terça-feira, julho 28, 2009

Fragmento de Novembro

Embarque


...Ao descer os degraus foi rapidamente rumando a saída do bar. Passou por mim, lançou um breve sorriso, que me petrificou, ao parar na entrada do bar, minhas narinas, traquéia, esôfago e todo sistema nervoso travou, tanto que minhas retinas apenas a observavam, eu fui sugado, totalmente por aquele ser. Jogado num redemoinho de vontades em tê-la por qualquer motivo que fosse. Seja lá, para conversar sobre as futilidades de seus amores, das impossibilidades dos sistemas operacionais, estagnação da cultura televisiva, colapso do sistema de transportes públicos da cidade de São Paulo. Seja para alguma coisa, eu me sentiria lisonjeado em dividir alguns momentos com aquela mulher e poder investigar seus odores mais íntimos e pessoais, descobrir suas aventuras de adolescência e ter em minha memória suas lágrimas de amores passados. Eu poderia dividir com ela minhas expectativas quanto aos planos futuros, contar-lhe sobre as desventuras de amor, explicar-lhe a meu ver porque o mundo continua ser habitado por seres moribundos que nos são indiferentes...

Desembarque

Um comentário:

Lucas Lopes disse...

O famoso bar do Justo!