Não mais em relação a uma situação idealizada na cabeça de um palhaço que macaqueia por atenção.
O macaquear cansa demais o humor!
Me quer? Peça!
E se não quiseres fuja, pois engulo a cada suspiro teu os filamentos de teus cabelos mais íntimos afim de comê-los ao sorver o vinho que verte de meu corpo.
Incompreendido afim de fugir deste miserável circo a qual estamos presos.
Gritei e não... Não escutaram-me. Prenderam-se ao que tenho no meio das pernas e se assim o querem...Assim o terão.
O músculo se infla de sangue esperando mais uma gruta fria a passear. E mais outra virá. E não espero nada além disto. O amor acabou, a paixão foi morta com um balde de água que corrompeu e chama e a transformou em cinza a ser digerida por terra e há algum dia retornará a algo classificável.
Não esperam mais comiserações de minha parte. Já chorei demais por todos nós e ninguém mais merece essa cretinice.
Quer pedir peça...mas não me espere mais. Estou só. Eu com meu botões e tudo mais o que te deixa mais tesuda e molhada nestes dias. Ao caminhar forjei um vagão de trem de encontro a uma buceta molhada que me espera. Sim!
Qualquer buceta!
Critérios? Pffffffffffffff, a vida já se revestiu criteriosa demais e aonde estou? Cá estou sangrando semém por amor...Patético!
Intoxicado pelos vapores da vida. A vida deixa um lastro tóxico por mais.
Queria deitar meu pau sobre a mãe terra e verter nela homens e mulheres de verdade. Não simples arremedos de gente medrosa e sem vontade de desgustar o semén da vida.
Sim...nojo é isso...consegui!
Tenho nojo e apreço por todos. Os odeio e os amo. Aos gritos vocifero calamidades históricas e cuspo a esperança de volta às tuas vestes de uma brancura nova.
Aspiraria o ar que saí de sua falésia afim de louco ficar e nunca mais a ela retornar. Sim, raiva!
Esperava o que disto? Desta carcaça. Não ache, ou melhor se impressione. Eu sou o porco que come e sempre comeu dos restos que deixados por ti a mim me felicitavam.Quão pobre sou.
Vejo o bambolear de um quadril na rua. Gostaria de engastar-me como um carrapato naquele grande transeiro e nunca mais de lá sair. Que meu mundo fosse aquelas duas grandes maçãs de carne quente e cheirosa. De um cheiro alvo e gordo. Gostoso e grande!
Passearia pela buceta molhada enquanto a proprietária da mesma de engancharia em alguém n'algum transporte público. Na medida que a mesma fosse sendo bolinada eu iria lentamente à sua buceta banhar-me de muco, que escorrendo de sua grande falha lavaria meu pequeno corpo de carrapato. Até o momento de seu banho ao qual me prenderia em teu cu. Fazendo gozar loucuras impronuncáveis ao morder aquela carne escura entumecida em saliva.
É sexo que querem é sexo que terão.
Sim eu mudei. Não me reconheces mais...é porque ausente esteve de mim. Ao leu fiquei e esperei. Por todos vocês esperei e ganhei um grande e sonoro NÃO. Não é possível. Não o sendo, não reclame de mim. Jamais reclame deste.
Já está na hora!
A coisa verte...sem filtro algúm...ou à alguma tentativa do mesmo. Cansado e ereto. O mastro se mostra vivo. E penso no carrapato preso a uma grande bunda. Sacolejando, passeando pela cidade num lugar tão bom e cheiroso e além disso extremamente carnudo. Ao extremo da carne, pelo extremo do falo!
Ao extremo de todas as estocadas que molham a boca dos úteros.
Sexo! É isso que querem. É isso que terão.

Gozem todos e gritem pelo soar das malfadadas tentativas do amar! Amo sempre. Sempre que possível...É claro.


Trânsito


Desembarque

domingo, outubro 23, 2005

"O corpo é uma razão em ponto grande, uma multiplicidade com um só sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor."
F. Nietzsche

quinta-feira, setembro 15, 2005

ofício

Embarque


Em tempo ainda...

