terça-feira, janeiro 31, 2006

rochedo

Embarque


Nos momentos críticos de minha vida o desespero sempre pareceu ser a porta mais saudável a ser usada, sabia que não sairia ileso de coisa alguma, mas me refugiava no próprio silêncio e no escuro que meu quarto proporcionava e ali ficava deitado sempre. Fraco que era, e não digo que sou forte, ficava escondido da vida apenas observando o correr das lágrimas pelo meu rosto. Nestes momentos nada podia inflar meu peito e dizer que eu podia ser feliz, nada mesmo, e além disso sentia uma tal fuga de mim mesmo. Um enorme vazio, um tal de sem porque se estacionava no tronco central de meu corpo e não conseguia respirar direito. Engolia doses e doses de algum destilado que me golpeasse e eu caísse no ringue de minha cama a não mais levantar por algumas horas.
Dias se passavam e ficava ali escondido, bebendo dos meus demônios e suando de raiva por responder assim à vida.
Engraçado como o amor nos fornece um zilhão de possibilidades mas quando a outra porção de amor sumia do horizonte como sós ficávamos a bebericar fortes doses de tristeza e isso ia secando a coisa dentro de si...Ou não.
É difícil falar de tudo isso e sentir tudo isso.
Não consigo olhar ao passado e Ter uma boa visão das minhas fugas, sempre fui fraco e mentiroso comigo mesmo, rogava que o que fazia naquela situação fosse estancar o rio de sangue que corria do meu peito, e não digo uma coisa subjetiva cagalhona, eu digo que escorria litros e litros de meu sangue eu os via quando me olhava ao espelho com receio de não conhecer aquele ser. E o conhecia, mas uma face que a tinha conhecido a muito tempo passado, a qual sentia algo parecido com o liquor da tristeza que é servido em algum bar n”alguma situação da vida.
Neste momentos críticos eu mesmo ficava a maldizer minha própria história e maldizia o que tinha feito, mas sem forças não conseguia transformar as situações, e nestes momentos mais infelizes tornava a fugir, por ser um arremedo de mim mesmo, alguém que eu não conseguiria reconhecer.
Sei que sempre que sentia um “quê” de atração por alguém eu me entregava a este, e depositava nos dias o horizonte de construção do tal propalado amor, mas quando o tapete era puxado e eu ficava no centro do picadeiro sozinho como um palhaço sem público eu chorava, esperneava e ria de mim.
Não quero mais ficar desse jeito, e não ficarei. Eu amo é verdade.
E as conversas duras tem sido costumeiramente colocadas em pauta. Mas sei como sou, procuro um abrigo a meu eu mais íntimo e quero ser abrigo a esse você.
Eu preciso de paz tranqüilidade e serenidade, tudo já foi muito caótico nessa vida, eu mereço um pouquinho de paz, mesmo que sozinho, mesmo que se a solidão se abater sobre mim passarei a ela ileso e não quero desferir golpes a ninguém e nem a mim mesmo. De tudo que quero é paz nada além de paz e correr. Correr como se fosse me jogar do desfiladeiro e voar ir para outro lugar.
Pois eu acredito sim, continuo a acreditar não sei até quando, mas continuo e me talho de restos de madeira e as farpas entram em minha pele, mas corro mesmo assim.
Tenho a impressão de ser a maior concessão de felicidade que já puder ser, o passado também me assombra, mas não vivo dele. Eu sou muito estranho, talvez devesse sentir mais medo que muitos outros sentem, mas não sinto, parece que sempre estarei pronto a pular do desfiladeiro. E não me entendo as vezes, porque também lembro de como tudo me afundou, mas não parece nem um pouco, ou melhor nada de quando estou perto...
Parece que eu sinta essas coisas me assombrar pra me fazer jogar a frente. Eu sou estranho, talvez uns digam que posso ser impostor e mentiroso e outros eterno coração que se doa. Escolham! A alguns sempre serei um talho que verterá sangue quando me aproximar e a outros um enorme músculo que pulsa por alegria e esperança...Eu não penso muito a respeito, resguardo o direito de apenas sentir um quê de alegria e sim...Sim!
Mas deveria temer e não temo. Todos temem eu também, mas disso não. Sei do assombramento do passado e não digo isso apenas em relação ao externo, mas sim também aos mecanismos internos. Aos modos como reagi no passado são cortinas sujas e não as quero mais em minha casa, mas elas ficam como lembranças de coisas passadas, mas sinto que consigo retirá-las das janelas e ver o sol que doura minha pele e me faz andar.
Talvez eu devesse...Ou não...Sei que sinto, mas as condicionantes...Meu coração sente e meu peito arfa...O passado é bom e ruim...Lembranças são vestígios de lágrimas, mas não apenas disso, digo e reafirmo...Eu corro, corro muito e tudo mudou como nunca pensei que mudaria, vejo mesmo a diferença, em mim e nos outros e complicado que é, ainda idealista que sou, deposito a minha maior fuga para a felicidade naquilo e sei que soa assim apenas a mim, e por isso devesse sentir medo, o medo faz bem...Não sinto muito medo e me dá uma grande força e não quero que esta seja o algoz de minha partida a outros rumos. Essa força que sinto. E não devesse ser tão forte.
Falam de calma, ou que cada dia a mais é um a menos para o encontro acontecer. Não quero mais saber de nada disso, apenas de algo que me guie a minha paz, quero me repousar e repousar meu amor mesmo que só.
Eu preciso de paz, a tormenta já atormentou-me demais quero só deitar minha cabeça ao rochedo do desfiladeiro e depois pular.


