terça-feira, julho 26, 2005

"Darling be home soon" por Joe Cocker

Embarque


A trilha sonora da feliz derrocada desta tarde.



Darling Be Home Soon - Joe Cocker


Come
And talk of all the things we did today
Here
And laugh about our funny little ways
While we have a few minutes to breathe
Then I know that it's time you must leave

But darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

And now
A quarter of my life is almost past
I think I've come to see myself at last
And I see that the time spent confused
Was the time that I spent without you
And I feel myself in bloom

So darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

[Instrumental break]

Darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to

Go
And beat your crazy head against the sky
Try
And see beyond the houses and your eyes
It's ok to shoot the moon

So darling
My darling be home soon
I couldn't bear to wait an extra minute if you dawdled
My darling be home soon
It's not just these few hours but I've been waiting since I toddled
For the great relief of having you to talk to


Desembarque

escorreu

Embarque

A espera do soar telefônico, algo tão distante quanto galáxias. O trinco trancado a espera pela chave correta a ser introduzido pela fresta da vida a destravar a loucura dos corações em fúria.
Horas se passaram naquela noite a qual estava deitado como morto semiconsciente a chorar por entranhas situações vivenciadas.
Inquieto, e há um comichão no pensamento me impede de pensar na rua, ou nas bolsas. Penso na chave que destravará a minha felicidade, e tão distante ela parece estar que me entrego a vastidão de uma indisposição ao respouso.
A saudade é algo que perdura mesmo quando não sabemos mais como o futuro talhará os caminhos dos próximos capítulos. Aqui ainda há esperança. E o engraçado e lembrar de trocentas situações que na qual todas são à mente chamadas pela lembrança que a própria lembrança da pessoa amada nos fez passar, ou melhor, fazer algo em tal situação. É assim com telefonemas ao sair de uma instuição qualquer que sufocasse um coração radiante, inflamado por amor. Contar os minutos, para ouvir por poucos minutos uma voz distante do outro lado, mas que semeava um jardim tão grande dentro de mim que engradecia este que vos fala. Os aparelhos telefônicos quando problemáticos passavam a serem parte reinante da ira particular de momentos nos quais eu não achasse um maldito telefone público a discar um determinado número que pós troca de vozes, perfilaria em meu ser e introduziria nele uma imensa carga de uma coisa tão boa e grande, que parecia ter comido dez pratos de arroz com feijão e pronto sairia para enfrentar o mundo de peito tão aberto, que de tão exposto aos medos alheios, tais sentimentos fugiriam da terra.
Engraçado sentir isso e lembrar como sorridente corria ao encontro de ônibus em ruas encharcadas por lágrimas e lama, afim de o mais rápido possível chegar no lugar da conversão do olhar. Do achar-se engastando-se no outro. Me sinto feliz por lembrar disso, por sentir que o amor inundou como nunca antes este individuo.
Fazendo-me sangrar de tanto amar. E correndo ao encontro de telefones públicos eu ficava como criança a correr atrás do balão que lá no céu voa, tão distante quanto o amor, mas tão lindo quanto seu voar desmedido e simples.
Eu sou aquele que amou, que se predispôs a derrubar as barreiras das situações e as próprias barreiras do ego. Aquele que chorou, resmungou, vomitou, sujou, jogou, violentou. Pelo seu próprio corpo e pela dor que sentia enquanto o vácuo me recheava.
Fui tostado num clarão de eletricidade quando coloquei-me na posição de franco atirador. E atirado a esta situação descobri braços não conhecidos, mas que eu não os sentia abraçando-me como dantes fora.
