quinta-feira, março 31, 2005

segunda-feira, março 28, 2005

Exemplo

Embarque


Novamente aqui. Não quero ser exemplo para ninguém. Estou de saco cheio dessa cobrança e ter que imputar monte de merda da cabeças daquelas pessoas. Coisas das quais nenhuma eu acredito. Mas que merda!
Alguém jogue a boia. Não! Deixem-me afundar, mas não me sigam, deixem-me sozinho descer a infinitude das águas salgadas podendo assim petrificar meus olhos com a quantidade de sal que circulará por mim. Não quero ser exemplo pra ninguém. Estou farto desta mentira. Não quero plano de aulas, preparar aulas, exercícios, testes e um monte de mentiras. Farsa
Fim! Deveria parar com tudo. E o momento se aproxima e tento fugir das maneiras mais doidas, fazendo coisas que nunca faria, buscando nestes lugares coisas. Pensando em tarefas.
Não quero ser exemplo para ninguém. Na verdade quero sumir um pouco. Como no outro texto escrito a horas atrás, redução ao nada. Não quero ser exemplo...Sou incostante, irresponsável, chato, preguiçoso, vagabundo. Vejam bem eu sou, não estou...
Nem mesmo sei o que sou. Ah! Que sufoco. Parece haver trinta morsas apertando minha garganta e não consigo parar. Todas com forças de trinta búfalos a rasgar as carnes de suas prezas.
Quero parar com tudo. Não sou um exemplo a ser seguido e não quero ser. Deixem-me só. Afundando na paz das profundas e turvas águas.
Não me tome como exemplos. Não quero professar mais merda alguma, quero ficar só, caminhar sozinho e continuo afim de reduzir-me! Ao nada e adiante!

Desembarque...o mais engraçado, depois disso tudo farei exatamente a mesmas coisas de sempre. O material está separado já

redução

Embarque


Quadrado a espera do preenchimento que contemple este autor na tentativa de chegar no limiar máximo da expressão...Para!

O que um final de semana não é capaz de fazer e até que ponto isto não é uma idealização ou uma mentira por mim inventada? Desde quando ou quem disse que a tempestade passou?
Reduzir-se a nada, a um amontoado de sensações que borbulhando faz agitar meu espírito. Reduzir-se a nada mesmo. Sumir na vastidão deste mundo. Caminhar sozinho apenas a ouvir minhas comiserações de sempre. O diálogo entre eu e eu. Solidão verborrágica rumo ao sul às terras nunca antes visitadas por mim. Ir a Patagonia. De lá observar todo o continente do ponto mais ao sul do mundo continental ecúmenico.
Fugir um pouco disso tudo. Encerrar uma fase. Sinto-me indisposto a continuar carregando tudo, a continuar sustentar esta cadeia infantil de miséria e pobreza humana. Quero mais de tudo e de mim mesmo e ao mundo um grande foda-se. Além de apenas cobrar nunca deu nada em troca a não ser dor, solidão e um enorme bolo fecal que todos temos de cortar um pedaço mastigá-lo e digerí-lo solitáriamente.
Fim! Poderia de tudo com tudo dar um fim antes que o tudo dê um fim neste idiota que vos digita, fala, vomita, cospi, caga, goza, chora e sustenta seu próprio algoz. A imunda e idiota necessidade. Devia dar uma banana à necessidade e me jogar no fundo do posso. Reduzir-se ao nada e de lá voltar mais forte e mais resoluto. Me jogar com os dois pés no reino da construção do futuro que contemple a este eu que a regozijar fica a importunar com um comichão que não sei explicar e nem de onde vem.
Nada do hoje me felicitará ao menos com os dois pés no reino das situações já estou. Ao menos sei que nada mudará e que continuarei a resmungar maldizendo a toda idiotice fantasmgórica que as pobres criaturas criam de si mesmo.
Espirro, escorre, tosse, pigarro. Garganta arranhada, nariz vazando. Foto 3x4 a R$ 6,00 chinelo de dedo olhares pela vitrine e bolsas de tira colo sendo sustentadas por fios de nylon gelo. O sonho com um filho da puta qualquer que noutro dia testemunharei a todos. Gosto de pasta de dente na boca conjuntamente com a lingua roçando o céu da boca e os próprios toques nos rosto recém barbeado. Mãos lisas e unhas roídas arranhando espinhas crescidas no couro cabeludo a sangrar ao serem espizinhadas e dá-lhe espirros e corrimentos nasais e ainda incertezas vontades fome falta de ascentuação ou acentuação tarefas a serem encaminhadas resoluções cheiro caminhos e mais predisposição ao estático...Chatice! Queria mais um monte de dias para traçar uma viagem ao meu eu. Levaria quilos e mais quilos de livros e a todos eu os comeria engordando mais e mais afim de morrer e nascer novamente com quilos e quilos de conhecimento pronto a jorrar de meus poros.
Reduzir-se a nada! A centímetros. Ao fim, cá estou eu na tentativa de reduzir-se a nada afim de de ser o tudo!