Desembarque

sexta-feira, janeiro 27, 2006

sopro de vida

Embarque

Como começar...a falar? A começar essa coisa?
Bem não sei...fico a pensar em coisas, muitas aliás. Uma infinidade de lembranças e como dito pelo 2046, “lembranças são vestígios de lágrimas”. Eu discordo. Não apenas isso. Se não viajaria noites a pensar em coisas boas. Não penso apenas em lágrimas. E elas já rolaram demais das faces de todos nós. Não quero mais isso. Ninguém merece.
As lágrimas escorrem em momentos difíceis é verdade, mas nem todos os momentos precisam Ter o caráter de momentos passados, simplesmente assim.
Tudo muito simples eu sei, mas eu sou isso. Direto, transparente e afeito a construir e as tentações. Eu sou a tentação mais louca que já provaram e sei qual a quantidade de peso que isso demanda. E tudo demanda uma força específica, enfim tudo demanda esse tipo de esforço, ou qualquer tipo de esforço.
Eu sinto um esforço inconsciente de meu corpo um sopro que vem de dentro e não consigo controlar e ele me controla, me quebra se faz de bom e é bom.

Desembarque

terça-feira, janeiro 24, 2006

Seu...Ele mesmo!

Tive razão

Seu Jorge

Tive razão
Posso falar
Não foi legal, não pegou bem
Que vontade de chorar, dói
Em pensar que ela não vem, só dói
Mas pra mim tá tranquilo, eu vou zuar
O clima é de partida, vou dar sequência na minha vida
E de bobeira é que eu não estou,
E você sabe como é que é, eu vou
Mas poderei voltar quando você quiser.
ô ô ô ô ô ô ô ô, lá lá lá...
Demorô vai ser melhor...

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Este corpo me faz verdadeiro. Ele é. Em Ponto Maiúsculo sendo.