Há tempos atrás.

Por tempos passados.

E pelos nossos antepassados.

Por vida passada.

Por fome de vida.


Retorno a possibilidade da nudez. Há tempos não voltava a este corpo textual para mostrar-me o quão diferente as situações haveriam de produzir situações, e além disso a correria do dia-a-dia impossibilitava este exercício mais elaborado de nitidez da vida.
Escrever é um exercício imenso de uma procura por um estilo ainda inimaginável, é como se eu estivesse cego dentro de um buraco fundo na terra e cravasse minhas unhas na tentativa de sair dessa buraco, que, além de escuro é sujo e ainda por cima cego estou.
Uma luta insessante por conseguir de alguma forma trilhar um caminho único, que eu mesmo possa reconhecer como novo. E a sensação de frutração ao fim de uma torrente de palavras é tão imensa, que talvez por isso ainda exercite este ofício.
Por várias vezes saio deste corpo quando leio estes textos e parece que outro os escreve. E pior, os acho ruim, superficial, se pretendem enquanto profundo, sério, doloridos. Mas nada são que montes de frases soltas sem uma construção.
Transparência seria a bola da vez então. Em todos os campos já os pratico, penso que falte neste momento à minha escrita. Não sou transparente na escrita, quero copiar um estilo na vã possibilidade da construção do meu próprio estilo, e isso soa demasiado fraco e sem personalidade, mas sendo assim é verdade. Que posso eu neste momento? Apenas tentar, tentar e tentar mais e mais. É o que sobra de tudo. As tentativas, mesmo que falsas, são tentativas de algo. Escolhas, caminhos e esse monte de baboseira que todos estão carecas de ver e ouvir sairem de minha boca qual nascentes de rios.
Há quem procuro, para quem escrevo, há quem quero amar?
Perguntas que não param de passear pela minha cabeça.
Está na hora de mudar mesmo, e agora me digo já que estou a trilhar novos caminhos e ainda soe falso dizer certo, mas caminho com pés e mãos feito um cachorro cego. Quando é que a calma e placidez a todos atingirão? Nem devia me preocupar com isso, como no passado novamente acho que as minhas visões são as mais bonitas do mundo, que meus pobres textos os mais profundos e sangrentos e que minhas palavras cortam as carnes. Nada disso! Sou um idiota, mas feliz estou por ter chegado ao fundo do posso e cego cá estou. Calmo espero o dia raiar. Talvez assim, mesmo cego possa sair deste buraco e calmamente construir um texto que seja... a me contemplar.
Aos navegantes...Boa viagem!

Eu parti ontem, para o infinito. Levo comigo o cesto de doces e salgados. Não sei quando volto e se volto.
Beijos

Desembarque

quarta-feira, agosto 10, 2005

texto antigo "Obediência ao impulso cego", de fev/05

Embarque


"Tive que me atirar à correnteza, sabendo que provavelmente iria afundar. A grande maioria dos artistas está se atirando com salva-vidas ao pescoço, e quase sempre é o salva-vidas que os faz afundar. Ninguém que se entregue voluntariamente à experiencia pode se afogar no oceano da realidade. O pouco progresso que exista na vida não é fruto da adaptação mas da ousadia, da odediência ao impulso cego. "Nenhuma ousadia é fatal", disse René Crevel, uma frase que nunca hei de esquecer. Toda lógica do universo está contida na ousadia, isto é, na criação a partir do ponto de apoio mais inconsistente e reduzido. No início, essa ousadia é confundida com a vontade, mas com o tempo a vontade esmorece e o processo automático assume o seu lugar, e este, por sua vez, tem que ser interrompido ou abandonado para que se instaure uma nova certeza alheia ao conhecimento, à habilidade, à tecnica ou à fé. Pela ousadia chega-se a essa misteriosa posição X do artista, e é esse porto seguro que ninguém consegue exprimir com palavras, que no entato perdura e destila cada linha que se escreve."