Amar e ser amado. A promessa que fazemos inconscientemente ao nascer, já que nascemos pelo fato de sído concebidos no ato do amor, da entrega total descomedida ao corpo estranho, mas esse estrangeiro nos conhece tão bem que passeia por nós a brincar num grande playground de prazer suspirando pelos nossos suspiros.
Miséria é não poder amar com todos os orgãos, necessitar o sopro do hálito que me envolve como num lençol branco, macio e quente. Envolto nesse odor adentro teu corpo quente e ele me chama, grita pelo meu nome e vou até o fim. A disposição volta, com raiva de vida de fazer tudo de uma nova forma. De procriar, jogar tudo aí, na mesa da vida num jogo de cartas cego, que escolhemos pelo tato, pela sensação mais aprazível.
Eu sou aquele mesmo, como Whitman, nú. Este sou eu. Não Herculano, Joe, Jimmy, Fernando, Gilberto, Márcio, e assim por diante.
Eu sou eu. Eu tento sempre e me rasgo de raiva por ter de acordar cedo, choro ao ouvir Joe Cocker e Elvis Costello. Eu acredito no nosso poder da diferença e para isso basta vontade. Eu sinto, luto, choro, morro, vomito. Eu vivo cada dia como uma amálgama de de dor e resignação, mas luto contra a confusão. Não quero morrer nunca e choro aqui e agora por querer me engastar a terra e virar o tudo de todos. Minhas lágrimas escorrem querendo pregarem no chão, no solo, mas não deixo. As chupo de volta a meu corpo. Se púdessem ver o que vejo agora, acreditariam que talvez a vida possa valer a pena., e faz 10 minutos que aqui sentei, sem saber o que dizer, como e porque.
Navegaria por esta canção por milênios a nunca mais me perder dela, nunca mais. A gritar como ele canta a viver como eu vivo, e a chorar como ninguém chorou neste terreno.
Que em situações meu estomago não diminuísse, que eu passasse por estas provações de vida sofrida, que nos faz amar e odiar a vida. Mas sempre na positividade, na proposição.
Proponham!
Lutem!
Eu choro pela pobreza que vejo nos olhos das pessoas e choro pela alegria dos olhos das crianças, engulo minhas próprias lágrimas sabendo que ainda não é tempo de me repousar ao solo e ruínas de carne transformar. Gritaria por oras se púdesse. E quem disse que não posso? Gozaria por oras, gozaria alegria e plantaria sementes nos lugares onde meu semém depositasse.
Eu quero mesmo! Diferença todos podem fazer e ainda bem que respiram como eu respiro, deposito em mim a minha única possibilidade de saber o que farei do meu futuro. Se soubessem o que eu sinto ao ouvir esta canção. Perdoaria todos os pecados, e que todos os fracos de espírito púdessem sentir isso que sinto exatamente neste momento que fica parado em minha memórias e mais lágrimas escorrem pela minha barba.
Eu sou um rochedo feliz! Estou feliz e quero mais e mais ficar feliz. Dêem-se as mãos e orem por nós, pelo agora. Tudo podemos naquele que acreditamos, naquele que construímos. Em nós. Oremos, lutemos pelo homens e mulheres de nossas vidas. Perdoemos à todos.
Pela vida quero gozar e me engastar nas tuas entranhas quentes a fazer do nosso untado o óleo da felicidade. Eu quero amar. Posso estar velho e piegas para isso. Daqui a semanas posso discordar destas linhas, mas pouco importa. Daqui a semanas posso estar, preso, morto embalsamado. E o que pensado, sentido tenha de ser dito e sem esferas de poluição dos diálogos vindouros. Água azul e salgada escorre de nossas entranhas minha doce querida. É o mar. A vida.
A grande canção de nossos corpos é o "big ben" (sic) que nos conduzirá ao paraíso. Me entrego, esôfago, intestinos, penis, falanges, lágrimas. Eu sempre me entrego e sofro por isso, e sou feliz por isso. Por conseguir ser o que sou, não sei o que rola agora, mas não consigo segurar nada, numa torrente a descer do morro tudo escorre me carregando e violentado meu corpo rumo ao mar, ou a um fundo de vale qualquer.
O que eu tenho? Apenas um pulmão e um coração que teimosamente bate, bate, infla se enche de ar, sangue. Que ambos se encham de força é isso mesmo, eu quero viver para sempre, não morrer nunca...