Embarque

Fome.
O estômago aponta sua necessidade e meu corpo respira na sua presença, se faz livre disforme e reinventa sua própria espacialidade, se compraz em ser tocado tão sublimemente. Respira e infla de ar com ardor por viver.
Um corpo respira. Ali, escondido dos olhares, ele respira se mistura aos lençóis lavados já de outros corpos, solitariamente este corpo se entrega e sonha com outro. Este corpo nu, suado e dentro dele vai crescendo uma coisa que não sabe explicar. Ele sonha e cresce, mexendo-se a cama retirando os lençóis das dobras as refazendo em seu corpo nu. Este corpo nu doura-se ao contato com a luz e muda com os toques certeiros. Toques certeiros toques e uma mão escorrega com propriedade por este corpo nu. Apega a sua propriedade de vida e se compraz a perceber certas mudanças. Este corpo e fome. As serpentes.
Este corpo imperfeito, disforme, incompleto e disposto, posto é composto de carne. Este corpo sujo e entregue aos prazeres de sua mente. Este corpo não dorme nem repousa se entrega a seu cúmplice com leveza. Este corpo nu suado e sua caixa registradora que capta as nuances deste corpo. Este corpo alegre quando entregue e leve quando cansado, se entrega ao luar, a dor, a morte, e aos toques próprios dele. Este corpo é tocado pelo próprio corpo que o conhece como ninguém e a este corpo revive ali o passado. Este corpo solitário corpo que se compraz a ser um corpo nu e solitário numa cama onde os lençóis reinventam suas dobras neste corpo e desprendem-se da cama se prendendo as dobras e aos movimentos deste corpo nu.
Este corpo sente raiva e ama como um corpo, não qualquer corpo, mas este corpo. Sim ele! Apenas ele faz e refaz movimentos e sente novamente como se fosse verdade o toque neste corpo. Este corpo nu caminha pelas planícies entregues ao forte sol e ao rachado chão e tenta encontrar um esconderijo nestas rachaduras destes corpos, mas soube ele que nenhuma rachadura desta será sua casa, pois casa mesmo é seu corpo e neste corpo ele se encontra sem precisar de fechaduras. Este corpo corre como um animal solícito por enlace que corre buscando seu parceiro, e , pensando se achar noutro corpo se perde mas é deste corpo se perdendo que este corpo precisa e este grita com sua caixa registradora. Este corpo não foi alfabetizado ele não sabe que a vida dá e toma e que possivelmente já tenha tido a sua oportunidade, mas...Este corpo não se entrega tão facilmente e luta contra si. E para este corpo se o silêncio se abater ele se abre e grita a plenos pulmões marcando o que é mais corpo e reconhecível de si. Que ele é corpo de alguém, e por alguém advoga o corpo. Seu próprio corpo. Este corpo nu que muda de tamanho com o pensar. Para este corpo eu saúdo e lhe entrego uma taça de vinho para este corpo banhar-se afim de mais saboroso ficar. Este corpo sente e exala o perfume quando sente os sublimes toques. Este corpo não foge nem do frio pois sabe que ao passo que as correntes frias o percorrerem serão acalentadas e esquentadas nestas dobras.
Este corpo é de aço. É de carne. É de pedra. É de um músculo ou vários pulsantes que transformam este corpo em corpo nu e afeito por vida.
Eu sou este corpo e luto por este corpo sinto por este corpo e choro por este corpo lambo este corpo e beijo este corpo. Este corpo sou eu. Entregue, destravado, aberto, nu, solícito, pedinte.
Este corpo, aquele. Um em milhar a sonhar com sonhos.
Eu inflo meu peito e vocifero aos ouvidos dos miseráveis a vida que eles não enxergam grito pelos quatro cantos do universo o que mais me faz verdadeiro...mas eu não sei o que me faz verdadeiro.
Este corpo me faz verdadeiro. Ele é. Em Ponto Maiúsculo sendo.

Desembarque

Dias chegam, dias passam, dias correm.