Caio fora

Desembarque

quinta-feira, março 24, 2005

Sonhei!

Embarque


Sonhei! Mas de um jeito diferente, realmente um sonho diferente. Recordar anos num espaço de minutos, ou sabe-se lá se foram horas...mas o engraçado é que foi um sonho de quinze dezesseis anos atrás. Coisa que nunca (ao menos que me lembre) ter acontecido. Sonhava com a imensidão de situações que se constroem no hoje, com o contexto de atuais situações, mas nada de tão distante tinha me encarcerado a mente.
Retorno aos meus onze ou doze anos. Estudante relapso mas quieto, ficava sempre do lado da parede da sala de aula. Não gostava de ficar sentado junto a janela nem ao meio da sala, tinha de ser na fileira junto a porta. Na janela o sol de março e abril me torravam os miolos. No centro da sala o que me torrava era a sensação de ser por todos observado, do primeiro fio de cabelo aos calcanhares, seria um cárcere ali ficar.
Meses sempre andavam e eu alí junto a parede. Às vezes desenhava um homenzinho e ficava a conversar com ele, imaginando querer estar noutros lugares mas não naquela sala de aula com aqueles paspalhos fracos, vís, feios e miseráveis digo de coração até porque eu era muito do miserável, sem trocados para o lanche, e que sempre trocava de camiseta com minha irmã que chegava mais cedo da escola, para retornar à mesma com uma vestimenta que tinha saído dali a pouco. Necessariamente era bom, minha irmã cheirava bem e eu ficava com seu cheiro talvez para ela não fosse tão bom assim. Mas eu tinha apenas meus onze anos...não fedia só quando no pátio corria de um lado a outro...mas isso já é uma outra história.
Sempre a conversar com meu boneco imaginário. Sempre só, a revelia da matéria, dos professores (tirando uma em especial), enfim de todos que se prostravam naqueles dias naquelas salas suarentas com seus rostinhos prontos a receberem a enchurrada de merda que todos aqueles velhos e velhas (tirando uma em especial) vomitavam em nós.
O mais legal eram os intervalos. Correria geral. COMBATE!
Eu, Rogério, Israel, Rogerinho, Eduardo, Hugo blosta, Sydnei Magal, Ninho, Fernando, Angelo Neguinho, Rodrigo blue, Alex laranja ou goiaba e mais uma monte de vagabundos a correr no pátio de cima a abaixo colocando o inspetor de alunos à loucura...como era o nome dele mesmo...chamavam-no de Cirilo anos depois por causa de uma novela que não lembro o nome...foda-se.
Era o único momento que realmente me sentia junto daqueles paspalhos. Todos idiotas...mas voltando ao sonho, tinha um tachinha filho da puta folgado que sempre pendurava em mim para me achincalhar. Eu deixava afinal de contas seu irmão mais alto, forte e já fumava cigarros na porta da escola. Sempre ao entrar o pirralho vinha em mim na tentativa de arrancar alguns trocados ou meu lanche ou algo de valor que aquela barata ambulante desejasse. Seu irmão sempre a rir com seus cupinxas e eu a pedir encarecidamente por paz e bla bla bla.
- Sou pobre também, tá vendo esta camiseta? Perguntava eu.
- Sim, respondia o pirralho aos olhos do irmão.
- É de minha irmã, não tenho nem roupa para vir à escola. Retrucava eu com firmeza na tentativa de que eles simpatizassem comigo afim até mesmo de chamarem-me a sua gangue.
Quando esta frase pronuncie cairam no riso e recomeçaram agora todos a vomitarem frases que de tanta raiva eu nem mais ouvia. Chamaram-me de mulherzinha, puta, viado.
Não me lembrava de muita coisa até mesmo porque meu sonho recortou tudo e remoldou a história.
Falavam eles. - Que viado vem com a roupa da irmazinha! Bixa, bixa, bixa! Em coro mal orquestrado a cantar à todos na entrada do EEPSG Indiana Zuicher Simões de Jesus.
Meu sangue subia como fumaça de uma chaminé que queima carvão afim de derreter alguma matéria prima e tinha a impressão de meus olhos fulgurarem sangue. Aproximei do cupinxa pirralho e desferi um canhão em seu estômago. De repente todos pararam de rir. Já não era mais uma tarde e sim uma noite chuvosa e eu estava só na mesma entrada da escola mas com todos os cupinxas olhando a mim.