"No seu espantoso estado atual, o homem parece ter uma atitude, a fuga `a temores, mas, o que é pior, teme os seus temores. Tudo parece infinitamente pior do que é, diz Howe, "só porque estamos tentando fugir". Esse é o verdadeiro paraíso da neurose, uma cola feita de medo e ansiedade, à qual, a não ser que queiramos nos salvar, poderemos ficar presos para sempre. Imaginar que seremos salvos por intervenção externa, quer sob a forma de um analista, um ditador, um salvador, ou mesmo Deus, é pura insensatez. Não existem barcos salva-vidas suficientes para todos, e, de qualquer forma, conforme aponta o autor, precisamos de muito mais de faróis do que de salva-vidas. De uma ampla visão e mais clara - e não de aparelhos de segurança!"

"O Homúnculo tem muito medo de ser soterrado, mas o Grande Homem espera sê-lo; o Homúnculo recusa-se a engolir um tantinho de sua experiência, encarando-a como má, mas o Grande Homem a ingere todo dia, mantendo a casa aberta para o inimigo entrar; o Homúnculo fica aterrorizado de que possa passar da luz para a escuridão, do visível para o invisível, mas o Grande Homem percebe que é apenas o sono ou a morte e qualquer dos dois é a própria prática de sua recreação; o Homúnculo depende dos "artifícios" ou do golfe para o seu bem-estar, procurando médicos ou outros salvadores, mas o Grande Homem sabe pelo processo profundo de suas convicções íntimas que a verdade é paradoxal e que ele está mais seguro quando menos defendido...A guerra da vida é uma coisa; a guerra do homem é outra, sendo a guerra pela guerra, a guerra contra a guerra, numa regressão infinita de argumentos ofensivos e defensivos."

Todos trechos extraídos de "a sabedoria do coração" de Henry Miller

...

Caminhar por estes dia tem sido uma prova alteração da minha percepção e um certo movimento de volta à meu próprio ser. Cada passo que dou recheia-se de dor, sangra e escorre rasgando mais e mais minha doce carne, mas tirar proveito disso faz a vida ser talhada e fazer algum sentido.
Buscar o sentido da vida, e buscar a dor. Sentir a necessidade de batalhar é se entregar a uma vida mais dolorosa e tanto mais gratificante e contempladora.
Estes dias tem sido de dor, lágrimas, auto-reconhecimento, abraços e luz.
Continuarei a destilar meu doce gosto pela vida, e assim a temperar a paisagem citadina com minha presença, mesmo que sufoque certas expectativas e caia de joelhos pedindo clemência. Sofrer e caminhar, obedecer ao meu instinto...a aquela voz que pulsa no fundo de meu ser, ela que direciona algumas de minhas atitudes e que todos os dias constroe os princípios do que sou, e do que hei de ser.
Vencer é perder...
ah...o senhor Miller tem me ajudado muito, a ti agradeco grande Senhor.

Desembarque

Herculano Netto

domingo, agosto 07, 2005

Pois é

Pois é
M. Camelo
Los Hermanos 4

"pois é, não deu
deixa assim, como está, sereno
pois é de deus tudo aquilo que não se pode ver
e ao amanhã a gente não diz
e ao coração que teima em bater

avisa que é de se entregar o viver
avisa que é de se entregar o viver

pois é, até onde o destino não previu
sem mais, atrás vou até onde eu conseguir

deixa o amanhã e a gente sorri
que o coração já quer descancar
clareia minha vida, amor, no olhar
clareia minha vida, amor no olhar"

terça-feira, julho 26, 2005

"Darling be home soon" por Joe Cocker

Embarque


A trilha sonora da feliz derrocada desta tarde.