Embarque

Dias chegam, dias passam, dias correm.
Vejo tudo correr ao largo passo dos dias, escorro por entre meus próprios dedos, e me refaço de rocha para encarar as ondas que querem destituir-me do que sou. Me encaro num espelho que despi no passado as minhas vestes, e eu mesmo não sei mais de mim e não me preocupo muito em cobrar isso. Ontem eu senti novamente aquele grande sopro de vida, e admito corri como um louco fugindo deste sopro estranho que conduzia ao paraíso.
Tinha raiva de como tão facilmente este vento me levava, esmurrava as paredes e queria enfiar minha própria mão na garganta e arrancar este colérico sopro de vida que envolvia-me nestas situações.
Não faço mais planos, tudo vai correndo e o tal sopro volta, e vai mexendo com minha boca. Quando o encaro, está fazendo eu de aberto corpo estendido esperando por este vento.
Os dias correram muito rápido as lágrimas secaram o contexto condiz contra, e o espetáculo acabou. Por tudo que rogo de mais sagrado sem mais espetáculo por todos nós. De muito mesmo, mas muito mesmo tempo passado, hoje me apego ao que sinto de verdade, e sei que sou um turbilhão de substâncias e sentimentos, e quando o desespero tenta acorrentar-me, dou um grande suspiro me encho de ar e pulo. Caio na água fria e salgada das minhas próprias manifestações comiserativas, mas sou eu e tão familiar que são tantas estas eu as manipulo, respiro mais fundo e mergulho a metros ainda da posição que estava anteriormente.
Eu sou isso, uma coisa assim sem explicação sem fim nem começo.
Já estou me explicando demais.
Eu sinto uma explicação mais próxima do que sou, é que sinto. Sinto demais por tudo.

Desembarque

Daqui adiante ou ali...

Primeiro Andar

Los Hermanos

Composição: Rodrigo Amarante

Já vou, será
eu quero ver
o mundo eu sei
não é esse lá

por onde andar
eu começo por onde a estrada vai
e nao culpo a cidade, o pai

vou lá, andar
e o que eu vou ver
eu sei lá

não faz disso esse drama essa dor
é que a sorte é preciso tirar pra ter
perigo é eu me esconder em você
e quando eu vou voltar, quem vai saber

se alguem numa curva me convidar
eu vou lá
que andar é reconhecer
olhar

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu não sei quem sou

Eu escrevo e te conto o que eu vi
e me mostro de lá pra você
guarde um sonho bom pra mim

eu preciso andar
um caminho só
vou buscar alguém
que eu não sei quem sou

terça-feira, janeiro 17, 2006

Um lugar no passado

Embarque

Lembranças
Inchar-se, elevar-se a condição do sonho e das lembranças.
Retornei a casa da minha mãe, estou aqui no meu antigo quarto visualizando estas paredes que tanto me observaram por anos a fio. Elas viram minhas vitórias e derrotas, tanto umas quanto as outras foram insistentemente por elas vistas, sem possibilidade de fugir elas viam tudo, toda minha nudez e todo meu castigo de situações, afinal foram 22 anos de vida nestas entranhas.
Lembro de tanta coisa, tanta lágrimas aqui derramei, tantas noites imaginei melhorar, fugir, morrer, gozei, gemi. Sim estas paredes.
Nestes últimos dias muitas coisas tem passado pela minha caixola, desde as experiências mais angustiantes e tristes que vivi até outras, tão sublimes e alegres. Tenho me mantido um pouco distante do álcool, as vezes já me sinto inchado sem nem colocar uma gota na boca.
Melhor passar alguns dias sem o exagero, por outro lado venho pensando muito e alterando meu estado consciente com minha mente, apenas minhas idealizações de situações e pessoas. Vontades e mais vontades nisso mesmo, venho depositando grande quantia de tempo. Pensando nas minhas vontades e onde estas podem me levar. Estou diferente é verdade, me sinto o mesmo, mas um pouco modificado. Talvez a vida tenha ludibriado demais este e penso que mudei um pouco, mas não nego, por mais tenha corrido em direção oposta, algumas coisas voavam a mim e me abraçavam elevando meu corpo a outros níveis de percepção.
Estava distante é verdade, pode ser distante de mim mesmo, porque tinha medo. Eu ainda tenho medo de mim. Mas eu não abro mão do meu jeito de ser.
Eu sou puro coração.

Desembarque

terça-feira, janeiro 10, 2006

Embarque


2046 - Os segredos do Amor

Preciso rever esse filme.