Corri, parecia que corria de uma vastidão de insanos que queriam arrancar minhas vísceras. Corri como se nunca tívesse corrido. Corri tanto que ao acordar cansado estava. Entrava em vielas, ruas, campos de futebol, terrenos baldios e nunca conseguia me desvencilhar do pirralho seu irmão e dos demais cupinxas de sua gangue.
De repente estava numa linha férrea suplantada por apenas dois fios a uns vários quilômetros de altura e me cagava de medo pois apenas os via lá embaixo a minha espera. Pensei comigo mesmo do tanto medo que tenho de grandes altitudes e caísse iria morrer de um ataque fulminante do coração. Assim os via caminhando seguindo-me lá debaixo e eu andava sobre os dois fios chorando por estar ali e por ter desobedecido minha mãe. Ela sempre a mim falava. - Não fique na porta da escola meu filho.
E lá estava eu me dependurando sobre dois fios finos que ainda eram os trilhos de vagões da morte. Senti ódio de mim mesmo e ao rastejar o medo comia meu estômago corroendo com o sulco gástrico meus pulmões, coração e fígado. Que fazer numa situação dessas?
Não saberia dizer, apenas rastejava e pedia a Deus que não enviasse composição alguma a lugar nenhum. Dito e feito lá vem o grande trem vermelho destinado a estação Luz. Vejo o pátio do Bráz, sendo assim estou nas alturas do Bráz.
Os cupinxas a me observar parecem cachorros famintos loucos por carne podre e a composição se aproxima não sei o que fazer. Segundos se passam mas vejo o tempo passar vagarosamente e num movimento tento alçar-me a um edifício a minha frente. Me jogo naquela direção bato com a face no prédio e vou escorrendo rasgando meu maxilar e o deixando igual a uma pintura vermelha no prédio.
Caio lá de cima e ao chão chego exausto e com os cupinxas a meu encalço. Me entrego ao fim das pernas. Por fim sou golpeado pelas costas e socado até o fim das gotas de sangue, tento desferir alguns golpes mas como um bêbado vejo meu braço se movimentar vagarosamente e recebo no estômago um mexilhão de dor que me faz ao chão cair.
Sou socado. Esmurrado como um saco de estopa que brincava quando era criança. O cupinxa menor fica a me importunar os ouvidos enquanto seus capatazes fazem o serviço sujo.
De repente não mais alí estamos no chão empedregulhado da linha férrea. O jogo virou...lembro de mim e de meu amigo negro Rogério a socar um louro folgado que não nos deixava brincar no pátio. Vejo os cupinxas na entrada do prédio a observar-me novamente, mas é outra ocasião.
Rogério passa uma rasteira no louro, e ele despenca no barro vermelho seu amigo tenta fugir mas eu o agarro e de costas ele fica a mim. Tento desferir alguns golpes em seu rosto, mas apenas atinjo sua cabeça. Ele começa a chorar copiosamente chamando por sua mãe. Neste momento eu congelo e lembro da minha mãe. Solto o pequeno rapaz e o deixo correr descendo a enlameada rua. Chove torrencialmente e Rogério esmurra o outro louro rapaz. Olho ao lado e os cupinxas da gangue choram também como se suas mães estivesses mortas e o pirralho menor num rato se transforma e a mim mostra os dentes. Tenho medo, mas grito a ele com toda a força de meus pulmões e caio sobre ele arrancando sua cabeça e rasgando seu corpo. Não mais grande sua gangue parece e minha mãe vem a meu socorro a num passe de mágicas volto a lembranças de minha vida num outro lugar cortinas que hoje são colchas de cama.
Sou o mesmo. E tudo parece tão estranho. Caminho pelo antigo apartamento medindo os locais onde vivi quando pequeno e tentando lembrar de como foram aqueles momentos, deito num sofa na sala e sinto meu corpo desfalecer e a pedir outro sonho no mesmo sonho. Lembro quando jogava bola na quadra junta Câmara dos vereadores e um grande cachorro correu atrás de mim e pulei no colo de meu pai que destrinchou o dono do cachorro verborragicamente.
Retrocedi anos em minutos. Talvez a me esconder dos sonhos que me inundam sempre.
Continuo a ser eu mesmo...desconexão de experiencias passadas, reconexão de dores vivídas.