Darling Be Home Soon - Joe Cocker


Come
And talk of all the things we did today
Here
And laugh about our funny little ways
While we have a few minutes to breathe
Then I know that it's time you must leave

But darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

And now
A quarter of my life is almost past
I think I've come to see myself at last
And I see that the time spent confused
Was the time that I spent without you
And I feel myself in bloom

So darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

[Instrumental break]

Darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

Go
And beat your crazy head against the sky
Try
And see beyond the houses and your eyes
It's ok to shoot the moon

So darling
My darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to


Desembarque

escorreu

Embarque

A espera do soar telefônico, algo tão distante quanto galáxias. O trinco trancado a espera pela chave correta a ser introduzido pela fresta da vida a destravar a loucura dos corações em fúria.
Horas se passaram naquela noite a qual estava deitado como morto semiconsciente a chorar por entranhas situações vivenciadas.
Inquieto, e há um comichão no pensamento me impede de pensar na rua, ou nas bolsas. Penso na chave que destravará a minha felicidade, e tão distante ela parece estar que me entrego a vastidão de uma indisposição ao respouso.
A saudade é algo que perdura mesmo quando não sabemos mais como o futuro talhará os caminhos dos próximos capítulos. Aqui ainda há esperança. E o engraçado e lembrar de trocentas situações que na qual todas são à mente chamadas pela lembrança que a própria lembrança da pessoa amada nos fez passar, ou melhor, fazer algo em tal situação. É assim com telefonemas ao sair de uma instuição qualquer que sufocasse um coração radiante, inflamado por amor. Contar os minutos, para ouvir por poucos minutos uma voz distante do outro lado, mas que semeava um jardim tão grande dentro de mim que engradecia este que vos fala. Os aparelhos telefônicos quando problemáticos passavam a serem parte reinante da ira particular de momentos nos quais eu não achasse um maldito telefone público a discar um determinado número que pós troca de vozes, perfilaria em meu ser e introduziria nele uma imensa carga de uma coisa tão boa e grande, que parecia ter comido dez pratos de arroz com feijão e pronto sairia para enfrentar o mundo de peito tão aberto, que de tão exposto aos medos alheios, tais sentimentos fugiriam da terra.
Engraçado sentir isso e lembrar como sorridente corria ao encontro de ônibus em ruas encharcadas por lágrimas e lama, afim de o mais rápido possível chegar no lugar da conversão do olhar. Do achar-se engastando-se no outro. Me sinto feliz por lembrar disso, por sentir que o amor inundou como nunca antes este individuo.
Fazendo-me sangrar de tanto amar. E correndo ao encontro de telefones públicos eu ficava como criança a correr atrás do balão que lá no céu voa, tão distante quanto o amor, mas tão lindo quanto seu voar desmedido e simples.
Eu sou aquele que amou, que se predispôs a derrubar as barreiras das situações e as próprias barreiras do ego. Aquele que chorou, resmungou, vomitou, sujou, jogou, violentou. Pelo seu próprio corpo e pela dor que sentia enquanto o vácuo me recheava.
Fui tostado num clarão de eletricidade quando coloquei-me na posição de franco atirador. E atirado a esta situação descobri braços não conhecidos, mas que eu não os sentia abraçando-me como dantes fora.
Amar e ser amado. A promessa que fazemos inconscientemente ao nascer, já que nascemos pelo fato de sído concebidos no ato do amor, da entrega total descomedida ao corpo estranho, mas esse estrangeiro nos conhece tão bem que passeia por nós a brincar num grande playground de prazer suspirando pelos nossos suspiros.