Desembarque

segunda-feira, janeiro 09, 2006

“... os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais, e mesmo assim eu sei tão bem...existe alguém pra me libertar”

Embarque

Três tentativas desperdiçadas frente a milhão de idéias de escrever sobre mim mesmo. E no final alguns rabiscos são paridos numa dor imensa. Gostaria de Ter o tal fluir sobre a arte de escrever, mas isso pouco importa.
Sinto que preciso mesmo de um óculos, pois este período sem essas malditas lentes estão me deixando louco, faço a promessa de amanha ir atrás de novos olhos.
Preciso também de um grande amor. Às vezes me sinto uma jovenzinha que implora por isso, mas sinto que preciso como Whitman diz, empurrar um tal músculo. No meu caso acho que preciso empurrar novas lembranças a se tornarem novas histórias. Minha cabeça dá um nó do tamanho dos nós que temos de linhas férreas aqui nesta cidade.
Hoje uma tal indisposição visitou-me e forçar a vista para ler é uma merda, em certa medida até dói acima dos olhos...Mas está escrito ali em cima...de amanha não passa. Mas voltando ao tal da indisposição, pois é. Não botei a fuça fora de casa. Não sei por quais coisas, mais fui acometido para agir assim. Tinha algumas coisas a fazer ficaram ainda a fazer. A insônia veio como sempre, a lembrança por corpo e consequentemente masturbações, banhos para um dia quente como este.
Ter feito arroz, lavado louça e outras tarefas de cunho domésticos, mas tudo isso no perímetro de casa, nada além disso. Os compromissos desmarquei-os, melhor assim, sem responsabilidades por algumas horas. Apenas esperar o fim do raiar do dia de hoje. Amanhã talvez melhor eu esteja e mesmo que não, coisas precisam ser feitas e me conhecendo do jeito que conheço as farei.
Eu sou um grande rochedo, as vezes as ondas arrancam um pedaço de mim, mas fico aqui resoluto, e das minhas possibilidades retiro a força que me guiará ao amanhã...que seja um pouco mais feliz que o dia de hoje. Um pouco disposto e propositivo. Não tanto ao ostracismo.
Gostaria sinceramente de vazar algumas coisas, sinto-me inchado de não sei o quê. Alguma substancia circulando por mim a produzir certos efeitos e a mudar a forma como lido com certas situações e espero um fim pra tudo isso.
Assim espero, ou melhor...assim me talho.
Ah quer saber...eu quero mesmo é me encher disso, estar ali absorto pela presença, sentindo o fluir dos vapores que nos levaram a este lugar. Isso mesmo, cansei-me de um monte de coisas, mas ao mesmo tempo estou aqui. Diante de mim apenas um grande monte de rochas, mais ninguém e talvez um cavalo. Escalo o monte ou cavalgo pelas planícies? Escolhas, escolhas, escolhas, perdas, perdas, perdas e algum ganho.
Mas o que estou a falar?
Nem mesmo sei, me perco a todo momento num turbilhão de lembranças boas e ruins, fico absorto em minha cama as sentindo como um filme passando pela minha retina da memória a iludir-me que estou neste lugar por aqui, por ali.
Preciso de uma bóia salva-vidas.

“... os dias que eu me vejo só são dias que eu me encontro mais, e mesmo assim eu sei tão bem...existe alguém pra me libertar”