Desembarque

segunda-feira, julho 25, 2005

sexta-feira, julho 22, 2005

Um velho

Embarque


Esvaziado

Arquiteto do fim dos dias e da comiseração. O acaso arranca meus pés do chão e num tufão carrega este corpo para longe, o mais longe dos lugares. Estou mudando, talvez retornando a algo do passado. De um passado muito distante para vocês. Onde toda a dor era sentida através da própria escolha por ela. Arquiteto, ou melhor, andarilho. Andar somente andar. Caminhos não precisam mais com força e dor serem esculpidos. Sentar e chorar pra quê? Digam-me para quê! Melhor estar a serviço da corrente dos dias vindouros. Agarrar-se a própria sorte, deixar que o mar consuma o que resta de digno e formoso de uma impressão. Que os ácidos, desencavem destas sujas carnes algo que não seja as impressões passadas e sedimentadas a meses pelo medo da minha entrega a meu destino.
Delega-se ao contexto a foice da morte dos nossos deuses. Diante deste diagnóstico idiota, vos entrego a palidez, indiferença. Não mais lágrimas.
Tive visões, que resgatava um chicote e vergastava minhas costas em sinal de entrega a meu destino. Vi também um velho cego que mostrou-me uma foto. Disse-me ele que a água da chuva tinha corroído o rosto da pessoa da foto, e que essa pessoa era eu. Que eu tinha sído corroído pelas torrentes gotas que caiam do céu.
Não chorei. Sábia o que tinha feito. Um enorme bolo juntou-se em meu estomago e de lá saí correndo. Tentando insistentemente vomitar, mas apenas saliva em forma de espuma de minha boca saía, e um fétido hálito. Ele disse que eu morreria após a saída destes liquídos, mas que renasceria se cuspisse tudo ao alto. Corri por cidades a chegar a desertos, a vastidões de terras áridas e me via na paisagem pobre. Mais magro e pobre. Sabia que morrer duraria dias e não conseguiria matar-me, pois nada havia alí a não ser terra seca. Morreria de inanição.
Quando o velho reapareceu um raio vindo do céu rasgou-me o corpo, e no sequente segundo, um calor. A descer de minha cabeça a queimar pés e mãos. Não chorei, este era meu destino. Estava feliz por entregar-me de vez, por deixar meu corpo suavemente ser carregado pelo movimento da maré.
Não havia mais estomago para lutar, pois nada mais teria de ser consumido e transformado em energia para a luta. Nais mais cansaço havia, nem fome, esperança, dor, felicidade. Transformei-me num monolíto no deserto.
Apenas algo a mostrar o que tinha sído muito gritado e pouco feito. O quão grande tinha-se transformado e vazio.
Meses se passaram. Abro os olhos e ao lado escuto o ranger dos ossos, e o descer das lágrimas. Estou num vale de lama deitado e ciente. Não há mais necessidade da ajuda e da força. Num mosaico em forma de filme vejo as pessoas passarem pela minha vida, sem pedir nada em troca, nem companhia.
Quando o antigo velho dos confins próximo ao deserto tinha mostrado a foto a mim, tinha me alertado para a própria morte. Uma morte diferente, que possivelmente se processasse por dias e por situações. Também disse do tal mangue de lágrimas. Que renasceria disso e que mudaria por nutrir-me dos alimentos deste lamaçal.
Zerado. Zero à esquerda. Gosto de lama na boca, lama salgada. Volta a chover e não mais lágrimas cairão do céu. Por mim mesmo alcunho o rochedo feliz. A rocha fria que estagnou-se em minhas lembranças a apenas compor o enterro.
Um enterrado vivo. A remoer-se dum passado distante, e que hoje arrepende-se do próprio monolíto.

Desembarque

Herculano Netto