Miséria é não poder amar com todos os orgãos, necessitar o sopro do hálito que me envolve como num lençol branco, macio e quente. Envolto nesse odor adentro teu corpo quente e ele me chama, grita pelo meu nome e vou até o fim. A disposição volta, com raiva de vida de fazer tudo de uma nova forma. De procriar, jogar tudo aí, na mesa da vida num jogo de cartas cego, que escolhemos pelo tato, pela sensação mais aprazível.
Eu sou aquele mesmo, como Whitman, nú. Este sou eu. Não Herculano, Joe, Jimmy, Fernando, Gilberto, Márcio, e assim por diante.
Eu sou eu. Eu tento sempre e me rasgo de raiva por ter de acordar cedo, choro ao ouvir Joe Cocker e Elvis Costello. Eu acredito no nosso poder da diferença e para isso basta vontade. Eu sinto, luto, choro, morro, vomito. Eu vivo cada dia como uma amálgama de de dor e resignação, mas luto contra a confusão. Não quero morrer nunca e choro aqui e agora por querer me engastar a terra e virar o tudo de todos. Minhas lágrimas escorrem querendo pregarem no chão, no solo, mas não deixo. As chupo de volta a meu corpo. Se púdessem ver o que vejo agora, acreditariam que talvez a vida possa valer a pena., e faz 10 minutos que aqui sentei, sem saber o que dizer, como e porque.
Navegaria por esta canção por milênios a nunca mais me perder dela, nunca mais. A gritar como ele canta a viver como eu vivo, e a chorar como ninguém chorou neste terreno.
Que em situações meu estomago não diminuísse, que eu passasse por estas provações de vida sofrida, que nos faz amar e odiar a vida. Mas sempre na positividade, na proposição.
Proponham!
Lutem!
Eu choro pela pobreza que vejo nos olhos das pessoas e choro pela alegria dos olhos das crianças, engulo minhas próprias lágrimas sabendo que ainda não é tempo de me repousar ao solo e ruínas de carne transformar. Gritaria por oras se púdesse. E quem disse que não posso? Gozaria por oras, gozaria alegria e plantaria sementes nos lugares onde meu semém depositasse.
Eu quero mesmo! Diferença todos podem fazer e ainda bem que respiram como eu respiro, deposito em mim a minha única possibilidade de saber o que farei do meu futuro. Se soubessem o que eu sinto ao ouvir esta canção. Perdoaria todos os pecados, e que todos os fracos de espírito púdessem sentir isso que sinto exatamente neste momento que fica parado em minha memórias e mais lágrimas escorrem pela minha barba.
Eu sou um rochedo feliz! Estou feliz e quero mais e mais ficar feliz. Dêem-se as mãos e orem por nós, pelo agora. Tudo podemos naquele que acreditamos, naquele que construímos. Em nós. Oremos, lutemos pelo homens e mulheres de nossas vidas. Perdoemos à todos.
Pela vida quero gozar e me engastar nas tuas entranhas quentes a fazer do nosso untado o óleo da felicidade. Eu quero amar. Posso estar velho e piegas para isso. Daqui a semanas posso discordar destas linhas, mas pouco importa. Daqui a semanas posso estar, preso, morto embalsamado. E o que pensado, sentido tenha de ser dito e sem esferas de poluição dos diálogos vindouros. Água azul e salgada escorre de nossas entranhas minha doce querida. É o mar. A vida.
A grande canção de nossos corpos é o "big ben" (sic) que nos conduzirá ao paraíso. Me entrego, esôfago, intestinos, penis, falanges, lágrimas. Eu sempre me entrego e sofro por isso, e sou feliz por isso. Por conseguir ser o que sou, não sei o que rola agora, mas não consigo segurar nada, numa torrente a descer do morro tudo escorre me carregando e violentado meu corpo rumo ao mar, ou a um fundo de vale qualquer.
O que eu tenho? Apenas um pulmão e um coração que teimosamente bate, bate, infla se enche de ar, sangue. Que ambos se encham de força é isso mesmo, eu quero viver para sempre, não morrer nunca...