Desembarque

terça-feira, março 22, 2005

Novamente a nos envolver e talvez para sempre descompasso

hello, goodbye

Verse 1:
You say Yes, I say No
You say Stop but I Say Go, Go, Go

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, hello hello
I don't know why you say goodbye
I say hello

Verse 2:
I Say High, You Say Low
You Say Why and I Say I Don't Know

Chorus:
Oh No
You say Goodbye and I say Hello
(Hello, Goodbye, Hello, Goodbye)
Hello, Hello
(Hello, Goodbye)
I Don't Know Why You Say Goodbye I say Hello
(Hello, Goodbye, Hello, Goodbye)
Hello, Hello
(Hello, Goodbye)
I Don't Know Why You Say Goodbye I say Hello
(Hello, Goodbye)

(Why, Why, Why, Why, Why, Why Do you Say
Goodbye, Goodbye, Bye , Bye , Bye ,Bye, Bye)

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I say Hello

Verse 3:
You Say Yes (I Say Yes)
I Say No (But I May Mean No, I can Stay Till It's Time To Go)
You Say Stop
And I Say Go Go Go

Chorus:

Oh No
You Say Goodbye and I Say Hello
Hello, Hello
I Don't Know Why you Say Goodbye
I Say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I say Hello, Hello, Hello
I don't know why you say goodbye
I Say Hello OOOO OOOO OOOO OOOO HellOOOO

Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
Hay La, Hey Hello-a,
O refúgio é a solidão.

segunda-feira, março 21, 2005

Perguntas e respostas, perguntas e respostas

Embarque


Num momento no escuro nunca tinha visto tanta luz a escurecer-me a vista de tanto iluminar e de tanto cegar a fazer meu coração pulsar mais forte do que mil bate estacas que se fincam ao solo para a fundação se estabelecer e assim segurar edificios mal construídos.
A garganta rasgando a cada descida de saliva lembra-me de que eu também por várias vezes gostaria de despir de mim mesmo, e por várias vezes eu sonho com a derrocada do ocidente que infla os pulmões a pedir por férias e um pouco de oxigênio vendo a ruína se transferir dos sonhos para as nossas vidas.
Também cansei de ser eu mesmo no sentido de semear ainda neste corpo a lembrança e a esperança de que dias melhores virão a garganta arranhada me lembra que não e joga este corpo de volta ao chão na esperança de acordar deste espécie de transe.
O ponteiro vermelho não cessa de estacar em a lembrança de que o tempo está passando e talvez assim eu consiga ultrapassar estes obstáculos e não mais adubar, semear, esperar a bonanza.
Me acostumei com o silêncio como prova a ser usada contra mim mesmo e quanto a isto estou vacinado e ciente da fraqueza do mundo e da impossibilidade dos vôos. Vácuo e silêncio são morte duas categorias provadas por mim sempre. A bem dizer muitas vezes pressenti a morte sendo provado com a argumentação do vácuo, silêncio. Eu sei.
Perguntas e respostas, perguntas e respostas mas nada certo a não ser o medo, fraqueza e ainda esperançar.
Nada disso! Caminhar. Voltar a trilhar, ou melhor, a ser o caminho da luta transformando-se no que eu mesmo sou. O caminho.
Sou o senhor da minha felicidade, talho em mim todos os dias a lembrança das minhas possibilidades e da força que jaz neste corpo.