Desembarque

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Sonho

Embarque

A memória nos prega peças e sonhos por mais irrealizáveis que são se tornam tão concretos quanto qualquer ereção juvenil creditada ao amor de uma jovem de qualquer sala de aula (ou seria sela? pouco importa), que se distrai torneando mais suas pernas na frente de rapagotes afeitos a toques.
Sonhos! Sentir a realidade numa mistura de névoa de lembranças.
Teu hálito voltava a me tocar como as rochas são tocadas pelas ondas do mar e sentia o suave toque de suas mãos e os reconhecia pela textura que as mesmas tinham, e assim, segurava em meu membro enrijecido e completamente desprovido de roupa, e teus dedos passeavam pelo meu corpo como nunca mais este sentira em vida. Conseguia tocar teus seios e tua vulva que se encharcava a cada passeio de meu corpo pelo teu e sentia o tremer e os suspiros que saiam de sua enorme boca enquanto grudava meu lábios a seus lábios molhados e nos tornávamos uno e indivisível. Corria teu corpo como um playground do amor e sentindo a maciez e a temperatura de suas carnes ia me colocando em casa completamente afeito aos teus toques mais íntimos, e tu amor, passeava por mim, por tudo que possa parecer ou que fosse eu. Estava completamente a suas mãos e as sentia correr com propriedade toda vastidão nua de meu corpo e me fazendo uivar numa noite fria que afeitos ao amor, nossos corpos dançavam e cortavam a baixa temperatura, e sentia verter de sua boca as palavras mais sujas e lindas pronunciadas por uma boca que aumentava de tamanho e cada estocada de palavras que pronunciava e fosse como um falo ereto que se faz feliz ao adentrar uma buceta quente e molhada.
Sentia o correr de teus dedos as regiões mais guardadas de meu corpo e tocava a carne intima de meu corpo com tal propriedade que parecia manejar um instrumento muito além de conhecido e familiar. Destrava meu corpo duro e o abria completamente a suas mãos como um cirurgião abre com um bisturi qualquer ser, e passeava alegremente por este com uma única esperança, a de enlouquecer-me de prazer. Suas mãos tão afeitas ao meu corpo me tocava de um jeito tão sublime que achava lindo o manuseio que se fazia de mim, não apenas a imagem de posse de meu corpo, mas como me manuseava e ia abrindo todas as portas ao nosso prazer, se comprazendo a manter estas carnes quentes e pulsantes em suas mãos. Sentia o ir e vir de seu hálito e de quando em quando sentia a aspereza de seus doces lábios que juntos formavam uma ferramenta da completa e irrestrita entrega, seu hálito próximo a mim sugava este a dentro de ti.
Este hálito quente e característico que saía de sua boca uterina se pretendia um tempero a minha saliva e essa tua boca quente abaixo de sua nobre cintura era tocava pelos meus lábios e língua. Enquanto relinchava tal qual uma égua no cio eu brindava meus lábios com os teus lábios inquietantes que inquietavam minha língua e faziam com que ela trabalhasse insistentemente no emprego do prazer e em conjunto com meus dedos que passeavam pelas tuas grutas molhadas e refaziam o percurso como ordenastes minutos atrás, antes mesmo de eu tocar este lindo corpo que me apaixona a cada lembrança.
Morria a cada suspiro de prazer que você dava amor, sentia a flacidez de sua esponjosa carne que escondida está dentro de ti e morria a cada toque que dava em mim, a cada arranhão, a cada sublime beijo, a cada feroz chupada e a cada abraço quente e nu. A beijava como se fosse meu último dos beijos a dar-te e sentia o arfar de seus peitos em minhas mãos e quentes que estavam os apertava e pulava com seus bicos pontudos a frente, indicando quem os deveria chupar com propriedade tal que aumentavam de tamanho em contato com minha língua molhada e insinuante que fazia um caminho úmido deixando em ti um percurso dos meus toques e ainda assim não a ti cansava e me queria mais ainda.