Desembarque

segunda-feira, julho 25, 2005

Insônia

sexta-feira, julho 22, 2005

Um velho

Embarque


Esvaziado

Arquiteto do fim dos dias e da comiseração. O acaso arranca meus pés do chão e num tufão carrega este corpo para longe, o mais longe dos lugares. Estou mudando, talvez retornando a algo do passado. De um passado muito distante para vocês. Onde toda a dor era sentida através da própria escolha por ela. Arquiteto, ou melhor, andarilho. Andar somente andar. Caminhos não precisam mais com força e dor serem esculpidos. Sentar e chorar pra quê? Digam-me para quê! Melhor estar a serviço da corrente dos dias vindouros. Agarrar-se a própria sorte, deixar que o mar consuma o que resta de digno e formoso de uma impressão. Que os ácidos, desencavem destas sujas carnes algo que não seja as impressões passadas e sedimentadas a meses pelo medo da minha entrega a meu destino.
Delega-se ao contexto a foice da morte dos nossos deuses. Diante deste diagnóstico idiota, vos entrego a palidez, indiferença. Não mais lágrimas.
Tive visões, que resgatava um chicote e vergastava minhas costas em sinal de entrega a meu destino. Vi também um velho cego que mostrou-me uma foto. Disse-me ele que a água da chuva tinha corroído o rosto da pessoa da foto, e que essa pessoa era eu. Que eu tinha sído corroído pelas torrentes gotas que caiam do céu.
Não chorei. Sábia o que tinha feito. Um enorme bolo juntou-se em meu estomago e de lá saí correndo. Tentando insistentemente vomitar, mas apenas saliva em forma de espuma de minha boca saía, e um fétido hálito. Ele disse que eu morreria após a saída destes liquídos, mas que renasceria se cuspisse tudo ao alto. Corri por cidades a chegar a desertos, a vastidões de terras áridas e me via na paisagem pobre. Mais magro e pobre. Sabia que morrer duraria dias e não conseguiria matar-me, pois nada havia alí a não ser terra seca. Morreria de inanição.
Quando o velho reapareceu um raio vindo do céu rasgou-me o corpo, e no sequente segundo, um calor. A descer de minha cabeça a queimar pés e mãos. Não chorei, este era meu destino. Estava feliz por entregar-me de vez, por deixar meu corpo suavemente ser carregado pelo movimento da maré.
Não havia mais estomago para lutar, pois nada mais teria de ser consumido e transformado em energia para a luta. Nais mais cansaço havia, nem fome, esperança, dor, felicidade. Transformei-me num monolíto no deserto.
Apenas algo a mostrar o que tinha sído muito gritado e pouco feito. O quão grande tinha-se transformado e vazio.
Meses se passaram. Abro os olhos e ao lado escuto o ranger dos ossos, e o descer das lágrimas. Estou num vale de lama deitado e ciente. Não há mais necessidade da ajuda e da força. Num mosaico em forma de filme vejo as pessoas passarem pela minha vida, sem pedir nada em troca, nem companhia.
Quando o antigo velho dos confins próximo ao deserto tinha mostrado a foto a mim, tinha me alertado para a própria morte. Uma morte diferente, que possivelmente se processasse por dias e por situações. Também disse do tal mangue de lágrimas. Que renasceria disso e que mudaria por nutrir-me dos alimentos deste lamaçal.
Zerado. Zero à esquerda. Gosto de lama na boca, lama salgada. Volta a chover e não mais lágrimas cairão do céu. Por mim mesmo alcunho o rochedo feliz. A rocha fria que estagnou-se em minhas lembranças a apenas compor o enterro.
Um enterrado vivo. A remoer-se dum passado distante, e que hoje arrepende-se do próprio monolíto.

Desembarque

Herculano Netto

terça-feira, junho 28, 2005

Nada

Embarque

Nada o que colocar para fora, nem vômito. Cansaço não é colocado para fora. São movimentos peristálticos da preguiça afim de morrer por alguns parcos minutos numa tarde chuvosa. O vidro escorre o semén de Jesus que escorre após ele ter espirrado sua grande mangueira verlmelha sobre todos nós.
E dá-lhe a gritaria na companhia cosmodemoníaca de transporte coletivo (Salve, Miller) e eu tento em pé cochilar por alguns minutos e mais formigas entram no vagão, pareço suar frio.
Pareço feliz?
Pareço satisfeito?
Apenas pareço e desapareço!
Precisamos todos vagar. Mas um vagar desprendido de tudo o que se busca. Tudo é inalcansável, quanto mais de tenta, mais de machuca.
Lei do minímo esforço.
Quem nos dera capacidade para que assim fôssemos. Não adianta corremos atrás de tudo. Nem mesmo vejo mais o dia passar. Dentre celas a celas vejo o alvorecer a falo como um papagaio bebâdo sem beber.
Indiferença. Talvez seja essa a chave para a passagem dos minutos.
Indiferença.
Cansaço.
Ânsia de vômito.
Tardes perdidas.
SOnhadas e sentidas.
Pútridas e feridas.
Suco gástrico
Herculano Netto