Desembarque

domingo, março 20, 2005

Abdicação

Abdicação

Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mão viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa — eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços

Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
Deixei-as pela fria escadaria.

Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia.


F. Pessoa

segunda-feira, março 14, 2005

sal e pús

Embarque

A quantidade de porcaria ouvida n'algumas horas de uma simples entrevista de emprego enoja pulsa e faz ranger meu dentes na impossibilidade de virar minha mão na cara de um ser que de tão infeliz conserva em sua mesa uma foto com um estadista que como outros busca saídas no uso da retórica vazia e verborragia populista.
Impulsos sanguinários de um jovem descalço pisando sobre cacos de vidros que ao fincarem em sua pele transformam-se em pregos chapinhados de pús que escorre pelas bocas e gargantas sujas tornando imagens de sereias nuas capturando piratas em alto mar à beira da loucura aos pés de uma ilha de sal.
Capturar imagens do passado ressignificá-las e partir a frente de peito aberto recosturando as feridas e esperando que novas sejam rasgadas.

Dias e mais dias se passam, horas minutos feridas. Tudo escorre como pús vertendo de uma nascente de carne ou lava que desce de um vulcão prestes a explodir.

Desembarque

sábado, março 05, 2005

whitman

Quando em teu colo deitei a cabeça, meu camarada,
a confissão que fiz eu reafirmo,
o que eu disse e a céu aberto
eu reafirmo: sei bem que sou inquieto
e deixo os outros também assim,
eu sei que minhas palavras são armas
carregadas de perigo e de morte,
pois eu enfrento a paz e a segurança
e as leis mais enraizadas
para as desenraizar,
e por me haverem todos rejeitado
mais resoluto sou
do que jamais poderia chegar a ser
se todos me aceitassem,
eu não respeito e nunca respeitei
experiência, conveniência,
nem maiorias, nem o ridículo,
e a ameaça do que chamam de inferno
para mim nada é, ou muito pouco,
meu camarada querido: eu confesso
que o incitei a ir em frente comigo
e que ainda o incito sem a mínima idéia
de qual venha a ser o nosso destino
ou se vamos sair vitoriosos
ou totalmente sufocados e vencidos.