Ai amor. Sugava a última gota do que vertia de suas entranhas a tentar alimentar meus membros e minha montanha de carne se predispunha sempre por ti, sempre que sentia o roçar de seu corpo ao meu já acordava afeito a tocar-lhe o útero, a boca, as mãos toda e qualquer parte deste lindo corpo a qual costumo chamar de meu também como sou a ti. Teu também.
Ao sentir o peso de seus seios com ele sentia já o brincar de seus lábios colando aos meus e meus braços entrelaçavam aos seus, minhas pernas as tuas, meus pés aos teus, mãos, dedos, olhos, carne, secreções.
Sentia quando passeava por ti o uivar de suas carnes a minha boca, e passeava com ela por tua linda vastidão a tocar-lhe profundamente onde quer que fosse e degustava teus odores e gostos como que nunca os tivesse sentido, e sempre da primeira a última vez sentia descer pela minha garganta sempre um pouco de ti. Eu a comia com prazer e propriedade e ela me fodia com tesão e certeza de que eu a amaria para sempre. Me alimentava destas secreções que vertiam de nossos corpos e sentia novamente o seu tocar. O sublime tocar de seus dedos a minhas partes mais íntimas e passeava por estas com tal certeza de que iria enlouquecer-me que amava isto, entreguei-me nisto e meu peito arfava por estes toques, sabia do que fazia como fazia e onde deveria apertar e meu corpo modificava de tamanho para seu delírio e localizava seu sorriso a me contemplar.
Estava a suas mãos entregue sem armas, sem resistências e sentia apenas meu falo rijo e pulsante a pedir pelo abraço das pétalas de suas carnes intimas e isso se fez de maneira tão sublime que uivamos a noite inteira e rimos como dementes a boca do nosso orgasmo e quando a ele chegamos um enorme rasgo ela fez em mim como que pretendendo fazer brotar outro pênis pois ela queria que eu fosse mais de um.
A ergui. Novamente brinquei com os bicos sisudos de seus peitos que pesados que estavam pareciam necessitar de um toque de minhas mãos e sentia ainda o nosso verter por entre nossas pernas. E junto as suas pernas novamente deitei minha boca a seus lábios uterinos quentes e tateava aqueles com vigor a deixando louca e refazendo o caminho de meu falo, mas agora com minha língua e dedos. A chupava com amor, raiva, ódio, tesão, com um fulgor dos deuses. A chupava buscando o seu gozar em mim, na minha boca como que seu bebesse água numa bica, eu bebia ela pelo ventre quente que se aprazia a cada passeio de língua que dava por este lugar e meus dedos pacientemente tocavam a carne escondida de seu corpo. A achei. Destravei-a, sentia ela entregue como entregue estive, e sua boca aumentava de tamanho e observava como linda estava quando colado a boca uterina eu estava, e como agarrava os lençóis a cada passeio meu por suas quentes carnes. Até que esguichou-se em mim e prendeu minha cabeça ao meio de suas pernas como que ordenando nunca mais retirar-me de sua vida, e eu a observava e a seu quadril que volteava e rebolava insistentemente prendendo minha cabeça a ponto de deixar-me sem fôlego e totalmente molhado.
Minha língua cansada que estava foi delicadamente tocada pela sua. Ela enxugava a umidade de minha boca com suaves beijos e ia refazendo minha consciência com palavras de amor e ainda me tocando como que me introduzindo novamente naquilo.
Finalmente, sentia o nosso adormecer ao raiar do dia, da fresta da janela observava o mundo voltando ao seus eixos e eu me ajeitava docemente ao meu eixo, colando meu quadril ao dela, sentia que aquilo era o meu lugar e ao raiar do sol deste dia, raiaríamos juntos a mais uma odisséia do sexo e amor.