terça-feira, junho 14, 2005

tarde de filme e sol

Embarque

Uma tarde saborosamente degustada à espera da ocupação e assim meio que pego de bobeira a assistir uma romântica película o cair do dia. A reinserção dos olhares, a motivação e oxigenação dos brônquios, desobstrução da vida.
Vontades buscadas no fim daqueles gavetas poeirentas, envoltas em envelopes pardos escondendo os corações rasgados.
E tentaram ser soterrados pelas possíveis escolhas. O mosaico maluco tentam pintar, o modos se sobrepõem uns aos outros as impossibilidades de antigamente colocam-se de outra forma.Afundamos todos e deixamos o suave movimento das águas nos carregar para a infinitude da esperança e uma noite de sono mal dormida, mas sonhada, pensada, gozada, experimentada de saudade e muita saudade.
Peito cheio de ar, inflando para gritar. Um urro de raiva e alegria. A possibilidade de provar do gosto da vida.
A real vida, a substância amarga do dia-a-dia, mas saudável a quem por mais vida precisa ser vista.
Vida, vida, vida. Um amontoado de sensações à espera de conceituações e um passeio numa tarde.
despretensiosa,
instigante,
dedos entrelaçados,
bocejos,
envoltos em braços morremos e nos ouvimos. Sim! A nossa máquina encarnecida bate. E sempre espera, mesmo que caminhando a outras pradarias, o ouvido ser colado no peito para ser festejado a batimentos.
Dispostos na vastidão de lençóis usados e entalhados momentos esperam ser concluídos e talhados novos e felizes sorrisos aguardam serem acordados lindos como sempre foram numa manhã de sol primavera que nos inflam os pulmões por vontade de vida.
Saber que algo vale a pena é alimento a ser dividido entre os entes vivídos que querem lastrar suas vidas pelos verdejantes campos do senhor homem.
De volta a antiga casa?

Desembarque

Herculano Netto

terça-feira, junho 07, 2005

Teimosia

Embarque

Suando. Perdendo horário. Dormindo pouco.
Sendo expectador de um assalto. Reluzindo o canhão de aço ao meu lado brilhava insistentemente e assim ainda olhava a aquele tipo de luz.
Montes de lembranças amontoam-se na minha cama quando deito e vejo o firmamento iluminar a minha vida, mesmo numa noite escura que o que brilha é o julgamento dos gatos noturnos, lutando pelos doloridos prazeres.
O ponteiro vermelho enganador olha-me sabendo que logo cedo o estarei observando espumando de raiva, pedindo que logo a morte se abata sobre este que vos fala. Não como saída, mas paz, silêncio. Solidão.
Multivisões num diapasão noturno. Estado no qual expomos nossas vãs experiências.
Um desenho animado de criança. Olhos sendo insistentemente arranhados por pó. Um cachorro carrega um carrinho pelas pálpebras.
A mesma coisa de sempre. O mesmo cansaço. A mesma indiferença.
Subindo as escadas vejo os olhos reluzindo de esperança. Cuspo nas faces da ignorância e ânsia de vômito permeia os sentimentos e os vapores.
Álcool?
Não senhores!
Silêncio, caixa verde, livros, lápis, discos, fitas, gavetas.
Gavetas! Engavetaram nossas felicidades, dentro dela reluz, além do revólver do indivíduo desta manha, cartas, fotos, cheiros, texturas, significados.
Uma geladeira num necrotério frio e convidativo a solidificarmos um outro reino.
Cá estamos nós, sozinhos, cansados mas vivos. Latejando em vida sempre. Perceba a grandiosidade da persistência pela vida.
Teimosia.

Desembarque

Herculano Netto