Walt Whitman

quinta-feira, março 03, 2005

espinhos

Embarque


Perfurado e sangrando caminhando dentre as densas matas a procura de um tesouro. Escavo com minhas mãos o úmido terreno e as camadas de terra depositam-se em minhas unhas enegrecendo-as. Tentando sugar a última gota de água que verte de uma folha espinhosa.
Rasgo minha lingua e o sangue escorre dentro de minha boca, sinto o gosto do ferro que tempera tal substancia e desce pela garganta queimando o cano corpóreo que compõe estas cinzas como um pouco de sémen bebido por uma virgem louca extasiada numa cama de motel qualquer pedindo por mais rigidez fálica.
Suplicando a morte talho em meu corpo a ferida e cicatrizo-a após segundos. Eu tenho o poder de esculpir meu destino. Sou senhor. Deus. Rei. Escravo!
Traduzo minha dor numa nova lingua, um novo testamento. Uma coisa nunca d'antes sentida por ser algum, cumpro meu dever nestas terras. Achei meu tesouro!
Deposito-me sobre as cinzas de indios e indias suplicando pela forças de suas vidas. Já me abasteci e de suas fezes, retiro todos os dias os alimentos necessários a composição de forças.
Uma nave pousando loucamente sobre seu ventre, enquanto o universo se espande dentro de si. Reduzo a vida a espamos sexuais e jorro dentro de ti uma mangueira do amor, temperando suas carnes com minha lingua e meu sabor.
Cuspo a alegria dentro de seu corpo, e meus olhos refletem o poder de meu falo em riste, posicionado estrategicamente a ser estocado em nossos vãs devaneios por noites regadas a vinho drogas e tudo mais que queira compor tal exploração.
Sugo teus liquídos afim de sacear-me e bebendo suas entranhas fazendo das suas as minhas e vice-versa construindo o amor de nossas vidas e estabelecendo a linguagem do amor mais puro e sujo que pudemos provar a liguagem sexual carnal.
Trepar, foder, amar, gozar. Despejar dentro da boca dos úteros em fúria uma carga elétrica de vida e força e arquitetar por entre anos os próximos e morrer por entre dias a morte vivida provada a segundo de minhas lembranças
Morreu?
Sumiu!
Dialogar com o vazio dentre todos à nossa volta, percrustando cada olhar sem observar extrair do silêncio a verdade que regrará os próximos tempos e caminhar a algum lugar de lá esplanar para as rochas todos os itens de minha história. Cair numa fogueira e deixar queimar até as cinzas se reajuntarem e novamente ser alguém.
Morrer! Rasgar estas carnes arrancando a universo cósmico que se funde a outros. Basta!
Basta!
Lágrimas escorrem e caem na pia e na talharia amontoada esperando uma simples lavagem as caixas de som gritam e não escuto o silencio grita mais que todas as bombas nucleares a disposição das coisas nada diz a respeito o vácuo está vivo mais que nunca. Cumprir a tarefa e gozar como um cavalo extasiado por sua égua e depois correr ao abismo e de lá encontrar seu próprio eu nas afiadas rochas que prostadas lá embaixo o esperam.

Desembarque

terça-feira, março 01, 2005

64 a 60

Embarque


Queria poder deitar sobre teu colo quente e afundar meu corpo sobre o teu até que numa simbiose fossêmos um. Una e indizível sensação de estar em casa, onde tudo é conhecido e caminhado por entre caminhos que sempre tomam novas formas.
Queria poder penetrar em teu cheiro e persegui-la sempre que possível afim de nunca mais desgrudar de suas entranhas tão bem perfumadas e doces, fluir a vertente de sua vida e por lá viver para todo o sempre esculpindo em rochas nossos útensilios para uma vida de prazer.
Ontem eu sangrei, reabrindo as cicatrizes e ferindo-me ainda mais, esperando pelo dito, palavras que nunca virão. É assim mesmo. Feridas cicatrizarão.
Mares de flores mortas esperando o tão aclamado fim coletivo.
O inverno se aproxima e congelará tudo, nossos suprimentos e nosso amor.
Tentar fugir? Pra que? Encare-o, e faça desta situação a provisão de suas forças.
Caminhar todos os dias pisando sobre cacos de vidro que se prostam no meu caminho e ainda uma espera louca por algo que nunca virá.
Resignar-se, a palavra de ordem. Renúncia a um direito.
Prover a certeza dói. Viver a certeza rasga. Dilacerá meu corpo e nascerei das cinzas.

Corra! até que nossos pulmões explodam no infinito destas terras emersas e assim possamos morrer cansados destes teatros de fraquezas.
O tempo passa, a situações mudam e os toques precisam ser mudados. Não adiantará a reprodução de sensações. Passou! Passou! Passou! Foi.
Sumiu no deserto do medo, impossibilidade, miséria, fraqueza.
Deixei-o curtir no mais puro elixir da vida. Unte nossos corpos com o liquido que escorre de nossas entranhas felizes quando nos tocamos.
Sexo! Vida! Amor!

Desembarque