Desembarque

terça-feira, janeiro 03, 2006

domingo, janeiro 01, 2006

Amanhece sempre

Embarque

Amanheceu. Exatamente às 7h43min a insônia abate a mim. Cansado ainda estou das nuances dialógicas, idas e vindas e uma infinidade seqüencial de situações que fodiam com a minha cabeça, meu corpo e minha auto-estima.
Recentemente me vi sozinho novamente e tentando sair de novo desse círculo que não me compraz de alguma forma, e observar o taxamento do que foi sentido e as fotografias lavadas com água sanitária com fins a serem limpadas das memórias coletivas. Essa observação dói, pois permitiu-se o descartamento das sensações e da própria humanidade. A limitação da própria raiva, do ódio por um maldito bem que doía mais que mil agulhas perfurando meu olho insistentemente e ainda assim não entendido, não dialogado, morto. Uma morte que é perpétua e se transforma assim quando os quadros foram pintados em minha memória, e este consigo próprio, para não mais passear pelas pradarias do sofrimento e meu olhar escarrava um nada, um completo vazio, mas o entendimento é uma força a ser usada e não apenas receptivamente ser aproveitada. É preciso ter força de vontade para tanto, ter fome de entendimento se pretender ouvir, querer ao menos fazer parte de algum outro maldito ponto de vista. Mas não! Isso é demais, estamos todos preocupados com as nossas próprias sensações e como poderemos manter o círculo de situações de forma que estas façam bem ao nosso ego, pouco importa o que do outro lado do espelho se passa, basta cultivar o não diálogo, a confusão de frases e situações, situações, situações e tudo regado a muito sangue dos jogadores, e assim a vida tornou-se um jogo e quando um participante quis participar de outra partida o verdadeiro não-entendimento entra em cena e aí sim o não-diálogo perpassa as situações e sangue escorre como um rio revolto por nossas vidas e o ódio retorna como um tufão levando nossas casas e sentimentos, esperanças e tudo mais que algum dia teria sido plantado. Aí sim as flores são pisadas, as fotografias deixadas ao limbo e tudo esquecido em nome do próprio ego e assim todos caminhamos serenos por sermos assim, por cobrar e não dar em troca sequiosos de que o tempo sozinho reconstruirá um algo nunca mais sentido. E disfarçando em olhares a própria morte e não querendo mais ser sugado pelo vortex e correndo ao encontro de algo que seja bom e não se transforme num rio de sangue e não mais tempestade passe por alguns tempos pelo meu lugar.
As 8h10 desta manhã sinto um certo regurgitar em meu corpo, talvez seja meu estômago podre por eu ter escolhido o caminho das tentativas mais fracas e humanas que pude presenciar, ou mesmo por ter conseguido aqui chegar ainda vivo depois de chorar horrores como um feto desmamado. Amar dói demais é dois demais sofrendo por querer compor um bem pelos demais. Fraquezas. Eu odeio as minhas próprias fraquezas. Mas as vencerei de meu jeito, e posso não muito bem não entrar nos anais da classificação humana e novamente ser taxado, ou nem isso. E, para tanto basta acostumar-se com isso, sentir muito próximo a indiferença e isso a vida já me fez entender. A indiferença faz parte dos sentimento dos que por mim brincavam. Não basta nada além disso, desta singela e bonita demonstração do nada com um alguém. Eu sinto-me assim. Lavado da memória. E até que é bom, pois, assim afogo mais rapidamente o que existia não deixo mais pedra sobre pedra, mais nada. Implodo tudo, como a indústria extrativa que implode uma mina na procura de um bem mineral, é assim que tudo acontece com todos. Implodiremos nossos grandes edifícios de amor, amizade, lealdade e tudo mais que compõem, ou melhor, compunha um que de alguma coisa qualquer.
Aproximação por bens, sofrimento por amor, amar por perfeição, dor por escolha. Rasgando em tiras de carne com uma lata de cerveja ainda molhada decompondo vou cada centímetro deste em tiras de carne e não se sangra mais.
Quem sabe este ano, sim este ano, seja coisa melhor? Quem sabe estes dias o vento mude o lado por onde sopra e poderemos rumar com nossos barcos a outros lugares?
Quem sabe?
Ainda esperamos o vento mudar o rumo dos acontecimentos, e sentado espero, espero, espero o nada chegar, assim de repente com ele estarei com o mais pobre vazio, com um vácuo sufocante que inflige a meu esôfago a pior das sensações e novamente sentido o enforcamento no momento certo e também pedir pelo que? Por amor, vida, esperança, completude, amizade, irmandade, paixão?
Pediremos por que quando tudo isto terminar? Talvez, ou nem isso, por uma pequena porção de terra pra que nossos restos mortais sejam depositados. Assim, como todos deveriam ser.
Mas não faço parte deste jogo, não quero mais isso. Não quero e não mereço mais nada disso. Sei que peco por tentar, mas eu tento, errando eu tento. Abrindo latas de lixo, ou portas, ou latas de comida, meu próprio corpo, entrando em casas noturnas, dançando a noite inteira, bebendo como um porco, chorando como uma criança sozinha na rua, tentando um prato novo, um trabalho novo, um homem novo. Eu quero alguém que lave minha pele com um tipo de substância nunca usada, que me toque como ninguém nunca me tocou, que me ame como ninguém nunca amou.
Estou mais velho, menos esperançoso mas talvez mais realista, e vejo o véu negro ser solicitado por todos. Tempos de morte, solidão e abate no matadouro.

Desembarque